Crioula confirma tetracampeonato na Semana de Vela de Ilhabela com campanha perfeita

Atual tricampeão da classe ORC, TP52 venceu as nove regatas que disputou na 53ª SIVI e fechou a semana com mais um título em Ilhabela

01/08/2026
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

O Crioula 52 chegou atrasado à 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela, perdeu a tradicional regata Alcatrazes por Boreste, enfrentou problemas logísticos e ainda teve de lidar com danos provocados pela tempestade que atingiu a ilha durante a semana. Nada disso, porém, impediu a equipe de confirmar o favoritismo.

Neste sábado (1º), o veleiro comandado por Eduardo Plass conquistou o tetracampeonato da classe ORC na maior competição de vela oceânica da América Latina. A campanha teve peso de domínio: o Crioula disputou nove regatas e venceu as nove.

Sameul Albretch, velejador olímpico e tático do Crioula. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Em entrevista à NÁUTICA após o título, Samuel Albrecht, tático do Crioula e velejador olímpico, fez um balanço da semana e destacou a complexidade da operação.

 

“A logística é preparar dois barcos para competir: um na Europa, um aqui. Chegamos atrasados e depois fomos tendo alguns percalços durante a semana. Nosso bote de apoio deu problema, depois veio a tempestade e rompeu parte do barco. Mas a tripulação foi incansável em trabalhar, e a gente estava muito focado”, afirmou.

Do atraso ao tetra

O Crioula não participou da regata de abertura, a Alcatrazes por Boreste, disputada no domingo (26). A ausência aconteceu porque parte da equipe vinha de compromissos na 52 Super Series, em Lanzarote, na Espanha, competição encerrada na véspera da abertura da SIVI.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Com isso, os atuais tricampeões começaram a Semana de Vela em desvantagem. Mas, como o regulamento permite o descarte do pior resultado, a equipe precisava ser praticamente impecável nas regatas seguintes. Foi exatamente o que aconteceu.

Acabamos perdendo a regata Alcatraz. Foi um campeonato maravilhoso, com boas regatas, nas mais variadas condições de vento. Velejamos com sul no canal, com leste lá fora, vento mais fraco, vento mais forte, e a gente desempenhou muito bem– disse Albrecht

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Segundo o tático, o grupo entrou na reta final com um objetivo claro.

Estávamos muito focados em conquistar esse tetracampeonato na Semana de Vela de Ilhabela. Então a gente finaliza com chave de ouro, com mais uma vitória. Tetracampeões– comemorou

Nove regatas, nove vitórias

A confirmação do título veio em um sábado de domínio absoluto. O Crioula venceu as três regatas do dia e fechou a campanha com aproveitamento perfeito nas provas que disputou.

Hoje nós vencemos as três regatas do dia. Nós corremos nove regatas e vencemos as nove regatas– resumiu Samuel

O desempenho reforça o status do TP52 como o barco a ser batido na ORC brasileira. Ainda assim, Albrecht vê a classe em um bom momento, especialmente pelo equilíbrio entre os demais competidores.

A ORC está vivendo um bom momento no Brasil. A gente viu a classe Soto 40 com diversos barcos e resultados bem parelhos. Em um minuto de regata tem às vezes seis, sete, oito barcos. Isso mostra que está bem equilibrada a disputa– avaliou

Competindo contra si mesmo

Apesar do equilíbrio entre os concorrentes, o Crioula costuma velejar à frente do pelotão. Por isso, segundo o tático, o desafio da equipe passa menos por um duelo direto e mais pela busca constante por performance.

A gente veleja muito sozinho na água, então não tem um adversário direto. A gente compete contra nós mesmos. Temos que andar nos números do barco, fino, com velocidade, sempre tentando abrir dos barcos menores pela questão do rating– explicou

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Na ORC, barcos de diferentes tamanhos competem com um sistema de handicap, que corrige os tempos ao fim das regatas. Na flotilha, segundo Samuel, os veleiros variam de cerca de 30 pés até os 52 pés do Crioula.

Existe um sistema de handicap, que é a ORC, e ele equaliza esses tempos no final da regata– detalhou

Um TP52 de elite

Além da experiência da tripulação, o barco também ajuda a explicar o domínio. O Crioula é um TP52 construído na Itália, no estaleiro Persico, com projeto de Rolf Vrolijk. Segundo Samuel, a classe passou por muitos anos de evolução, até atingir um nível de refinamento técnico difícil de superar.

A classe TP52 veleja há muitos anos. Foram otimizando muito os projetos, os barcos foram afinando muito. Cada geração saía com um detalhe melhor. Chegou um ponto, de 2015 para cá, que os barcos já não conseguem evoluir mais– disse

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

O Crioula usado no Brasil é de geração 2015. A equipe também mantém outro TP52 na Europa, de geração 2011, o que torna a operação ainda mais complexa.

A gente vem com muitas horas em cima de um TP52. Vem treinando muito, viajando muito, com um calendário intenso na Europa e aqui no Brasil. Isso realmente nos coloca em um nível de competição alto– afirmou Albrecht

53ª SIVI

A 53ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela aconteceu de 24 de julho a 1º de agosto, reunindo mais de 125 veleiros em seis classes. A edição marcou o crescimento da competição, teve recorde de participação estrangeira e consolidou Ilhabela mais uma vez como um dos principais palcos da vela oceânica no Brasil.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

No caso do Crioula, a semana começou com atraso, passou por obstáculos e terminou com um recado claro aos adversários: o cinturão da ORC segue com o tetracampeão.

A gente está bem contente de poder concretizar essa aventura inteira– concluiu Samuel

Com informações de Gilberto Ungaretti, enviado especial a Ilhabela.

 

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