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Por: Redação -
29/02/2016
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O Grupo Azimut-Benetti, com matriz na Itália e unidade de produção brasileira, participou do Miami Boat Show 2016, que aconteceu de 11 a 15 de fevereiro nos Estados Unidos. Vinte e um modelos de 10 a 63 metros foram apresentados, entre eles, a Azimut 42, fabricada exclusivamente no Brasil. Com posição  consolidada no mercado, a marca divulga um valor de produção de 680 milhões de Euros, um aumento de 11% nos dois últimos anos, e investimentos de mais de 100 milhões de Euros nos últimos 3 anos.

Da frota apresentada, dois foram lançamentos nas Américas. Ambos tem 21 metros de comprimento e apresentam estilos diferentes de navegação. O primeiro é o italiano de longas distâncias Azimut Magellano 66, enquanto o segundo, a Azimut 66, é parte da coleção Flybridge, um ícone em termos de construção e tecnologia construído pelo estaleiro. Além disso, destaque também para a exposição da Azimut 42. Construída exclusivamente pela unidade de produção brasileira, o modelo é apresentado pela terceira vez nos Estados Unidos e conquista cada vez mais os norte-americanos.

Também no boat show norte-amerciano, foi anunciado o novo projeto do Grupo Azimut-Benetti. A esportiva e agressiva Azimut Verve 40, com três motores fora de borda de 350 hp. A fabricação do inovador modelo já iniciou na unidade de produção brasileira e as primeiras unidades devem ser finalizadas já no segundo semestre deste ano.

No boat show, Benetti apresentou a Crystal 140’M/Y “Mr. D”, um iate de 42 metros ao publico norte-mericano pela primeira vez e outra de suas obras de arte, a famosa FB265, “II.II”.

O Grupo Azimut-Benetti continua a implementar a expansão de sua gama com 21 novos modelos planejados para os próximos 3 anos, 14 da Azimut Yachts e 7 Benetti.

São 3 áreas de pesquisa e desenvolvimento:

– Novos processos inovadores de construção com materiais que incluem fibra de carbono e GRP juntamente com alumínio.

– Pesquisas para alta eficiência dos cascos, como o D2P – Displacement to Planning e o casco Dual Mode introduzido na Coleção Magellano.

– Sistemas de transmissão POD para entregar performance otimizada em diferentes comprimentos, tipos de iates e estilos de navegação.

Para essas inovações, pesquisas extensas têm sido desenvolvidas para otimizar a produção através de um crescente e sofisticado processo de engenharia, no sentido de integrar alta tecnologia industrial com o típico processo artesanal italiano, reconhecido mundialmente pela sua excelência.

Crescimento em vendas

A chave do sucesso é a renovação constante, como demonstram os resultados de vendas divulgados para os novos modelos Azimut 72 e Azimut Magellano 66, todos esgotados, e para a Azimut Atlantis 43, com 72 unidades vendidas nos últimos 12 meses.

O Grupo Azimut Benetti registrou um crescimento de 11% no valor da produção, que subiu para 680 milhões de euros em 2014-15. Esses resultados são confirmados pela liderança do Grupo nos últimos 16 anos de funcionamento no ranking mundial de novos iates em construção de mais de 24m  (2016 Global Order Book publicado pela ShowBoats). A marca Azimut Yachts contribuiu significativamente para esse crescimento, com o aumento do volume de negócios que deverá ultrapassar 300 milhões de euros este ano, o que representa uma melhoria de 23% em uma base de três anos e uma produção anual de um total de 300 unidades.

O estaleiro Benetti acrescenta outro recorde ao total, este no segmento Gigayacht, com quatro unidades de mais de 90 metros de comprimento em construção no estaleiro de Livorno, Itália, e se tornando líder na construção de Gigayachts na Itália.

Expansão comercial

No plano comercial, o Grupo reforçou a sua rede de vendas no Canadá através da assinatura de dois novos concessionários, elevando o total para três. No Brasil, firmou recentemente acordo com novo revendedor na Bahia, somados aos representantes das demais regiões do país, além do início da expansão para os demais países da América Latina como Colômbia, Paraguai e Uruguai coordenada pela unidade brasileira. Também tem sido forte o crescimento das vendas no México, como resultado da política de expansão da rede de concessionários lançada há dois anos.

Tudo isso demonstra a importância do mercado americano, no qual o estaleiro italiano consolida não só a sua posição de liderança ano após ano, mas também o seu papel como um embaixador da excelência construtiva italiana.

Foto: Divulgação

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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