Quatro gerações da mesma família duelam na raia da Semana de Vela de Ilhabela
Família Umbuzeiro disputa a 53ª SIVI com trio de embarcações que carregam o mesmo nome e uma história que atravessa gerações


Tão tradicional quanto a Semana de Vela, que chega à sua 53ª edição em 2026, é a participação da família Umbuzeiro no evento. E, se o sobrenome não soar tão familiar, o nome dos barcos que a família coloca na água, com certeza, soará: Inaê. Neste ano, três veleiros com este nome de batismo levam cerca de 30 pessoas para as águas da disputa.
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Na RGS Cruiser está o Inaê I, comandado por Bayard Umbuzeiro Filho, de 86 anos. Bayard Umbuzeiro Neto (63) desponta na ORC, à frente Inaê Soto40, enquanto Beto Umbuzeiro (48), seu irmão, comanda o Rainha Inaê na classe BRA RGS. De fato, trata-se de uma família que vê nos nomes a sua forma de dar continuidade aos legados.


A relação da família com o mar é profunda e remonta a 1968, quando se sagraram campeões da Copa Ilhabela de Caça Submarina, um evento histórico de pesca e mergulho livre organizado pelo Yacht Club de Ilhabela (YCI) à época — daí o grande sailfish no logo do clube. A transição para a vela foi natural, mas traz raízes mais sólidas que o vento. Tudo começou de forma artesanal com um barco Laser de madeira construído por Bayard Umbuzeiro, pai de Bayard Filho e avô dos irmãos Bayard Neto e Beto.
Tudo começou, verdadeiramente, com o avô deles, o meu pai, um construtor naval amador que fez muitas embarcações– explicou Bayard filho
Nasce o primeiro Inaê
A história da equipe “Inaê”, por outro lado, teve seu primeiro marco em 1998, quando a família adquiriu o primeiro barco próprio, um Carabelli 32, após terem tido a experiência de patrocinar o famoso ILC 30 Curupira, detentor de vários títulos na vela, como a Regata Santos-Rio (1998) e a própria Semana de Vela de Ilhabela (2000).


Beto explica que, a partir daí, a família foi evoluindo seus barcos, passando por modelos melhores e mais otimizados, com Bayard Neto se aprofundando nas regras e conseguindo otimizar os veleiros para obter resultados positivos.
Hoje o Inaê é conhecido na costa brasileira inteira, não só na vela oceânica como na pesca oceânica– destacou Beto
Uma família do mar
Bayard Neto é comodoro da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO) e a pessoa à frente do Inaê Soto, um Soto 40 de alta performance adquirido em 2022. Irmão mais velho, ele conta que começou a velejar com o pai há mais de 30 anos. E, assim, mais essa tradição surgiu: a de navegar em família — e com os amigos.
Hoje os Umbuzeiros se dedicam tanto à organização do esporte, através da ABVO, quanto às competições com seus próprios barcos. A tripulação no Inaê Soto, por exemplo, é formada por 10 amigos que não são profissionais da vela, mas velejam e treinam juntos há muitos anos. Já no Inaê I estão as esposas, sobrinhos, netos e toda família. De acordo com Neto, juntos, os três barcos (entra na conta o Rainha Inaê) somam cerca de 30 pessoas na 53ª SIVI.
Estamos disputando e incomodando um pouco a galera mais antiga, mais experiente, mais profissional que veleja na SIVI– brincou Bayard Neto
Hoje, essa paixão já faz parte do DNA, e promete seguir alcançando as futuras gerações dos Umbuzeiros. Não à toa, o filho de Beto, Luca, e o bisneto de quatro anos de Filho, já estão sendo incluídos nos esportes náuticos.
Com informações de Gilberto Ungaretti, enviado especial a Ilhabela.
53ª SIVI
A 53ª edição da Semana Internacional de Vela de Ilhabela acontece de 24 de julho a 1ª de agosto de 2026. Conhecida como o maior evento de barco à vela na América Latina, a competição teve mais de 125 veleiros inscritos para competir em seis diferentes classes.


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