Edson Garcia visita Brasília Boat Show e se encanta: “Sempre foi uma pauta no DF”

Fã de barcos, presidente da CEB há 30 anos é dono de embarcação e navega pelas águas do Lago Paranoá

Por: Redação -
15/08/2024
Foto: Revista Náutica

Edson Garcia é bastante conhecido em Brasília. Não só por ser presidente da Companhia Energética de Brasília (CEB) e do Conselho Deliberativo do Iate Clube de Brasília mas, também, por ser um assíduo frequentador do Lago Paranoá, onde acontece a primeira edição do Brasília Boat Show. Segundo ele, o salão náutico, inclusive, “sempre foi uma pauta no Distrito Federal”.

Pauta essa em que Edson também tem participação, afinal, já são mais de 30 anos navegando pelas águas doces do icônico lago, cartão-postal do coração do Brasil.

 

“Comecei no Iate Clube de Brasília criança, no final dos anos 60, quando meu pai se associou ao clube. Fiz escolinha de optmist”, conta Edson. Porta de entrada para o mundo da vela, a classe optmist tem veleiros projetados especialmente para crianças conduzirem.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Edson explica que o mercado náutico, em Brasília, por muito tempo foi pouco desenvolvido. “Hoje somos muito bem atendidos. Todos os fabricantes são representados aqui, com bom suporte de marinas e manutenção”, completou.

O Boat Show sempre foi uma pauta no DF. Era uma lacuna não ter um grande evento náutico, que estimula, que vende– Edson Garcia, presidente da CEB

Nos anos 90, Edson comprou sua primeira embarcação, “uma lancha de 24 pés com motor de popa”. A partir daí, ele deu continuidade ao que teve início em sua infância, e começou a criar “uma história familiar” dentro do barco.

Quando comprei minha lancha nos anos 90 era frequentador assíduo do Rio Boat Show e do São Paulo Boat Show. Comprei duas lanchas em Boat Shows– revelou o presidente da CEB


Para Edson, o lago é um “grande atrativo”, já que “adorna a cidade por sua beleza visual e também é um grande instrumento de diversão para as famílias e suas embarcações”.

A embarcação foi onde criei meus filhos, no lazer do Lago Paranoá– explica Edson Garcia

“A cidade vista de dentro do lago tem uma outra perspectiva. Alguns pontos só se vê de dentro de uma embarcação. Casas, hotéis, o palácio onde mora o Presidente da República. O lago é uma referência”, exalta Edson sobre o potencial do Paranoá.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

“O Boat Show inova, traz para uma sociedade a oportunidade de visitar, conhecer a diversidade, ver os produtos. Os que já são apaixonados estarão aqui com muito prazer. E os que ainda estão conhecendo trarão sua famílias e, com certeza, sairão daqui com novos projetos”, aposta Edson Garcia.

1º Brasília Boat Show

O 1º Brasília Boat Show reúne, em formato boutique, grandes destaques do mercado náutico e uma programação para toda a família. O evento atraca pela primeira vez no Centro-Oeste, nas águas do belo Lago Paranoá, entre os dias 14 e 18 de agosto.

Foto: Victor Santos/Revista Náutica

Lanchas, pontoons e jets estarão expostos ao público na capital federal, inclusive com a possibilidade de test-drive de barcos. O Brasília Boat Show mostra ainda opções de motores, equipamentos e diversos acessórios para embarcações.

 

E tem mais: exibição de barcos clássicos de décadas passadas, rally náutico e uma programação completa de lazer, com esportes aquáticos gratuitos, palestras e apresentações musicais.

 

Anote aí!

Quando: De 14 a 18 de agosto de 2024
Onde: Orla da Concha Acústica (SCE Trecho Enseada 01, Projeto Orla, Polo 03, Lote 20, Brasília – DF)
Horário: Quarta a sexta-feira, das 12h às 21h; sábado e domingo, das 11h às 21h
Mais informações: site do evento
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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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