Futuro verde: como os interiores dos barcos podem contribuir para uma navegação sustentável

Do couro de cogumelo ao bambu, materiais ecológicos aplicados na parte interna das embarcações também contribuem para emissões zero

13/03/2026
Sustentabilidade já é vista como tendência em iates. Foto: Gerain0812/ Envato (imagem ilustrativa).

O mercado náutico segue em constante evolução e, mais do que nunca, navega rumo a um futuro sustentável. Se antes a madeira nobre e o couro exótico eram prioridades na hora de decorar a parte interna de qualquer barco, hoje a tendência aponta para materiais recicláveis e de baixo impacto ambiental, cada vez mais utilizados não só no Brasil, mas também no mundo.

Conforme revelou a plataforma The Luxury Playbook, focada no mercado de alto padrão, a sustentabilidade emergiu como um pilar fundamental do design de interiores de embarcações e já virou tendência em iates. Aos poucos, os designers estão optando por madeiras de origem responsável, metais reciclados e tecidos sustentáveis para criar interiores elegantes.

Como o interior do barco pode ser mais sustentável?

Um material que tem ganhado cada vez mais relevância é o bambu, presente em diversas embarcações ao redor do globo. Essa alternativa, tida como renovável e de rápido crescimento, tem sido utilizada em pisos e armários devido à sua durabilidade e apelo estético.

Famoso megaiate Nirvana é composto de materiais sustentáveis, como bambu e calcário. Foto: Oceanco/ Divulgação

Outro recurso que vem crescendo no mercado, principalmente nos iates de luxo, é o couro ecológico (também chamado de “couro biodegradável”), que oferece boa durabilidade com menor impacto ambiental. Juntam-se a ele outros materiais que vêm ganhando força, como:

  • Couro de cogumelo: cultivado em laboratório a partir de fungos, parecido com couro animal, mas 100% biodegradável;
  • Couro de abacaxi: feito das fibras das folhas do abacaxi e aplicado em estofados de luxo;
  • Couro de cacto: altamente resistente à abrasão e aos raios UV, algo essencial no ambiente marítimo;
  • Couro de maçã ou uva: feito com as sobras da indústria de sucos e vinhos.

Embora materiais como o famoso mármore natural, o granito e o quartzo sejam amplamente admirados por sua estética e durabilidade, outras opções mais sustentáveis já estão sendo implementadas e consomem menos energia, como é o caso das pedras artificiais de vidro reciclado e compósitos de resina.

Couro de cacto utilizado nos interiores de embarcações. Foto: Desserto/ Divulgação

Quando se fala em sustentabilidade, até os mínimos detalhes fazem a diferença. O algodão orgânico, por exemplo, é macio, respirável e suave ao toque, ideal para roupas de cama, cortinas e estofados do barco. Isso porque as fibras naturais promovem a circulação do ar, responsável por manter as cabines frescas.

O algodão orgânico (como o da imagem) é uma boa pedida para um interior mais sustentável. Foto: Sea Imporium/ Divulgação

Um material antigo que voltou à cena é o cânhamo. Além da boa durabilidade, ele oferece uma estética texturizada, sendo uma ótima alternativa para capas de assento, tapetes ou detalhes decorativos. Tanto o cânhamo quanto o algodão não carregam produtos químicos agressivos, o que reduz as toxinas no meio ambiente.

Cânhamo costuma ser aplicado nos projetos da Greenboats, que produz barcos totalmente sustentáveis. Foto: Greenboats/ Divulgação

Impacto positivo e carbono negativo

Mais do que só neutralizar o carbono, algumas alternativas ainda o eliminam da equação. Nesse caso, os produtos utilizados emitem quantidades negativas de carbono e compensam emissões em vez de adicioná-las. Isso já pode ser visto, por exemplo, em soluções para piso, que trocam a tradicional teca por cortiça reciclada, o próprio bambu ou PVC reciclado.

 

Esse é o caso da DUE Brasil, representante da Bolon no Brasil, empresa que revestiu o piso do JAQ H1 — embarcação movida a hidrogênio verde apresentada na COP30, em Belém (PA). Para revestir os interiores do barco, a marca aplicou 250 m² de material sustentável e que não agride o meio ambiente.

Revestimentos da Bolon aplicados no JAQ H1. Foto: Geovani Pantoja / Revista Náutica

De acordo com a empresa, o revestimento instalado corresponde a um impacto climático de -50 kg de CO2e (dióxido de carbono equivalente). Isso significa que os 250 m² aplicados no JAQ H1 retiram 50 kg de CO2 da atmosfera. Em termos simples, o resultado equivale a evitar as emissões de um carro rodando de São Paulo ao Rio de Janeiro ou ao carbono que duas árvores adultas absorvem em um ano.

Embarcação JAQ H1 Explorer, do Grupo Náutica, foi anunciada na COP30. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Os pisos Bolon são produzidos na Suécia com PVC reciclado e de origem biológica, matérias-primas de zero impacto climático. Todo o processo de produção utiliza 100% de energia renovável e garante que os produtos tenham, em média, um impacto de -0,2 kg CO2e/m², conforme explica a marca.

 

Além disso, o produto se destaca por ser versátil, visto que pode ser utilizado em vários espaços de uma embarcação, como cabine de comando, quartos e até mesmo na parede — isso sem contar as incontáveis paginações possíveis.

Revestimento da Bolon no JAQ H1. Foto: Geovani Pantoja / Revista Náutica

A participação no JAQ H1 não é um case isolado da empresa na colaboração por um mundo mais sustentável. Essa, na verdade, já é uma tradição da marca. Isso porque a Bolon vem transformando resíduos em design desde 1949, com pisos tecidos a partir de material descartado e desenvolvidos com base na Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) completa.

“Now Copper” foi utilizado na cabine de comando do JAQ H1. Foto: Bolon/ Divulgação

Tudo isso, claro, alinhado à estética, com mais de 100 modelos em linha de diferentes propostas e estilos impactantes. São designs com cores e texturas variadas, com direito a parcerias com designers famosos, como Patrícia Urquiola e Rosita Missoni. Na prática, a sustentabilidade agrega impacto ao barco — sem abrir mão da beleza.

 

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