Terra perdeu 273 bilhões de toneladas de gelo por ano desde 2000

Volume de geleiras derretidas é capaz de encher quase 300 mil piscinas olímpicas por dia

13/03/2025
Geleiras no Oceano Ártico, registrado pelo satélite Sentinel-2 em setembro de 2017. Foto: Copernicus Sentinel 2017/ Reprodução

Um estudo liderado pela Universidade de Zurique trouxe vários dados preocupantes sobre o derretimento das geleiras a nível global. Segundo a pesquisa, as grandes massas de gelo perderam cerca de 5% de seu volume total desde 2000, com algumas regiões da Europa Central perdendo até 39%.

Numa avaliação global sem precedentes, os cientistas concluíram que, ao todo, as perdas equivalem a 273 bilhões de toneladas de gelo por ano, de 2000 a 2023. Além disso, houve um aumento de 36% na taxa de derretimento em comparação à última década (2000 até 2011).

Foto: Galyna_Andrushko/ Envato

Portanto, há diferenças na quantidade de gelo derretida. Na Antártica aconteceu uma redução de “apenas” 2%, enquanto nos Alpes a diminuição na massa de gelo chegou a 40%. Logo, as regiões com geleiras menores estão perdendo-as mais rapidamente — e muitas nem sequer sobreviverão até 2100.

 

Toda essa perda global ao longo deste século é o equivalente ao consumo de água da população mundial pelos próximos 30 anos.

Situação alarmante

Importantes reguladores climáticos, as geleiras fornecem água doce a bilhões de pessoas. Além disso, elas são consideradas indicadores das mudanças climáticas em andamento, e dessa vez não é diferente. Estes números são reflexos do aumento das temperaturas globais ligadas às emissões de gases de efeito estufa.

Foto: Galyna_Andrushko/ Envato

Logo, o derretimento acelerado das geleiras pelo mundo causa preocupações sobre o aumento do nível do mar em nível exponencial — e mais rápido que o esperado — somado ao potencial esgotamento de fontes cruciais de água doce para bilhões de pessoas, principalmente durante as estações secas.

Além disso, a pesquisa traz outro número nada bom: por conta do aumento do derretimento de geleiras, o nível do mar subiu 1,8 cm desde 2000. E, de acordo com estudos recentes, o degelo poderá acelerar até o final do século, o que reforça a necessidade urgente de medidas.

Foto: estivillml/ Envato

Atualmente, a perda de massas das geleiras é cerca de 18% maior do que a diminuição da camada de gelo da Groenlândia, e mais do que o dobro da camada de gelo da Antártica.

 

O estudo foi realizado com uma equipe internacional de pesquisadores por meio do projeto GlamBIE, que permitiu uma compreensão mais precisa das tendências regionais e da variabilidade anual do derretimento. A pesquisa está publicada na revista científica Nature.

Chocado sim, surpreso não

Michael Zemp, coautor do artigo e professor da Universidade de Zurique, descreveu as descobertas como “chocantes”, apesar dos números não lhe causarem surpresa, principalmente ao considerar o aumento contínuo das temperaturas globais.

Imagem das geleiras nas Montanhas Chugach do Alasca, registrada pelo satélite Sentinel 2 em outubro de 2017. Foto: Copernicus Sentinel 2017/ Reprodução

Inclusive, o derretimento das geleiras é agora o segundo maior fator para o aumento do nível do mar, perdendo apenas para a expansão térmica da água do mar à medida que ela esquenta.

 

Pode parecer pouco, mas o 1,8 cm de elevação da água já foi suficiente para colocar quase quatro milhões de pessoas em risco de inundações em regiões costeiras. Para Zemp, a perda de gelo terá implicações significativas para o suprimento de água doce, particularmente em regiões dos Andes Centrais e Ásia Central.

Uma frota de satélites utilizados para monitorar geleiras. Foto: ESA, NASA e Planetary Visions/ Divulgação

Segundo Martin Siegert, professor da Universidade de Exeter — que não participou do estudo — , o crescente degelo está acontecendo seis vezes mais rápido do que há 30 anos. Dessa forma, quando as camadas começarem a mudar, o impacto no nível do mar poderia ser medido em metros, e não mais em centímetros.

 

A esperança é conseguirmos frear o fenômeno com os avanços na tecnologia — essa mesma que hoje possibilitou, com ajuda dos satélites, rastrear mudanças de 275 mil geleiras no mundo.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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