Catar: conheça o Dhow, barco milenar típico da região

Antigamente usada para pesca de pérolas, embarcação possui linhas elegantes, longas e finas

17/11/2022

O Catar, sede da Copa do Mundo 2022, é um dos países mais ricos do mundo, graças à exploração de petróleo e gás. Mas nem sempre foi assim: até a primeira metade do século 20, este era um dos territórios mais pobres do Golfo Pérsico, que vivia do comércio de pérolas e da pesca, usando um tipo de barco batizado de Dhow.

 

Neste braço de mar no coração do Oriente Médio, o povo da região utilizava o barco milenar em suas atividades pesqueiras, por seu porte e excelente capacidade de carga. O Dhow é tão marcante para a história do povo catariano que um estádio da Copa tem desenho inspirado no barco.

Reprodução: Marhaba Qatar

Para os historiadores ainda há uma certa dúvida acerca da invenção do Dhow, mas estima-se que ele surgiu em 600 d.C., criado pelos árabes ou pelos indianos.

 

Movido com velas latinas, o Dhow tem casco diferenciado, com linhas elegantes, longas e finas, e pode ter até dois mastros. Eles são vistos no Catar, no Mar Vermelho e no Oceano Índico. Pelo seu tamanho, estima-se que a tripulação variava de 12 até 30 pessoas.

 

A região de Sultanato, em Omã, abriga uma concentração de construtores deste tipo de embarcação. Atualmente, todos os modelos novos já são equipados com potentes motores, capazes de movimentar o peso de mais de 300 toneladas da embarcação.

Reprodução: Sail World

As madeiras usadas na construção dessa embarcação típica geralmente vinham de Kerala, na Índia. Para mantê-las conservadas, os navegadores usavam cordas de coco.

Reprodução: Hideaways Africa

Para atrair mais turistas, hoje os países do Golfo usam os Dhows para passeios turísticos, como cruzeiros ao pôr do sol e jantares exclusivos.

 

Regatas com este tipo de embarcação também acontecem na região, divididas em três categorias: 22, 43 e 60 pés. Realizados em meados de maio e setembro, os torneios aceitam apenas competidores árabes e dos povos que vivem próximo ao Golfo.

Reprodução: Zanzibar Yacht Carter

 

 

Por Felipe Yamauchi, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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