Grande Buraco Azul: sedimentos milenares revelam futuro de tempestades violentas no Caribe
Ainda não é possível prever o futuro com exatidão, mas a ciência, aliada aos recursos da natureza, é capaz de especular o que a humanidade pode enfrentar nos próximos anos. Foi assim que, ao “perfurar” o Grande Buraco Azul (Great Blue Hole), na costa de Belize, no Caribe, pesquisadores descobriram que tempestades violentas podem atingir a região nos próximos anos.
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Com 300 metros de diâmetro, o Grande Buraco Azul surgiu antes da última era glacial, resultado do teto de uma caverna que desmoronou e foi inundada pela elevação do nível do mar.
Por lá, sedimentos vem se acumulando há pelo menos 20 mil anos. No “olho do furacão”, esse acúmulo em camadas funciona como um registro natural de eventos climáticos extremos dos últimos 5,7 mil anos.


Devido às condições ambientais únicas […] sedimentos marinhos finos puderam se depositar em grande parte sem perturbações no Grande Buraco Azul– contou Dominik Schmitt, primeiro autor do artigo, em comunicado
Foram justamente essas informações que revelaram, em um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Frankfurt, na Alemanha, uma tendência de aumento na frequência de fenômenos naturais extremos na região, influenciados, em grande parte, pelo deslocamento da Zona de Convergência Intertropical — uma região essencial para a formação de tempestades.
Nossos resultados sugerem que cerca de 45 tempestades tropicais e furacões podem passar por esta região somente em nosso século– alertou Schmitt
Vale destacar que a temporada de tempestades na região em 2024 registrou 18 tempestades, das quais 11 evoluíram para furacões, incluindo cinco de grande intensidade. O número de tormentas tropicais foi 130% superior à média histórica do período, com destaque para o furacão Beryl, que atingiu a região do Caribe no final de junho sob categoria 5 — o furacão mais intenso na área desde 1875.
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