Paulistas de Santos e Ilhabela dominaram principais conquistas no 50º Circuito Rio
Os barcos do estado de São Paulo fizeram a festa na 50ª edição do Circuito Rio, tradicional evento com sede no Iate Clube do Rio de Janeiro que começou na quinta-feira e terminou neste domingo com festa cerimônia de premiação e uma festa regada à cerveja e massas. Ao todo, foram sete regatas nos quatro dias de evento com 34 barcos na raia. O Circuito Rio contou pontos importantes no ranking da Copa Brasil ABVO que definirá o melhor barco do ano e os melhores em cada categoria.
Na categoria ORC destaque para o barco Pajero, do Iate Clube de Santos, comandado por Eduardo Souza Ramos que venceu pela 13ª vez na competição. A final foi emocionante com disputa apertada com o gaúcho Crioula 29, do olímpico Samuel Albrecht e comandado por Eduardo Plass.
No último dia o Crioula 29 venceu a primeira regata e o Pajero venceu a última finalizando a jornada com 10 pontos contra 11 do barco gaúcho no acumulado geral. Campeão da 69ª Regata Santos-Rio no começo da semana anterior, o barco Angela Star VI completou o pódio.
“Muito contente com o resultado, foi uma disputa acirrada com o Crioula que é uma equipe que nos coloca pra cima. Por um ponto vencemos, na última regata, um excelente dia para o doutor Eduardo que está de aniversário no domingo com 75 anos e que no dia anterior navegou em condições de 25 nós e venceu a regata. Parabenizo ele e a tripulação pela 13ª conquista. Estamos com bons resultados no ano, tripulação se entrosou, trabalho do Eduardo que investe na equipe, no esporte”, disse André Fonseca, o Bochecha, que é tático do barco e tem três participações olímpicas além de ter tripulado o Brasil 1 da Volvo Ocean Race.
Na categoria ORC B, o título ficou com o +Bravíssimo, do Espírito Santo, comandado por Luciano Secchin, deixando em segundo o Maestrale, de Adalberto Casaes, e o Santa Fé, do Clube Naval de Charitas, em Niterói (RJ), em terceiro.
Na IRC, o Rudá, da Marina Supmar, também de Santos (SP), levantou o terceiro título do Circuito Rio. O último dia não foi o ideal para a embarcação comandada por Mário Martinez que ficou com um terceiro e sexto lugares, mas nos demais dias com três vitórias e um segundo lugar deram o resultado suficiente para a vitória com 12 pontos contra 18 do também santista Inaê, do Pier 27. Na terceira posição ficou o carioca Danadão, comandado por Guilherme Raffare e do pentacampeão mundial Maurício Santa Cruz, o Santinha. Danadão foi o campeão Brasileiro ABVO em abril em Búzios (SP). O barco é do Iate Clube do Rio de Janeiro.
“Foi muito bom, regatas muito boas, um dia com ventos muito fortes na sexta, regata dura, mas que levamos. No último dia precisamos manter a vantagem que tínhamos nos pontos e não ser punidos”, disse o skipper do barco, Miller Lazur, lembrando das conquistas do Rudá em 2013 e 2015: “Fechamos com chave de ouro, vencendo a Santos-Rio e agora o Circuito Rio, um campeonato maravilhoso organizado pelo ICRJ”.
Na IRC II o título ficou com o Avanti, também do ICRJ, seguido por dois barcos do Yacht Club de Ilhabela (SP), o Orson-Czechvar e o Asbar II.
Na BRA-RGS, o BL3, de Ilhabela (SP), manteve a boa sequência após o título da Santos-Rio e levantou o caneco deixando o Orion, do Grêmio de Vela e Remo, do Rio de Janeiro, em segundo e o Zeus, do Marina Lisarb, de Ilhabel (SP), em terceiro.
Resultados 50º Circuito Rio (Acumulado de 7 regatas)
ORC
1 – PAJERO – ICS – 10,00 pontos
2 – CRIOULA 29 – VDS/ICRJ – 11,00
3 – ANGELA STAR VI ICRJ – 14,50
4 – DUMA – ICRJ – 29,00
5 – +BRAVISSIMO – ICES – 33,00
6 – MAXIMUS – CNC – 34,50
7 – NEPTUNUS XIII – ICRJ – 36,50
8 – SORSA III – ICRJ – 40,00
9 – MAESTRALE LOGSUBMAPMA – 53,50
10 – SANTA FÉ V – CNC – 55,00
11 FIRE & FORGET – CNC – 62,00
12 BICHO GRILO – CNC – 63,00
13 BIJUPIRÁ CAPEMISA – GVEN – 65,00
14 MIRAGEM – CNC – 70,00
15 VESPER V – ICRJ – 81,00
IRC
1 – RUDÁ – CIR/SUPMAR – 12,00
2 – INAÊ40 TRANSBRASA – P27 CIR – 18,00
3 – DANADÃO – ICRJ – 22,00
4 – AVANTI – ICRJ – 25,00
5 – ORSON – CZECHVAR – YCI – 33,00
6 – ASBAR II – YCI – 35,00
7 – ESCULACHO – ICRJ – 44,50
8 – SARAVAH – ICRJ – 47,00
9 – MINNA – ICRJ – 51,00
10 – DONA BOLA – ICRJ – 56,00
11 – TAHITI NUI – ICRJ – 64,00
12 – MANGA WIKI – ICRJ – 71,00
13 – VILLEGAGNON – GVEN – 78,00
14 – DACHA VI – ICRJ – 84,00
BRA-RGS
1 – BL3 URCA – BL3 – 8,50
2 – ORION – GVREFOMM – 11,50
3 – ZEUS – MARINA LISARB – 20,00
4 – LELIA W – ICRJ – 24,00
5 – NO BRAINER – ICRJ – 31,00
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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