Setor náutico cresce no Brasil, mas falta mão de obra qualificada; veja áreas em alta

Com frota perto de 1 milhão de embarcações, mercado amplia oportunidades em áreas técnicas, operacionais e de serviços

22/06/2026
Foto: seventyfourimages / Envato

De acordo com um levantamento anual realizado pela Marinha do Brasil, neste ano, o país deve atingir a marca de 1 milhão de embarcações registradas. O desenvolvimento vem acompanhado por uma alta geração de empregos, especialmente pelos processos manuais e detalhistas que envolvem a cadeia náutica. Por outro lado, o mercado carece de profissionais qualificados.

Bianca Colepicolo, especialista em turismo náutico e coordenadora do Fórum Náutico Paulista, destaca que o crescimento da frota náutica gera uma cadeia de oportunidades muito maior do que a maioria das pessoas imagina. “Cada embarcação precisa ser fabricada, vendida, transportada, guardada, segurada, abastecida, mantida e operada”, explica.

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Segundo ela, isso significa um aumento da demanda por profissionais em diferentes frentes da cadeia náutica, que vão desde áreas técnicas, como mecânica de motores, elétrica embarcada, laminação e reparos estruturais, capotaria e estofamentos, até segmentos ligados à operação e aos serviços, como marinas e garagens, logística, seguros e tecnologia embarcada.

 

Além disso, o crescimento do setor também impulsiona oportunidades em áreas comerciais e de experiência, como vendas e corretagem de embarcações, turismo náutico e operação de barcos.

O mercado náutico possui uma característica interessante: ele movimenta empregos industriais, técnicos, turísticos e de serviços ao mesmo tempo– detalha Colepicolo

Apesar de tudo isso, a escassez de profissionais é reconhecida por todo o setor há anos, conforme destaca Eduardo Colunna, presidente da Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos (Acobar). “A falta de qualificação técnica já é um dos principais limitadores para o crescimento do setor”, explica.


Para Colepicolo, esse déficit é resultado de três fatores principais: o crescimento acelerado da frota náutica, que avançou mais rápido do que a formação de profissionais; a percepção histórica do setor como um mercado de nicho, o que por muitos anos limitou a oferta de cursos especializados; e a renovação insuficiente da mão de obra, já que muitos profissionais experientes estão próximos da aposentadoria, enquanto poucos jovens ingressaram nessas carreiras técnicas.

O resultado é um cenário bastante favorável para quem busca qualificação– aponta

Profissionais qualificados encontram oportunidades

Enquanto muitos mercados já estão saturados ou com um futuro incerto — vide o desenvolvimento de tecnologias como a Inteligência Artificial (IA) —, o náutico ainda carece de profissionais qualificados, logo, pode ser uma boa opção para quem busca desenvolver uma carreira profissional.

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Bianca Colepicolo aponta que o setor reúne três características raras: crescimento, especialização e baixa concorrência profissional, além de estar ligado à inovação, ao turismo, ao lazer, à indústria e à economia azul — uma das grandes tendências globais das próximas décadas.

O jovem que ingressa hoje no mercado náutico pode construir carreira como técnico, gestor, empreendedor ou especialista, encontrando oportunidades tanto no Brasil quanto no exterior– detalha

Foi justamente a necessidade de ampliar a capacitação de profissionais que motivou o Fórum Náutico Paulista, com o apoio da Acobar, a criar programas de capacitação em parceria com a Fatec Jahu e o Centro Paula Souza.

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Atualmente, a instituição fornece cursos nas áreas de capotaria, eletricista náutico, gestor de garagens, laminação náutica e mecânica de motores de popa. Para ela, são “excelentes áreas para considerar”, especialmente porque abrangem os segmentos onde existe maior demanda por mão de obra especializada.

São áreas em que o conhecimento técnico gera valor imediato para o mercado– pontua

Entre elas, Colepicolo destaca a mecânica de motores de popa como uma das mais promissoras, já que praticamente toda embarcação motorizada depende desse tipo de manutenção.

 

A área de elétrica náutica também ganha relevância diante da crescente complexidade dos sistemas embarcados, que incluem GPS, radares, sonares e bancos de baterias. Já a laminação é essencial para a construção e reparo de cascos, enquanto a capotaria atende uma demanda constante por toldos, capas e estofamentos, além de abrir espaço para o empreendedorismo.

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A gestão de marinas e garagens, por sua vez, acompanha a expansão da infraestrutura náutica e prepara profissionais para administrar esse crescimento.

 

A especialista reforça ainda que há uma percepção limitada sobre o setor. “Muitas pessoas associam o mercado náutico apenas a barcos de luxo. Isso é um equívoco”, afirma. Segundo ela, a cadeia náutica é muito mais ampla e gera empregos para mecânicos, eletricistas, soldadores, operadores, gestores, profissionais de turismo, designers, engenheiros, vendedores, marinheiros, especialistas ambientais e empreendedores.

 

“À medida que o Brasil amplia sua infraestrutura náutica, desenvolve o turismo náutico e aumenta sua frota, a necessidade por profissionais qualificados tende a crescer ainda mais”, destaca. Para Colepicolo, nesse cenário, a qualificação profissional desponta hoje como uma das maiores oportunidades para quem deseja ingressar em um setor em expansão e com forte potencial de geração de renda.

 

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