Em lancha de 19 pés, Edu Guedes está indo de João Pessoa e Ubatuba. E já venceu mil milhas!

31/03/2022

Nesta sexta-feira, em sua travessia entre João Pessoa e Ubatuba, o navegador José Eduardo Coutinho Guedes está atingindo a marca de 1 000 milhas navegadas — e não é conta de mentiroso, apesar do 1º de abril. E isso a bordo de uma lancha de madeira de apenas 19 pés (com proa alta, para enfrentar mar grosso), equipada com um motor de popa de 150 hp, quatro tempos. No total, Edu Guedes, como é chamado pelos amigos, percorrerá 1 300 milhas. E já venceu 70% do percurso.

“Ao chegar em Vitória, nosso GPS marcava 930 milhas navegadas”, conta o comandante da Maryas — o nome da lancha é uma homenagem à sua avó, Maria Alice, às suas netas Maria Eduarda, Maria Clara e Yasmin (daí o “Y”) e à Nossa Senhora.

“Agora, estamos saindo rumo a Atafona, a cidade que o Brasil vem perdendo para o mar, no Rio de Janeiro, um percurso de pouco mais de 100 milhas. Isso significa que atingimos a marca de 1 000 milhas navegadas. Só faltam 300 milhas para a chegada, em Ubatuba”, comemora Edu.

No trajeto entre Vitória e Atafona (e dali para Cabo Frio), ele terá de enfrentar as águas traiçoeiras do Cabo de São Tomé, que costumam pregar peças até nos navegadores experientes. E isso com uma lancha de apenas 5,8 metros.

Nesses (até aqui) 18 dias de viagem, a valente lanchinha sofreu apenas um contratempo: um defeito no automático da bomba de porão, que teve de ser trocado. De resto, não teve nenhum problema mecânico. E olha que está a caminho das – repita-se — 1 000 milhas navegadas.

Mérito de um casco muito bem construído por Edu com as próprias mãos, com compensado naval, ao longo de um período de quatro anos e três meses, e que tem se mostrado excelente nessa longa travessia.

O desempenho da Maryas é um show à parte. A velocidade máxima é de 35 nós. Na velocidade de cruzeiro, de 23 nós, a 3000 rpm, a pequena lancha consome apenas 18 litros por hora. Isso significa que gasta menos de 1 litro por milha navegada.

“Para ser ter uma ideia, cobrimos as 103 milhas entre Ilhéus e Porto Seguro em apenas seis horas”, exemplifica o comandante, sem esconder o entusiasmo.

A dupla planejava concluir a expedição em cerca de 16 dias, o que significa que já deveria ter atracado no litoral Norte de São Paulo, uma vez que a largada em João Pessoa foi dada no dia 13 de março. Mas, nesse dia 29, eles ainda estavam trocando as águas da Bahia pelas do Espirito Santo.

Por questões de clima (ventos fortes) e de mar (que engrossou), Edu e seu parceiro de viagem (o capitão amador e mecânico de barcos Luís Peixoto) tiveram de estender sua estada em algumas escalas, especialmente em Aracaju (três dias) e Salvador (quatro dias). Assim, a expedição já não tem dia e hora certos para terminar. E isso torna a aventura desse meio pessoense (nasceu em João Pessoa), meio ubatubano (há décadas mora em Ubatuba) ainda mais gostosa e emocionante. Vamos continuar acompanhando.

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Conheça o megaiate ligado a bilionário russo que cruzou o Estreito de Ormuz em meio ao bloqueio

    Embarcação de 464 pés atravessou rota bloqueada pelo Irã mesmo não sendo um navio cargueiro. Veja mais detalhes do barco!

    De ameaça a oportunidade: peixe-sapo invasor pode virar fonte de renda no litoral do Paraná

    Novo projeto pretende avaliar se a carne do animal é boa para consumo e envolver os pescadores no monitoramento dessa espécie

    Da Antártica ao Brasil: navio Bandero, da operação internacional Krill Wars, pode ser visitado em Ilhabela

    Embarcação da Captain Paul Watson Foundation esteve envolvida em ações diretas para interromper a pesca industrial de krill. Visitas são gratuitas

    Tubarão é registrado a 500 metros de profundidade na Antártica e surpreende cientistas

    Registro de janeiro de 2025 mostra tubarão-dorminhoco desajeitado que pode chegar a medir 3 metros de comprimento

    158 anos depois, navio naufragado em lago dos EUA é encontrado

    Cargueiro Clough tinha 38 metros de comprimento e afundou em 1868 no Lago Erie após uma forte tempestade