Como acelerar a descarbonização da navegação? Painel do JAQ Hidrogênio debateu estratégias

Diretor de Tecnologia do Itaipu Parquetec, mentora de Mobilidade a Hidrogênio da SAE Brasil e diretor de Meio Ambiente do Porto de Paranaguá discutiram o tema

13/11/2025
Ernani Paciornik, João P. Santana, Monica Saraiva Panik, Cila Schulman e Alexandre Leite. Foto: GWM / Ala Johnes / Divulgação

O primeiro barco-escola 100% movido a hidrogênio já tem deixado seus ensinamentos enquanto é apresentado na COP30, em Belém (PA). Nesta quarta-feira (12), o auditório do JAQ H1 foi o palco para especialistas discutirem estratégias de transição energética para o setor naval.

O painel “Combustíveis alternativos na indústria naval”, mediado por Cila Schulman, CEO do JAQ, teve como pauta central a resposta para a pergunta: como acelerar a descarbonização da navegação com corredores verdes?

JAQ H1. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Para isso, o debate reuniu Alexandre Leite, diretor de Tecnologia do Itaipu Parquetec; Monica Saraiva Panik, mentora de Mobilidade a Hidrogênio da SAE Brasil; e João P. Santana, diretor de Meio Ambiente do Porto de Paranaguá. Juntos, eles ainda levantaram pontos como a escala para reduzir custos do H₂ e uma logística multimodal que integre produção, armazenagem e abastecimento a bordo.

 

Alexandre Leite abordou sobre a coerência climática, quando comentou que “não faz sentido falar em exportar hidrogênio verde usando navios movidos a combustíveis fósseis”.


Ele ressaltou ainda que o mercado náutico tem potencial para puxar essa virada, do lazer ao transporte marítimo, desde que haja investimento continuado, lembrando que o Itaipu Parquetec produz H₂V há mais de 12 anos e que a binacional “absorve 36 vezes mais carbono do que emite”.

 

Na sequência, Monica Saraiva Panik defendeu a criação de corredores verdes marítimos, com portos preparados para abastecer combustíveis de baixa emissão de carbono (H₂ e derivados, e-fuels, biocombustíveis avançados). O gargalo, disse, é a escala. “O custo segue alto porque a produção e a frota ainda são insuficientes”.

JAQ H1. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Para romper o ciclo, listou projetos-âncora e lembrou que o transporte de hidrogênio é multimodal — dutos, ferrovia, rodovia e navios — e as embarcações que transportam energia limpa precisam também usá-la. Como referência internacional, citou o Porto de Roterdã e a rota para Gênova.

 

João P. Santana, por sua vez, defendeu que a transição energética marítima precisa ter uma estratégia multicombustível, combinando diversos combustíveis não fósseis de baixo carbono, e citou o JAQ H1 como prova de viabilidade.

Se é possível fazer num barco deste porte, é possível escalar para navios– afirmou

Para ele, o movimento inaugurado pelo projeto tem caráter pioneiro. “O Ernani está desbravando um território que ninguém conhece; depois a grande massa vai atrás, isso é futuro”.

 

Para finalizar, o anfitrião Ernani Paciornik, idealizador do JAQ Hidrogênio, destacou o caráter prático e inaugural da iniciativa. “É o início e não tem outra história. Chega de teoria. É hora de praticar. Vamos instalar uma usina menor no JAQ 2, operar e mostrar o caminho”.

Se conseguimos aqui, com apoio da GWM e de parceiros como o Itaipu Parquetec, por que grandes armadores não conseguiriam? O JAQ prova que a transição na navegação é viável e escalável. Vamos acelerar a descarbonização com tecnologia feita no Brasil– concluiu Paciornik

JAQ H1 é uma embarcação-escola, com 36 metros de comprimento. Na fase inicial, apresentada na COP30, toda a hotelaria (iluminação, climatização, cozinha e auditório) está preparada para operar com H₂V.

 

Na próxima fase, será instalado um motor bicombustível que, com 20% de hidrogênio, vai reduzir em até 80% as emissões de carbono. A terceira fase está prevista para 2027: o JAQ H2, uma embarcação de 50 metros de comprimento que dessalinizará a água do mar para gerar o próprio hidrogênio a bordo, rumo à autossuficiência.

 

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