NASA aposta em robôs com IA para monitorar o aumento do nível do mar

Equipamentos capazes de coletar dados a mais de 30 metros de profundidade devem atuar na Antártida por um ano

09/09/2024
Foto: Foto: U.S Navy / Scott Barnes / Divulgação

Atualmente, não é difícil encontrar notícias que apontam para o risco de cidades litorâneas ao redor do mundo ficarem submersas no futuro. Essas projeções se dão devido às mudanças climáticas, que têm causado o derretimento acelerado do gelo, principalmente na Antártida. E é justamente por lá que a NASA aposta no uso de robôs munidos de inteligência artificial (IA) para monitorar o aumento do nível do mar.

O projeto, desenvolvido pelo JPL (Jet Propulsion Laboratory) da NASA e batizado de IceNode, tem um objetivo claro: calcular com precisão como o derretimento das geleiras pode afetar os níveis dos oceanos. A alternativa empolga por ser considerada por cientistas como barata e de logística simples — o que facilitará as medições mesmo em locais inacessíveis aos humanos.

Foto: NASA / JPL-Caltech / Divulgação

O trabalho, inclusive, já começou. Em março deste ano, uma equipe da NASA enviou um protótipo dos robôs para um teste no Mar de Beaufort, no norte do Alasca. Uma verdadeira tropa dos equipamentos ainda deve ser utilizada para monitorar os efeitos do aumento das temperaturas nas plataformas de gelo.

 

A expectativa é de que cada um deles colete informações por até um ano, de forma contínua.

Como funcionam os robôs com IA

Capazes de coletar dados a mais de 30 metros de profundidade, os robôs com IA têm formato cilíndrico, com cerca de 2,4 metros de comprimento e 25 centímetros de diâmetro.

 

O equipamento é projetado para se posicionar no gelo de forma autônoma, com a ajuda de um software. Os robôs são liberados a partir de um buraco de perfuração ou de um navio no oceano aberto. A partir daí, utilizam as correntes oceânicas para navegar até seu destino sob as plataformas de gelo.


Nesse processo, a inteligência artificial é extremamente importante, já que ajuda a determinar o melhor posicionamento de fixação, por exemplo.

 

Para que se fixem ao gelo, os robôs contam com “pés de pouso”, que se expandem. Depois de posicionados, os sensores do robô medem a velocidade na qual a água salgada quente está derretendo a plataforma.

 

Após um ano de coleta de dados, os robôs se desengancham e retornam ao oceano aberto para transmitir os dados via satélite.

Próximos passos

Apesar de promissor, o projeto ainda necessita de mais testes e desenvolvimentos, para garantir que os robôs possam operar de forma eficiente e segura nas condições extremas da Antártida.

 

Paul Glick, engenheiro de robótica do JPL e investigador principal do IceNode, afirmou que o objetivo é continuar aprimorando os protótipos e realizar mais testes no futuro.

 

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