De chuva a escorpião: saiba como foi a 1ª etapa da expedição de jets do Boat Show de Foz
Após mais de 400 km, grupo de 150 jeteiros que saiu de Rosana (SP) comemorou chegada à Foz


A primeira etapa da Expedição Foz Boat Show foi concluída na tarde de quinta-feira (28). O grupo de 150 jeteiros, que saiu de Rosana, no interior de São Paulo, no dia anterior, comemorou a chegada atracando em grande estilo no 2º Foz Internacional Boat Show. O salão náutico acontece até domingo, 1º de dezembro, no Iate Clube Lago de Itaipi (ICLI).
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Foram cerca de 421 km percorridos e cinco deslumbrantes destinos explorados pelas águas do rio Paraná: Rosana (SP), Porto Natal (PR), Guaíra (PR), Porto Santa Helena (PR) e Foz do Iguaçu (PR), palco do Boat Show de Foz. A travessia, fruto de uma parceria da Boat Show com MSJet, marca a primeira vez de uma expedição deste porte no trajeto.


Apesar do sucesso desta primeira etapa — o retorno está marcado para o dia 30 de novembro, às 6h –, a travessia não dispensou turbulências. A primeira delas se deu logo na saída, e aconteceu com Renan Macedo, integrante do time da Revista Náutica. Após ser picado por um escorpião, Renan precisou ir até um hospital. Felizmente, deu tudo certo e nosso “jeteiro” conseguiu seguir o percurso.
Estava dentro do meu tênis quando eu calcei– explica Renan
O clima também causou transtornos ao grupo de aventureiros. De acordo com Renan, dois trechos marcaram as principais dificuldades enfrentadas pela expedição: um com ondas muito grandes e outro com as rajadas de vento e chuva, ainda na quarta-feira (27).


“Tivemos que recuar um pouco para a praia, porque ficou muito difícil de enxergar, com tanta chuva”, relembra Renan.
Durante o tempo desafiador, a estratégia foi se agrupar e tomar decisões. Uma delas foi voltar ao ponto em que haviam acabado de sair, na praia.
Foi a decisão mais correta. Não adiantava tentar seguir, porque era impossível enxergar um ao outro– conta Renan


Apesar das adversidades, todo o percurso foi “surpreendente”. “É impressionante a cor da água do rio Paraná: cristalina! Você consegue enxergar o fundo em vários trechos do percurso”, exalta o jeteiro, que não esconde: “chegar ao Boat Show foi emocionante. Não tinha como não se emocionar e ficar muito feliz por termos chegado”.
Foi um projeto que pensamos há muito tempo. Ver que conseguimos chegar no objetivo final foi muito gratificante– conclui
Confira, a seguir, um pouco de como foi a chegada da Expedição Foz Boat Show ao ICLI, palco do Boat Show de Foz.
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Foz Internacional Boat Show 2024
A segunda edição do Foz Internacional Boat Show chegou! Com lanchas, pontoons, jets, motores, equipamentos e acessórios, o salão náutico paranaense atraca de 28 de novembro a 1º de dezembro no Iate Clube Lago de Itaipu, o “mar doce” da região.


Realizado no oeste do Paraná, o evento acontece sobre as águas doces de Foz do Iguaçu e conta com a 2ª edição do Congresso Internacional Náutica, test-drive de embarcações, atrações de vela, expedições de jet, campeonato de pesca e milhares de apaixonados pelo universo náutico nas águas navegáveis do Lago de Itaipu.
Além disso, o salão ocorre na região da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, e pertinho das Cataratas do Iguaçu, uma das 7 Maravilhas Naturais do Mundo! O Foz Internacional Boat Show tem apoio do Governo do Paraná, por meio da Secretaria de Turismo e Viaje Paraná, da Itaipu Binacional e Itaipu Parquetec.
Anote aí!
2º FOZ INTERNACIONAL BOAT SHOW
Quando: De 28 de novembro a 1º de dezembro de 2024
Onde: Iate Clube Lago de Itaipu (R. Inacio Reuter Sottomaior, 1020 – Jd Porto Dourado)
Horário: Das 15h às 22h
Mais informações: site oficial do Foz Internacional Boat Show
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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