Como acelerar a descarbonização da navegação? Painel do JAQ Hidrogênio debateu estratégias
Diretor de Tecnologia do Itaipu Parquetec, mentora de Mobilidade a Hidrogênio da SAE Brasil e diretor de Meio Ambiente do Porto de Paranaguá discutiram o tema


O primeiro barco-escola 100% movido a hidrogênio já tem deixado seus ensinamentos enquanto é apresentado na COP30, em Belém (PA). Nesta quarta-feira (12), o auditório do JAQ H1 foi o palco para especialistas discutirem estratégias de transição energética para o setor naval.
“Esperança para o transporte pelo mar”: Governador do ES fala sobre JAQ H1
Na COP30, presidente da CETESB se surpreende com tecnologia do JAQ H1: “é uma revolução”
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
O painel “Combustíveis alternativos na indústria naval”, mediado por Cila Schulman, CEO do JAQ, teve como pauta central a resposta para a pergunta: como acelerar a descarbonização da navegação com corredores verdes?


Para isso, o debate reuniu Alexandre Leite, diretor de Tecnologia do Itaipu Parquetec; Monica Saraiva Panik, mentora de Mobilidade a Hidrogênio da SAE Brasil; e João P. Santana, diretor de Meio Ambiente do Porto de Paranaguá. Juntos, eles ainda levantaram pontos como a escala para reduzir custos do H₂ e uma logística multimodal que integre produção, armazenagem e abastecimento a bordo.
Alexandre Leite abordou sobre a coerência climática, quando comentou que “não faz sentido falar em exportar hidrogênio verde usando navios movidos a combustíveis fósseis”.
Ele ressaltou ainda que o mercado náutico tem potencial para puxar essa virada, do lazer ao transporte marítimo, desde que haja investimento continuado, lembrando que o Itaipu Parquetec produz H₂V há mais de 12 anos e que a binacional “absorve 36 vezes mais carbono do que emite”.
Na sequência, Monica Saraiva Panik defendeu a criação de corredores verdes marítimos, com portos preparados para abastecer combustíveis de baixa emissão de carbono (H₂ e derivados, e-fuels, biocombustíveis avançados). O gargalo, disse, é a escala. “O custo segue alto porque a produção e a frota ainda são insuficientes”.


Para romper o ciclo, listou projetos-âncora e lembrou que o transporte de hidrogênio é multimodal — dutos, ferrovia, rodovia e navios — e as embarcações que transportam energia limpa precisam também usá-la. Como referência internacional, citou o Porto de Roterdã e a rota para Gênova.
João P. Santana, por sua vez, defendeu que a transição energética marítima precisa ter uma estratégia multicombustível, combinando diversos combustíveis não fósseis de baixo carbono, e citou o JAQ H1 como prova de viabilidade.
Se é possível fazer num barco deste porte, é possível escalar para navios– afirmou
Para ele, o movimento inaugurado pelo projeto tem caráter pioneiro. “O Ernani está desbravando um território que ninguém conhece; depois a grande massa vai atrás, isso é futuro”.
Para finalizar, o anfitrião Ernani Paciornik, idealizador do JAQ Hidrogênio, destacou o caráter prático e inaugural da iniciativa. “É o início e não tem outra história. Chega de teoria. É hora de praticar. Vamos instalar uma usina menor no JAQ 2, operar e mostrar o caminho”.
Se conseguimos aqui, com apoio da GWM e de parceiros como o Itaipu Parquetec, por que grandes armadores não conseguiriam? O JAQ prova que a transição na navegação é viável e escalável. Vamos acelerar a descarbonização com tecnologia feita no Brasil– concluiu Paciornik
JAQ H1 é uma embarcação-escola, com 36 metros de comprimento. Na fase inicial, apresentada na COP30, toda a hotelaria (iluminação, climatização, cozinha e auditório) está preparada para operar com H₂V.
Na próxima fase, será instalado um motor bicombustível que, com 20% de hidrogênio, vai reduzir em até 80% as emissões de carbono. A terceira fase está prevista para 2027: o JAQ H2, uma embarcação de 50 metros de comprimento que dessalinizará a água do mar para gerar o próprio hidrogênio a bordo, rumo à autossuficiência.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Quase toda a linha do estaleiro preencheu o novo e estratégico espaço da empresa em sua inauguração, nesta quinta-feira (12)
Estaleiro levará 6 lanchas ao salão náutico, com direito a 3 lançamentos exclusivos. Evento acontece na Marina da Glória, de 11 a 19 de abril
Do couro de cogumelo ao bambu, materiais ecológicos aplicados na parte interna das embarcações também contribuem para emissões zero
Em Nazaré, durante etapa da WSL Wave Challenge, Michelle des Bouillons encarou uma onda do tamanho de um prédio de sete andares
Modelo ao estilo “semichato” é uma das grandes novidades do estaleiro, que apresentará ainda outras 8 embarcações no evento




