Marinha do Brasil alerta para segurança na navegação no Boat Show de Foz
Atuação dos militares no lago de Itaipu envolve orientar o público, proteger navegantes e cuidar das fronteiras brasileiras


A Marinha do Brasil participou da 2ª edição do Foz Internacional Boat Show, ajudando a conscientizar o público sobre a importância da segurança da navegação. Além das já tradicionais ações de inspeção naval, a Marinha aproveitou para divulgar o aplicativo NavSeg, que reúne normas e ações de salvaguarda.
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“Pelo aplicativo é possível acessar todas as nossas diretrizes e consegue ali se adequar, ver o que que precisa para qualificar sua embarcação”, explicou o Capitão de Fragata Uanderson Simonin Lauriano da Silva, Capitão dos Portos do Rio Paraná.


Já o primeiro-sargento Vinícius França Petrocelli destacou a importância da fiscalização da Marinha para coibir práticas irregulares, como a direção de embarcações sob efeito de álcool e a falta de equipamentos de segurança. “O colete salva-vidas é um item obrigatório e muitas vezes é negligenciado pelos navegadores. Nossa missão é conscientizar e garantir que todos naveguem com segurança”, afirmou.
Dada a localização de Foz do Iguaçu, de tríplice fronteira, o trabalho da Marinha na região engloba também o patrulhamento nas águas.


“Temos um lado de polícia, já voltado para coibir crimes, atos Ilegais. Nessas ocasiões nós atuamos com reforço do grupamento de fuzileiros navais de Santos (SP), e também atuamos em conjunto com demais órgãos de Segurança Pública”, afirma o Capitão Uanderson, que cita entre os principais parceiros o Núcleo de Polícia Marítima (NEPOM), da Polícia Federal, o Batalhão De Polícia de Fronteira da Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal.
Para desenvolver suas ações na água, a Marinha utilizava embarcações e motos aquáticas. Vale ressaltar que o jet é uma ferramenta fundamental para as operações de fiscalização, especialmente em áreas de difícil acesso. Com sua alta performance e capacidade de manobra, o equipamento permite alcançar áreas remotas do lago e realizar abordagens rápidas.


Por fim, o capitão Uanderson destacou a importância do Boat Show de Foz. “Além do desenvolvimento socioeconômico da região, o evento nos permite incutir na cabeça das pessoas a importância da segurança, de se preparar e ter responsabilidade para utilizar uma embarcação. No momento em que a gente tem um evento como esse e consegue passar esse recado, já valeu muito a pena”.
Foz Internacional Boat Show 2024
A segunda edição do Foz Internacional Boat Show chegou! Com lanchas, pontoons, jets, motores, equipamentos e acessórios, o salão náutico paranaense atraca de 28 de novembro a 1º de dezembro no Iate Clube Lago de Itaipu, o “mar doce” da região.


Realizado no oeste do Paraná, o evento acontece sobre as águas doces de Foz do Iguaçu e conta com a 2ª edição do Congresso Internacional Náutica, test-drive de embarcações, atrações de vela, expedições de jet, campeonato de pesca e milhares de apaixonados pelo universo náutico nas águas navegáveis do Lago de Itaipu.
Além disso, o salão ocorre na região da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, e pertinho das Cataratas do Iguaçu, uma das 7 Maravilhas Naturais do Mundo! O Foz Internacional Boat Show tem apoio do Governo do Paraná, por meio da Secretaria de Turismo e Viaje Paraná, da Itaipu Binacional e Itaipu Parquetec.
Anote aí!
2º FOZ INTERNACIONAL BOAT SHOW
Quando: De 28 de novembro a 1º de dezembro de 2024
Onde: Iate Clube Lago de Itaipu (R. Inacio Reuter Sottomaior, 1020 – Jd Porto Dourado)
Horário: Das 15h às 22h
Mais informações: site oficial do Foz Internacional Boat Show
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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