Ainda dá tempo? Crioula larga atrás, mas se recupera e segue confiante no tetra da Semana de Vela

Atual tricampeã, equipe não participou do primeiro dia de regatas, mas já soma quatro vitórias e lidera parcial da categoria ORC

31/07/2026
Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

O começo não foi dos melhores. No primeiro dia de regatas da Semana Internacional de Vela de Ilhabela, neste domingo (26), o badalado Crioula 52, atual tricampeão da classe ORC, não chegou a tempo de disputar as corridas e viu seus concorrentes, literalmente, largarem na frente. No entanto, os donos do cinturão ainda não jogaram a toalha e avisam: “queremos mais um”.

Em entrevista à NÁUTICA, o atleta olímpico, medalhista dos Jogos Pan-Americanos de 2019 e tático do veleiro Samuel Albrecht, conhecido como Samuca, contou os bastidores por trás do desfalque e compartilhou que a chama de levar mais um troféu para casa segue acesa.

Sameul Albrecht, velejador olímpico e tático do Crioula. Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Sobre o atraso, ele explica: “estávamos disputando a 52 Super Series, em Lanzarote (Espanha) e perdemos a primeira regata (Alcatrazes por Boreste).” A competição europeia se encerrou no dia 25 de julho, o que acabou causando problemas na logística do Crioula. E, para buscar a desvantagem, eles teriam que ser impecáveis em Ilhabela — e estão sendo.

Deixaram chegar…

O sistema adotado mundial pela World Sailing — Low Point System (Sistema de Baixa Pontuação) — segue na Semana de Vela de Ilhabela: quantos menos pontos, melhor é a colocação na regata. Por exemplo:

  • 1º lugar = 1 ponto;
  • 2º lugar = 2 pontos;
  • 3º lugar = 3 pontos;
  • 4º lugar = 4 pontos;
  • E assim por diante.

Logo, na primeira regata, como não disputaram, ficaram abaixo da última colocação, somando 12 pontos (são 11 equipes na ORC). No entanto, o regulamento prevê que a pior nota pode ser descartada e não entrar na classificação final. Claro, é isso que eles fizeram.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Desde então, eles correram quatro regatas e o desempenho foi impecável: primeiro lugar em todas — ou seja, somaram apenas um ponto, o mínimo possível. Com isso, o Crioula já ocupa a liderança da categoria, com quatro pontos a menos que o segundo colocado Onda, de Eduardo Souza Ramos, de acordo com a última parcial da 53ª SIVI.

Estamos correndo atrás da máquina para fazer bons resultados e, quem sabe, estar na disputa pelo título. Esse é o nosso grande objetivo– destacou Albrecht

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Inclusive, não há vento — ou falta dele — que assuste a embarcação e seus tripulantes. Samuel, responsável pelas decisões estratégicas e leitura das condições da raia, destaca que o barco é um competidor de elite, bem sólido e que performa perfeitamente com vento fraco, médio e forte.

É só a gente velejar bem e fazer o nosso trabalho que as coisas tendem a acontecer bem– ressaltou o tático

Ele enfatiza que o resultado é fruto de uma sinergia: enquanto o tático escolhe o caminho, a tripulação foca na velocidade e na execução das manobras. “É esse trabalho em conjunto que faz com que o resultado apareça”, completou.

Foto: Victor Santos/ Revista Náutica

Sendo assim, o recado está dado: largar atrás não é problema para os atuais tricampeões. No que depender deles, o cinturão da vela oceânica não mudará de dono tão cedo. Eles ainda são a equipe a ser batida.

 

Com informações de Gilberto Ungaretti, enviado especial a Ilhabela.

53ª SIVI

A 53ª edição da Semana Internacional de Vela de Ilhabela acontece de 24 de julho a 1ª de agosto de 2026. Conhecida como o maior evento de barco à vela na América Latina, a competição teve mais de 125 veleiros inscritos para competir em seis diferentes classes.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

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