Em 2005, dois jovens sobreviveram 7 dias à deriva no mar; um deles comeu 100 águas vivas para sobreviver
Troy Driscoll e Josh Long preparavam uma pescaria na Carolina do Sul (EUA) quando foram arrastados por uma corrente de retorno


O ano de 2005 foi marcado por alguns acontecimentos importantes, como a morte do Papa João Paulo 2º e o primeiro vídeo publicado no YouTube. Mas em 24 de abril daquele ano, teve início uma história que viria a ganhar as manchetes nos Estados Unidos: dois adolescentes ficariam perdidos no mar por sete dias — tendo, inclusive, que se alimentar de águas-vivas.
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Para Troy Driscoll, de 15 anos; e Josh Long, de 17, ambos estudantes da Carolina do Sul, aquele domingo começou como um outro qualquer. O clima, inclusive, era de tédio, típico do dia que precede a segunda-feira — até Troy sugerir uma pescaria.


Ousados, os dois pegaram um barco precário, sem velas e sem motor, de apenas 4,5 metros, e partiram para Sullivan’s Island, um famoso ponto de pesca da região. Naquele momento, eles sequer imaginavam que começaria, ali, uma saga que duraria sete dias.
Logo nos primeiros minutos no mar a dupla foi arrastada por uma corrente de retorno. “Queríamos colocar o barco entre a praia e um banco de areia, mas não tínhamos ficado nem 20 minutos na água quando a correnteza nos arrastou para fora”, detalhou Josh em entrevista à revista People, em maio de 2005.


O cenário, a partir dali, só piorou. Após uma tentativa frustrada de lançar âncora, os dois passaram a se afastar cada vez mais. Os acenos, eram em vão — ninguém na costa notou os pedidos de ajuda. Aos poucos, até as torres que guiam os navios de carga foram se perdendo de vista.
Ao anoitecer, não conseguíamos ver nada. Na manhã seguinte, não havia terra à vista. Tudo o que podíamos fazer era rezar– relembrou Josh Long ao veículo
Ilhados — e despreparados
Sem celular, rádio ou nenhum outro equipamento de segurança, o que era para ser uma simples pescaria ganhou contornos trágicos. O primeiro pedido de ajuda veio somente por volta das 22h daquele dia, quando os pais, preocupados, acionaram a Guarda Costeira.
Os agentes, então, iniciaram as buscas com o auxílio de barcos e helicópteros. Ainda assim, ao longo de três dias de busca, ainda não havia sinal deles. O roteiro dessa trama se encaminhava para um desfecho trágico.
Enquanto isso, na água, os amigos mantinham-se vivos, ainda que nas mais adversas circunstâncias. Não havia água para beber e tampouco comida. Aos poucos, atitudes antes inimagináveis começaram a parecer aceitáveis dentro daquelas circunstâncias.
Prato principal: 100 águas-vivas
Josh Long relembrou que a distância da costa era tamanha que a água ficou cristalina, “tal qual um refrescante Gatorade azul”. “Troy me implorou: ‘por favor, me deixe beber só um pouquinho’. Eu disse: ‘Se você beber, você vai morrer'”, recordou.
Para matar a sede, o jovem revelou que chegou a lamber a água do convés depois de uma garoa, quando “abrir a boca para pegar as gotas” não foi o suficiente. Já para saciar a fome, a atitude foi ainda mais impressionante.
Eu estava com tanta fome que comi uma água-viva e esperei a noite toda para ver se ela me mataria. Não matou. Eu comi umas 100– revelou Josh
Troy, por outro lado, sentia ainda mais os efeitos da falta de hidratação. Além de ter alucinações, o garoto cogitava cortar um dedo para matar a fome, conforme lembrou Josh. “Em um momento, ele disse: ‘Por favor, me ajude a sair daqui ou me mate’. E eu disse: ‘Não posso fazer isso’.”
Salvos pelo gongo
Embora diversas equipes de resgate tenham sido mobilizadas para encontrar os garotos, a salvação acabou vindo de dois pescadores. Os homens encontraram os jovens no dia 30 de abril, sete dias após aquele domingo — inicialmente — tedioso.
Eles estavam à deriva a 178 quilômetros (111 milhas náuticas) do local de onde haviam partido, a 11 quilômetros (sete milhas) do Cabo Fear, extremo sul da Carolina do Norte.
Conforme nos aproximávamos, vi pessoas acenando e, para minha surpresa, eram dois jovens em um pequeno barco. Um deles gritava: ‘Graças a Deus!’– relembrou à época o pescador Ben Degutis, de 70 anos, à People
Após o resgate, os adolescentes foram levados ao hospital. Josh Long havia perdido 13,6 kg, enquanto Troy Driscoll precisou ficar internado por três dias devido a queimaduras de segundo grau no rosto e nos pés. Também à People, o pai de Troy revelou que reencontrar o filho foi “como se ele tivesse nascido de novo”. “A alegria que senti no coração foi imensa”, disse ele.
Já os garotos, após resgatados, pensavam em colocar em prática um plano que tiveram ainda à deriva: se encontrar para tomar “o maior sundae que você pode imaginar”. Em atualizações relatadas entre 2015 e 2016, ambos relataram que a experiência mudou suas perspectivas de vida — sem afetar seu apreço pelo mar e pela pesca.
Saiba identificar e sair de uma corrente de retorno
A corrente de retorno é uma das principais causas de afogamento nas praias. Trata-se de um fluxo estreito e rápido de água que se forma quando a água empurrada pelas ondas de volta à praia encontra um “corredor” para retornar ao mar. Esse movimento forma um canal de repuxo em direção ao alto-mar e cava uma espécie de valeta na areia, deixando aquele trecho mais fundo e muito mais difícil de sair.


Elas costumam ser identificadas a partir de um ponto no mar em que a água é mais escura, menos ondas se quebram e a espuma é puxada para dentro. No Instagram, o guarda-vidas De Freitas compartilha dicas para aproveitar os dias de praia em segurança. Sobre as correntes de retorno, ele explica que a pior decisão ao se deparar com uma é nadar em direção à areia, o que aumenta o cansaço e acelera o risco de afogamento.
Segundo ele, a decisão mais assertiva é manter a calma, flutuar por alguns segundos para recuperar o fôlego e nadar para um dos lados até alcançar o banco de areia. Confira a demonstração:
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