JAQ H1: barco a hidrogênio vai representar o Brasil na COP30 e promete um novo futuro para as águas
Após quase cinco décadas de uma atuação ímpar no setor náutico brasileiro, Ernani Paciornik está próximo de levar uma solução revolucionária, feita no Brasil, para o mundo. O JAQ H1, barco movido 100% a hidrogênio, será apresentado na COP30, em Belém (PA), no próximo domingo (9). Além de sustentável, a embarcação deve atuar como um laboratório flutuante para pesquisa científica, educação ambiental e desenvolvimento comunitário nos biomas.
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A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima é um dos encontros mais importantes do mundo quando o assunto são ações globais de combate ao aquecimento do planeta. Neste ano, o encontro que reúne quase 200 países será celebrado em solo brasileiro. É neste cenário que o JAQ H1 passará a ser conhecido globalmente.


A embarcação de 36 metros representa a primeira fase do projeto JAQ Hidrogênio, que será lançado com as suas operações (hotelaria) utilizando o poder da molécula. Porém, durante o evento, por uma questão logística, a embarcação funcionará com baterias de lítio, tecnologia também de zero emissão de carbono, mantendo a proposta de navegação limpa e sustentável.
A iniciativa ainda englobará, em 2027, o JAQ H2, de 50 metros, 100% autossuficiente. As dimensões do projeto refletem um trabalho que começou há quase 50 anos de um jeito muito diferente: com um barco quebrado.
Após 5 décadas de paixão pelas águas, nasce um projeto que promete mudar o mundo
No final da década de 70, o empresário curitibano Ernani Paciornik planejava expandir a sua pequena gráfica e adquirir uma nova impressora. No entanto, em vez de retornar com o equipamento, voltou com um veleiro.
Mal sabia ele que a decisão marcaria o início de uma trajetória que, quase cinco décadas depois, culminaria na criação de um projeto inédito no mundo com o seguinte propósito: produzir grandes barcos de exploração autossuficientes, movidos a hidrogênio verde.


A história de Ernani Paciornik é a de um homem cuja vida tem sido, desde o início, guiada por uma vontade interna que sempre apontou para a água. A sua relação por meio da vela, da navegação e de atividades como mergulho para desbravar culturas e os biomas brasileiros sempre o fascinou.
A compra do veleiro pode até ter vinda por impulso, mas, muito antes, sua história já apontava para as águas. Tanto é que, em 1967, ainda aos 13 anos, adquiriu um barco que mais quebrava do que navegava.
Acho que minha vontade de estar no mar nasceu da teimosia de fazer meu primeiro barco funcionar– relembrou
A teimosia se transformou em propósito. Antes de se tornar “o rei dos mares” — como ele, inclusive, não gosta de ser chamado, mas reconhece pelo papel que exerce e por ser referência no setor náutico —, Paciornik já demonstrava que a consciência ambiental era um tema relevante e indispensável.
No início de sua carreira, em 1981, começou a escrever uma coluna sobre ecologia em sua recém-lançada “Revista Mar”, que se transformou em Revista Náutica e, atualmente, é líder em comunicação especializada no setor.
Posteriormente, se envolveu em causas emblemáticas, como as campanhas pela limpeza e navegabilidade de um dos rios mais poluídos do país, o Tietê, e apoiou a fundação de movimentos de conservação como o SOS Mata Atlântica.
Em 1998, a partir de uma iniciativa de Paciornik, surgiu uma parceria de sucesso com o icônico cartunista Ziraldo (in memoriam). Juntos, criaram a campanha “Só jogue no mar o que o peixe pode comer”, distribuindo mais de 170 mil peças por ano em locais como Angra dos Reis.


A ação gravou na consciência de uma geração a mensagem da preservação marinha através do traço inconfundível do criador do “Menino Maluquinho”.
Ziraldo vibrava com a campanha. Todo mundo gostava de ter o adesivo no barco– recordou Ernani sobre a aliança
Em paralelo, outros pilares do setor iam nascendo. Com a criação dos eventos Boat Shows, Paciornik fomentou o mercado e estabeleceu uma vitrine para toda uma indústria, conectando consumidores e fornecedores, fortalecendo a produção nacional e democratizando o acesso às águas — desafiando o paradigma de que a náutica é um universo restrito a poucos.


Foi por meio de suas inúmeras jornadas de exploração aos biomas brasileiros e comunidades ribeirinhas, porém, que ele percebeu que barcos e compradores não bastavam.
Paciornik entendeu que era fundamental a acessibilidade para fomentar o turismo náutico. Assim, ele investiu na base ao trazer modernas tecnologias de infraestrutura náutica ao país e incentivar regiões a desenvolverem acessos a embarcações as quais são, em suas palavras, “o motor, o catalisador do mercado”.


Foi a confluência de todas essas jornadas — o explorador, o ativista, o visionário, o empreendedor, o comunicador e o apaixonado pelas águas e pelos biomas brasileiros — que o levou à sua busca mais recente.
Após décadas dedicadas a aproximar as pessoas das águas, a pergunta que o sondava era: como navegar de forma verdadeiramente consciente? A resposta começou a tomar forma em suas análises do mercado marítimo e ao observar, na região de Angra dos Reis, deslocamentos de embarcações para exploração em plataformas de petróleo.
Paciornik passou a pesquisar como usar embarcações para contribuir com o planeta e com economia, sem impactos negativos ao meio ambiente e, quem sabe, que pudesse utilizar a própria água como combustível: a chamada economia do mar.
Em 2020, ele decidiu adquirir uma dessas embarcações, utilizadas em plataformas de petróleo, para entender as suas particularidades técnicas. Quando pôde acompanhar uma comitiva de cientistas e tecnólogos internacionais que estudavam o uso do hidrogênio, a ideia, enfim, se materializou. Desenvolver embarcações movidas a hidrogênio verde virou sua nova missão de vida.
Paciornik orquestrou uma aliança com visionários, unindo a expertise científica da Itaipu Parquetec, a potência industrial da GWM, a relevância de ações sustentáveis e de consumo da Heineken e do Café Orfeu, a excelência em design brasileiro da Artefacto e a engenharia da MAN para dar forma ao JAQ Hidrogênio.
O projeto culminou na embarcação JAQ H1, de 36 metros, que será apresentada ao vivo para o mundo na COP30, em Belém.


A embarcação, projetada para ser um laboratório flutuante de pesquisa e educação nos biomas do Brasil, é a síntese da vida de Ernani Paciornik: a teimosia do jovem consertando o seu primeiro barco, a convicção do ativista lutando por rios limpos, a criatividade do comunicador e a visão do empreendedor que construiu um setor.
Sua bússola agora aponta para um horizonte onde a navegação coexiste com a natureza e a serve ativamente. Durante a COP30, haverá ainda o anúncio das fases do projeto JAQ Hidrogênio, que culminará em 2027 com o sucessor, o JAQ H2, de 50 metros, 100% autossuficiente e que produzirá seu próprio hidrogênio a partir da água salgada. Para Ernani, este é o início de um novo capítulo da história de amor e de respeito pelas águas.
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