Empresa norte-americana apresenta projeto de lancha de 27 pés com hidrofólio

Por: Redação -
07/05/2021

A estadunidense Navier está montando um programa de adaptação para o seu primeiro hidrofólio totalmente elétrico. A startup do Vale do Silício está introduzindo um novo modelo de negócios para a indústria de iates, acelerando a revolução elétrica na navegação.

A Navier tem construído uma comunidade de entusiastas da navegação elétrica  para impulsionar a adoção de embarcações “limpas” e eficientes através de seu programa. Seu primeiro produto é o Navier 27, uma embarcação elétrica, com hidrofólios, propulsão elétrica e recursos de autonomia avançados.

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Desde o anúncio do Navier 27, a empresa teve um resultado muito positivo em relação ao lançamento, o que provocou uma grande demanda no mercado. Como resultado desse número de entusiastas, a startup desenvolveu o “Programa Pioneiro”, que permite que as pessoas reservem uma vaga antecipada para as futuras unidades da embarcação de sucesso.

“O objetivo é reunir um pequeno grupo de pioneiros e começar a construir uma comunidade que está ansiosa para promover novas inovações na indústria náutica “, disse o cofundador e CEO, Sampriti Bhattacharyya.

“Embora estejamos trabalhando duro para disponibilizar o Navier 27 para todos, nossos espaços de construção para 2023 são muito limitados. Este programa é nossa maneira de priorizar nossos primeiros apoiadores e entusiastas, antes do lançamento total para o mercado mais amplo. Esses clientes serão incluídos em nosso desenvolvimento inicial, experimentarão os primeiros testes de mar e serão capazes de fornecer feedback direto à Navier”.

Reo-Baird-Sampriti-Bhattacharyya.
Reo Baird e Sampriti Bhattacharyya, os fundadores.

O programa é apenas para convidados, por enquanto, e é voltado para navegadores apaixonados por tecnologia. Como a embarcação possui produção limitada para 2023, o “Programa Pioneiro” foi a melhor alternativa encontrada pela Navier para priorizar os apoiadores.

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Além de tudo, ele ainda permite à Navier formar uma conexão direta com o consumidor. Também evidencia os primeiros passos da startup no desenvolvimento de uma tecnologia com o objetivo de aumentar radicalmente a eficiência de pequenas lanchas em 90%, garantindo emissões zero e uma experiência de passeio superior. Um outro objetivo (a longo prazo) é proporcionar transporte hidroviário eficiente e limpo para o público em geral.

A empresa vem trabalhando com com especialistas da America’s Cup, e os primeiros clientes terão a chance de dar uma espiadinha para entender o que é necessário para construir “o barco do futuro”.

navier 27

“Estou muito emocionado em anunciar que algumas pessoas excepcionais, incluindo tecnólogos e empresários que são grandes entusiastas do oceano, já fazem parte do grupo Pioneer para impulsionar o futuro da navegação sustentável”, acrescentou Bhattacharyya.

O “Programa Pioneiro” é uma oportunidade de tempo limitado. Assim que estiver completo, a Navier abrirá reservas para 2024, dessa vez, para um público mais amplo. No entanto, um depósito de 1 000 dólares é necessário para a reserva.

A embarcação promete viagens sem ruídos ou poluição, tecnologia de estabilização aeroespacial, acoplamento preciso do joystick assistido por sensor, piloto automático avançado, alertas de perigos e check-in antecipado na embarcação através de aplicativo.

navier 27

O proprietário pode escolher entre duas versões: cabinada ou aberta. São 27 pés, ou seja, 8 metros, velocidade de foiling entre 18 e 30 nós, propulsão através de 2 motores de 50 KW e capacidade para 10 passageiros.

Por Naíza Ximenes, sob supervisão da jornalista Maristella Pereira.

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    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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