Sem placas: “pele solar” transforma teto de lanchas em fonte de energia no mar

Tecnologia da Riviera Yachts gerou aproximadamente 10 kWh por dia em um barco de 58 pés, segundo a marca

17/06/2026
"Pele solar" implementada no teto rígido da lancha. Foto: Riviera Yachts/ Divulgação

Para quem achava que as placas solares já eram o ápice da tecnologia sustentável em uma embarcação, o estaleiro australiano Riviera trouxe uma solução ainda mais avançada e, acima de tudo, otimizada. Agora, a maioria das lanchas da marca possuem um novo tipo de “pele solar”, integrada no teto rígido ainda durante a fase de moldagem da construção.

A novidade, desenvolvida em parceria com a especialista em energia solar Praxis, foi anunciada em abril deste ano e abrange os modelos da marca que variam de 39 a 78 pés. Diferentemente dos painéis rígidos tradicionais montados sobre estruturas de alumínio, a nova “pele solar” possui uma camada solar ultrafina de nanocompósito que fica sobre o teto rígido.

Foto: Riviera Yachts/ Divulgação

Segundo a marca, todas as camadas visíveis são visualmente transparentes, com a camada de 2 mm acompanhando a curvatura do teto e da superestrutura, maximizando o espaço útil de forma orgânica em toda a embarcação.

Este é um avanço significativo em muitos aspectos e com inúmeros benefícios, desde a sustentabilidade até a melhoria da experiência de navegação– disse Rodney Longhurst, presidente da Riviera

Por mais imperceptível que seja a pele solar, o resultado é evidente quando levamos em conta o espaço da embarcação. De acordo com a Riviera, as lanchas com este recurso produzem 120% mais energia com cerca de 90% a mais de cobertura de superfície em comparação com instalações convencionais.

 

Além disso, os painéis são 85% mais leves do que os sistemas de cobertura tradicionais e foram construídos com materiais que combinam com a própria estrutura de compósitos do barco, garantindo durabilidade contra sal, calor, movimentos em alto mar e impactos.

Há também a preocupação com a estética. Não à toa, ele foi produzido com uma aparência mais uniforme do que os painéis solares clássicos, justamente para seguir o padrão da lancha.

A integração da energia solar tinha que atender aos mesmos padrões estruturais e estéticos do próprio barco– explica Dan Henderson, diretor de design e engenharia da Riviera

A cobertura é descrita como “totalmente impermeável e praticamente inquebrável” e está disponível em acabamentos fosco, brilhante ou antiderrapante, afirma a Riviera.

Foto: Riviera Yachts/ Divulgação

O revestimento solar agora está incluído como opcional para os novos iates a motor Riviera, com projetos personalizados sendo finalizados para toda a linha.

Como funciona na prática?

De acordo com a Riviera, a pele solar já foi instalada em alguns modelos de barcos e testado por clientes. A primeira lancha que apresentou este revestimento foi a esportiva 6800 Yacht Platinum Edition, embarcação de 73 pés que foi recentemente entregue no sul da Austrália.

6800 Sports Yacht Platinum Edition foi o primeiro a apresentar o revestimento. Foto: Riviera Yachts/ Divulgação

Conforme relata em seu site oficial, durante uma longa travessia que durou de Queensland até Adelaide, o modelo manteve os sistemas de bordo em funcionamento, incluindo equipamentos de navegação, refrigeração, iluminação e sistemas de controle digital.

 

Outra instalação recente de 1,8 kW, na Nova Zelândia, a bordo de uma 58 pés, gerou aproximadamente 10 kWh por dia, confirma o estaleiro. O volume de energia aumentou significativamente o tempo de permanência ancorado sem a necessidade de acionar o gerador.

Riviera 58, outro iate da Riviera que possui a tecnologia da “pele solar”. Foto: Riviera Yachts/ Divulgação

Nas Ilhas Maurício, um barco a motor esportivo equipado com um banco de baterias de fosfato de ferro-lítio expandido conseguiu ficar até três dias fora da rede elétrica sem ligar um gerador, garante a Riviera.

 

Outro proprietário relata ter operado o ar-condicionado por mais de um dia e meio utilizando apenas energia solar armazenada. Como um todo, a pele solar sobre o teto rígido entrega menos horas de funcionamento do gerador, menor consumo de diesel e custos operacionais significativamente reduzidos, principalmente com combustível.

Os esforços pioneiros criaram uma solução engenhosa para reduzir a dependência de nossos barcos em relação à energia gerada ou fornecida pela rede elétrica– resumiu a empresa em comunicado

 

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