Eles buscavam vestígios do Endurance, mas encontraram “vizinhança” inusitada na Antártica
Quando se fala em natureza, mesmo quando já se espera uma surpresa, ela consegue se superar. Foi o que aconteceu com cientistas que buscavam vestígios do Endurance (o navio do explorador Ernest Shackleton, que naufragou em 1915) no Mar de Weddell, Antártica. Eles não encontraram nem rastros do navio, mas se depararam com um grande sinal de vida, disposto em milhares de ninhos circulares padronizados.
Água do mar ficou vermelha entre praias do RN; entenda o motivo
Elephant Rock: o gigante de pedra que parece sair das águas da Islândia
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
Com o auxílio de um robô subaquático, os pesquisadores puderam constatar que se tratava de uma grande colônia de peixes, situada sob uma antiga plataforma de gelo com 200 metros de espessura.
A colônia chamou atenção dos oceanógrafos pela organização, de modo a parecer uma espécie de “condomínio” subaquático de peixes notie-de-barbatana-amarela (Lindbergichthys nudifrons), conhecidos também como “peixes-rocha”.


Isso porque os mais de mil ninhos possuíam formas circulares e estavam surpreendentemente limpos. Os pesquisadores ainda observaram que cada uma das “casas” dessa vizinhança parecia ser vigiada por um dos peixes — possivelmente o pai —, de modo a proteger os ovos.
Para eles, a organização reflete a estratégia de sobrevivência da espécie, que demonstra na prática a teoria do “rebanho egoísta”, em que indivíduos ao centro de um grupo ganham proteção, enquanto os que ocupam as bordas — geralmente maiores e mais fortes — defendem suas posições.
Não à toa, a descoberta foi descrita em um artigo publicado na revista Frontiers in Marine Science, em que foi considerada um “fenômeno novo e incomum, capaz de redefinir a compreensão sobre ecossistemas antárticos”.
Vale destacar que a descoberta ocorreu durante a Expedição ao Mar de Weddell de 2019, organizada logo após o desprendimento do colossal iceberg A68, em 2017. Com cerca de 5.800 km², o bloco se separou da plataforma de gelo Larsen C, abrindo um corredor natural para pesquisa científica em áreas antes inacessíveis.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Relacionadas
Jovens de 18 a 29 anos poderão concorrer à formação com cursos teórico e prático pagos pela prefeitura
Embarcação de 35 metros era considerada de luxo e exigia ao menos 20 remadores para navegar
Em seus quase 30 metros estão ambientes que fogem do padrão e uma motorização que pode chegar aos 2800 hp
Bioluminescência chegou a Itararé, em São Vicente, no último sábado (6). Registro mostra o brilho se formando de perto
Mastro do barco construído por ele mesmo, com o qual deu 3 voltas ao mundo, era maior que o teto do casarão tombado onde está exposto; veja como foi o processo




