Iceberg do tamanho de Chicago escondia ecossistema nunca explorado na Antártica
Região fica a 1.300 metros de profundidade e pode ter mais de cem anos de vida marinha, diz estudo


Em janeiro deste ano, um iceberg do tamanho da cidade de Chicago, nos Estados Unidos, se desprendeu da plataforma de gelo George VI, a segunda maior da Península Antártica. Contudo, o que os cientistas não esperavam, era que “escondido” debaixo dessa enorme camada existia um novo ecossistema antártico nunca explorado — e que pode ter centenas de anos.
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A descoberta do novo ecossistema da Antártica foi realizada pelos cientistas da Schmidt Ocean Institute, que estavam trabalhando no Mar de Bellingshausen. Imediatamente, eles mudaram seus planos iniciais e fizeram o que seria o primeiro estudo detalhado de uma área tão grande, antes coberta por gelo.


Por lá, os pesquisadores ficaram oito dias estudando o lugar e encontraram de tudo: vida próspera, criaturas marinhas típicas e um ecossistema diversificado. Essas características são incomuns em regiões de mar profundo, como a área estudada, que chega a 1.300 metros de profundidade.
Com ajuda a de veículos operados remotamente (ROV), a equipe encontrou sistemas florescentes, grandes corais e esponjas que sustentam uma variedade de vida animal, como os peixes-gelo, aranhas-do-mar gigantes e polvos. Inclusive, os especialistas ficaram impressionados com o tamanho de algumas criaturas encontradas.
Com base no tamanho dos animais, as comunidades que observamos estão lá há décadas, talvez até centenas de anos– Dra. Patricia Esquete, cientista co-chefe da expedição


Não só Patricia, mas todos os pesquisadores envolvidos na exploração do novo ecossistema na Antártica ficaram surpresos com a biomassa e biodiversidade significativa do local. Além disso, eles ainda suspeitam ter descoberto várias novas espécies.
Não esperávamos encontrar um ecossistema tão bonito e próspero– Dra. Patricia Esquete
Como isso pode ter acontecido?
Normalmente, os ecossistemas de águas profundas dependem de nutrientes da superfície, que lentamente “chovem” para o fundo do mar. Porém, este novo encontrado da Antártica ficou coberto por um gelo de 150 metros de espessura durante séculos, completamente isolado de alimentos.


Neste caso, o gelo que se desprendeu do iceberg A-84 tinha aproximadamente 510 km quilômetros quadrados, com uma área equivalente de fundo do mar. Sendo assim, como esse ecossistema sobrevive a tantos anos?
Cientistas cogitam que as correntes oceânicas podem transportar da superfície os nutrientes necessários para o local. Assim, a vida na região tão profunda do mar teria sido sustentada por séculos, mesmo abaixo da camada de gelo. Entretanto, esse mecanismo ainda não é compreendido.


O estudo, além de revelar um novo ecossistema marinho na Antártica, fez com que a equipe reunisse dados sobre o comportamento passado da camada de gelo da região — justamente quando o local está sofrendo sérios impactos com o derretimento das geleiras.
Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida
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