Capital do agronegócio do Brasil busca novos rumos com o Fórum de Turismo
Sorriso, localizada no coração do Mato Grosso e conhecida como a Capital Nacional do Agronegócio, deu um passo estratégico em direção ao turismo ao realizar, em novembro, um Fórum de Turismo.
Por que o turismo é importante para o setor náutico?
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Em uma cidade que ostenta uma taxa de crescimento populacional de 20% ao ano e um impressionante aumento de 582,6% no PIB nominal na última década, surge uma pergunta intrigante: o que o maior produtor mundial de soja busca com o desenvolvimento turístico?


Embora o turismo de negócios já seja uma realidade consolidada na região, com uma ocupação hoteleira média de 80% nos dias úteis, o município vê no turismo de lazer um novo horizonte para diversificar suas atividades.
A turismóloga Tatiane Fernandez, ao apresentar cases de sucesso de agroturismo em Israel e Goiás, destacou o potencial de Sorriso em explorar novas facetas do turismo, aproveitando o cenário agrícola e o contato direto com o campo.
A ideia é ampliar a ocupação hoteleira e as atividades turísticas para os finais de semana, mas, curiosamente, essa expansão não é vista como uma necessidade econômica urgente.


Papel do Turismo no Fortalecimento da Identidade Local
Em lugares onde o desenvolvimento urbano e econômico é acelerado, como Sorriso, o turismo oferece benefícios que vão além da simples geração de emprego e renda.


Ele pode melhorar a qualidade de vida da população ao fomentar o sentimento de pertencimento e fortalecer uma identidade local, aspectos importantes para uma cidade que atrai pessoas de diferentes regiões.
Esse senso de comunidade e valorização das características regionais, além de proporcionar segurança e estabilidade social, também auxilia na preservação do meio ambiente.
A Vocação Náutica e o Potencial Hídrico da Região
Integrante da região turística “Portal do Agronegócio”, que abrange também os municípios de Sinop (sede), Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Tapurah, Nova Ubiratã, Santa Carmem, Cláudia, Juína e Porto dos Gaúchos, Sorriso possui um rico cenário natural, marcado pelas bacias dos rios Amazonas e Paraguai.


Rios como o Araguaia, Xingu, Juruena e Teles Pires oferecem um ambiente propício para o turismo náutico e a pesca esportiva, segmentos que a Instância de Governança Regional (IGR) vê como subutilizados, mas com grande potencial para crescer.
Sinop, por exemplo, um dos municípios da região, já vem se despontando no turismo com a Pesca Esportiva. Banhada pelo rio Teles Pires, que tem 1.370 quilômetros de extensão entre os Estados de Mato Grosso e do Pará, e com lagos formados a partir da instalação de uma usina hidrelétrica, o local se revela uma iciofauna riquíssima.


São dezenas de espécies encontradas na região como, por exemplo, a Matrinxã, que é conhecida como salmão de água doce por causa da sua carne rosada, o gigante Tucunaré, além de Pacu, Tambaqui, Trairão, Bicuda, Cachorra, Cachara e Pirarucu.
Rumo a um Equilíbrio entre Riquezas Naturais e Econômicas
Para a região do Portal do Agronegócio, criar um ambiente propício para o desenvolvimento do turismo, especialmente o turismo náutico, é mais do que uma estratégia de negócio; trata-se de buscar um equilíbrio sustentável que integre as riquezas da terra e da água.


Ao aliar lazer e consciência ambiental, Sorriso visa valorizar ainda mais os recursos naturais locais, oferecendo descanso e diversão para os trabalhadores do agronegócio que atuam intensamente para alimentar o país e o mundo.
Assim, o Fórum de Turismo não só marcou o início de uma nova era para Sorriso, mas também ressaltou o compromisso da cidade em diversificar suas vocações e explorar o turismo como uma forma de enriquecimento cultural e ambiental, buscando sempre valorizar e preservar suas raízes e recursos naturais.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.
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