Dragon Ball? Conheça a origem do nome e os segredos do Kameha Meha, bicampeão da Semana de Vela
Veleiro que disputa a categoria Clássicos é um dos principais competidores do torneio e carrega particularidade no nome que poucos imaginam


Mais difícil do que atingir o topo, é se manter nele. Bicampeão da categoria Clássicos na Semana de Vela de Ilhabela (2024 e 2025), o Kameha Meha tem uma origem inusitada e segredos mais ainda. Mas, afinal, quais são os caminhos para continuar competitivo no cenário da vela?
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Quem explicou à NÁUTICA foram os velejadores Alberto Kunath e Edmar Moraes, dois dos oito sócios-proprietários do barco. Democraticamente (ou seja, a decisão da maioria prevalece), todos fazem parte da gestão do Columbia 43, construído em 1970 nos Estados Unidos pelo estaleiro homônimo.


Como se fosse uma sociedade, o modelo de gerenciamento funciona da seguinte forma: cada sócio tem uma responsabilidade (financeiro, patrocínio, “governador” do barco e parte técnica do veleiro) e pagam um valor fixo mensal para evitar conflitos financeiros. Assim, a arrecadação é sempre superior aos gastos, conforme contou Kunath.


No entanto, os segredos para a constância no topo não se resumem apenas a gestão. De acordo com os sócios, o Kameha Meha passou por poucos donos até eles o adquirirem, mas ainda tinha um grande desafio: torná-lo competitivo, digno de disputar a Semana de Vela de Ilhabela.
Para transformar um barco clássico em um competidor de ponta, foram realizadas reformas estruturais profundas. Uma delas envolveu o sistema de velas, que passou por uma modernização completa, reduzindo de três para dois estaios de proa e reconfigurando a genoa para melhorar o ângulo de orça (limite máximo de aproximação da proa em direção ao vento).


Na prática, a melhora é que o barco consegue velejar mais próximo da direção do vento, tornando a navegação de contravento mais eficiente graças ao fluxo de ar mais eficiente nas velas.
Essa mudança transformou o barco num modelo mais competitivo– afirmou Edmar
Além disso, outra grande reforma vital passou pela manutenção crítica na quilha, incluindo a troca de todos os parafusos, com o principal objetivo de aumentar a segurança para navegações longas, como em Fernando de Noronha (PE), por exemplo.
A alma de um barco é a quilha– destacou Edmar
Mudança que dá resultado
Segundo a avaliação da equipe, as mudanças técnicas surtiram efeito. Isso porque o Kameha Meha é o atual bicampeão da Semana de Vela de Ilhabela na categoria Clássicos (2024 e 2025), que correm na Fórmula BRA-RGS. Para disputar essa classe, o barco precisa ter sido projetado até 1979.
Este ano está extremamente competitivo, mas a gente não jogou a toalha ainda. Tem bastante coisa ainda para acontecer nos próximos dias– disse Alberto
Mais do que uma competição de vela, o torneio é descrito por Edmar como uma união entre “terra e mar”, onde o desfile dos barcos pelo píer permite que o público sinta, acima de tudo, a atmosfera da Semana de Vela de Ilhabela.


Alberto ainda destacou a integração da SIVI com a comunidade local, pois muitos dos velejadores da 53ª edição são da própria cidade. “Eles viram esses veleiros há 15/ 20 anos atrás, se interessaram, entraram na Escola Municipal de Vela e agora estão velejando — e às vezes até comandando esses barcos, ganhando campeonatos”, ressaltou Kunath.
De onde vem o nome Kameha Meha?
Atenção fãs de Dragon Ball: o nome do barco não tem nenhuma ligação com a famosa animação japonesa, no qual o Kamehameha é um dos golpes mais poderosos da trama. No desenho, o personagem junta energia (ki) pelas mãos e dispara um raio explosivo.


No entanto, o nome do barco faz menção ao Kamehameha I, unificador e primeiro rei das ilhas havaianas, que fundou o Reino do Havaí em 1795 e se tornou o único governante do arquipélago em 1810 após a vassalagem de Kauai.
Tem nada a ver com Dragon Ball que as crianças acreditam que seja. Mas a gente faz essa brincadeira com eles– explicou Moraes fazendo o gesto do golpe


Inclusive, o veleiro nunca teve outro título senão esse. É o mesmo desde a sua fabricação. Com este nome, o barco participou de duas regatas Cape2Rio ainda nos anos 1970 e teve entre dois ou três donos antes de ser comprado pelos atuais proprietários.
Com informações de Gilberto Ungaretti, enviado especial a Ilhabela.
53ª SIVI
A 53ª edição da Semana Internacional de Vela de Ilhabela acontece de 24 de julho a 1ª de agosto de 2026. Conhecida como o maior evento de barco à vela na América Latina, a competição teve mais de 125 veleiros inscritos para competir em seis diferentes classes.


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