Revolução de um trilhão de dólares: como a nova regra da IMO pode posicionar o Brasil no centro da indústria naval mundial
Com as rigorosas metas da IMO para a indústria naval, Brasil pode trazer uma nova solução ao transporte marítimo. Projeto JAQ H1 será revelado na véspera da COP30


Uma contagem regressiva foi iniciada em função de um mandato regulatório em discussão e que, quando formalizado, terá o poder de transformar a economia do transporte marítimo. As rigorosas metas de descarbonização da Organização Marítima Internacional (IMO) devem ser oficializadas ainda em 2026 e entrar em vigor a partir de 2028, exigindo cortes anuais na intensidade de carbono. Para uma indústria responsável por 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, a mudança poderá ser uma obrigação — e uma oportunidade inédita para o Brasil, que já prepara sua resposta com o projeto JAQ H1, a ser revelado na véspera da COP30.
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Com este mandato em vigor, uma diretriz ambiental se transforma em uma revolução financeira por conta das penalidades. Quando as normas forem confirmadas, navios que não cumprirem as metas enfrentarão multas que podem chegar a US$ 380 por tonelada de CO2 emitida acima do limite permitido. Para a frota global, isso é um passivo estimado em mais de um trilhão de dólares, uma força que torna obsoletos os modelos de negócios baseados em combustível pesado e de baixo custo.


A questão que agora domina o setor é saber qual tecnologia vencerá a corrida para se tornar o destaque da nova frota global. Enquanto os gigantes internacionais testam soluções com metanol e amônia, uma resposta ousada e pragmática será lançada em Belém, no Pará, na véspera da COP30, dia 9 de novembro: o projeto JAQ Hidrogênio.
A iniciativa carrega a missão de produzir barcos autossuficientes movidos 100% a hidrogênio. Na véspera da COP30, será apresentado o JAQ H1, navio de 36 metros pronto para operar com sistemas internos movidos a hidrogênio verde. Em razão da complexidade logística temporária, específica para o abastecimento de H2V em Belém no período da COP 30, a operação será 100% elétrica com baterias de lítio e “zero emissões”, mantendo o sistema H2V intacto, pronto para operação e para ser apresentado ao público.
O projeto JAQ Hidrogênio é formado por um grupo de empresas de peso no setor náutico e idealizado pelo Grupo Náutica, coordenado de perto pelo presidente Ernani Paciornik, entusiasta que trabalha a mais de 50 anos em soluções de sucesso no setor.
Ernani uniu sua expertise com a potência em energia renovável da Itaipu Parquetec, a força industrial da chinesa GWM e a validação tecnológica de engenharia naval da alemã MAN no projeto. Além deles, outros nomes de peso apoiam e implementam iniciativas sustentáveis como Heineken, Café Orfeu e Artefacto. Juntos, formam um ecossistema projetado para a viabilidade.
O custo de produção do hidrogênio verde ainda é um obstáculo significativo. No entanto, o custo da tecnologia de eletrólise está em queda livre, com projeções indicando uma redução de até 70% na próxima década. Mais importante, o cálculo do ROI não pode mais ignorar o custo crescente da não conformidade com as regras da IMO que, apesar das formalizações finais terem sido adiadas, devem ter início da implantação por volta de 2028-explica Ernani Paciornik


O JAQ H1, atualmente em fase final de testes no estaleiro Inace, em Fortaleza, se prepara para sua premiere global. Projetado para ser um “laboratório flutuante” para pesquisas e educação ambiental, sua missão estratégica é provar a confiabilidade e a segurança da tecnologia de hidrogênio.
Além disso, Paciornik adianta que a COP30 também trará a confirmação das próximas fases do projeto e inclusive do barco JAQ H2, sucessor do pioneiro que será lançado em breve. A irmã caçula é uma embarcação de 50 metros com previsão de conclusão em 2027 e uma missão imponente: operar de forma 100% autossuficiente. “Para uma indústria que enfrenta a escassez de infraestrutura de abastecimento de hidrogênio, esta solução de transição será a resposta que o mercado procura”, completa o executivo.
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