Circulação do oceano Atlântico não deve entrar em colapso neste século, aponta estudo

Por: Vand Vieira -
28/03/2025

Primeiro, uma notícia muito boa: parte do sistema global de correntes oceânicas, a Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês), provavelmente não entrará em colapso neste século.

Mas por que isso é tão positivo? Porque o padrão de circulação de águas quentes (superfície) e de águas frias (profundezas) cumpre um papel essencial na manutenção da vida marinha e na regulação da temperatura do planeta — a AMOC, basicamente, transporta calor e nutrientes para várias partes do mundo.

Oceano Atlântico
Águas do oceano Atlântico. Foto: Envato/lucigerma

Publicado recentemente na revista Nature, o estudo que levou a essa projeção foi feito por cientistas do Met Office (serviço nacional de meteorologia do Reino Unido) em parceria com pesquisadores da Universidade de Exeter, na Inglaterra.

 

O artigo, inclusive, vai de encontro à previsão de um grupo de especialistas da Dinamarca, que em meados de 2023 saiu no mesmo veículo de comunicação. Na época, eles praticamente cravaram que a AMOC colapsaria até 2095.

A má notícia sobre a circulação do Atlântico

Infelizmente, britânicos e dinamarqueses concordam que o aquecimento global já está interferindo negativamente na AMOC. Isso ocorre, por exemplo, devido à grande quantidade de água doce que tem chegado ao Atlântico com o derretimento das calotas polares.

 

De maneira resumida, essa água doce altera a temperatura e a salinidade da água do Atlântico, fazendo-a perder densidade. Com isso, a circulação termohalina é prejudicada — nesse processo, a água do Atlântico afunda e impulsiona a corrente.


A intensificação dos ventos sobre o oceano Antártico também tende a impactar essa dinâmica, principalmente porque afeta a troca de calor e o movimento nas águas superficiais.

 

“Embora nosso estudo indique que um colapso nos próximos 75 anos seja improvável, a AMOC deve enfraquecer, o que trará desafios climáticos para a Europa e outras regiões”, alerta Jonathan Baker, cientista do Met Office e principal autor do estudo.

 

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