Empresa usa IA para caçar tesouros no fundo do mar e procura “pirata” com salário de até R$ 2,6 milhões
AE Studio quer contratar especialista em navegação e mergulho para recuperar cargas de naufrágios antigos apontados por inteligência artificial em registros coloniais espanhóis


Uma empresa de inteligência artificial abriu uma vaga que parece saída de um filme de aventura: contratar um “pirata” para caçar tesouros no fundo do mar.
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A proposta é da AE Studio, consultoria de software e pesquisa em IA que afirma estar usando inteligência artificial para localizar naufrágios antigos e cargas perdidas. A remuneração pode chegar a US$ 500 mil por ano — o equivalente a quase R$ 2,6 milhões na cotação de agosto de 2026 –, além de participação no projeto e em eventuais riquezas recuperadas.


O plano mistura tecnologia de ponta com um imaginário clássico da navegação. A empresa diz analisar cerca de 80 milhões de páginas de documentos coloniais espanhóis, cobrindo 500 anos de registros náuticos, seguros, rotas marítimas e arquivos de almirantado. A partir desse cruzamento de dados, a IA tenta identificar áreas com maior chance de abrigar navios afundados ainda não descobertos.
Mas há um detalhe: como a própria empresa brinca, “o modelo não nada”. Por isso, a AE Studio procura alguém capaz de transformar pistas digitais em expedições reais no oceano.
O candidato a “pirata” precisa ter ampla experiência no mar, certificações de mergulho e disposição para atuar em locais remotos e condições difíceis. A lista de diferenciais inclui experiência em salvamento de cargas anteriores a 1800, domínio de espanhol, português e holandês, certificações de navegação e até vivência operacional em áreas como Somália, Hormuz ou Malaca.


Apesar do tom bem-humorado da vaga, a missão envolve tarefas complexas: cuidar de permissões, lidar com portos, organizar operações de busca, mergulhar em áreas de risco e enfrentar as incertezas típicas de qualquer expedição marítima.
Entre as áreas citadas pela empresa estão pontos próximos à Flórida, região conhecida por naufrágios espanhóis históricos, além de locais perto de Cartagena, na Colômbia, e da costa da Tanzânia. Uma das referências remete ao entorno do naufrágio do galeão espanhol Nuestra Señora de Atocha, perdido em um furacão em 1622.
A iniciativa mostra como a inteligência artificial começa a avançar também sobre o universo da exploração marítima. Em vez de mapas desenhados à mão, baús enterrados e lendas de taverna, a nova caça ao tesouro parte de bancos de dados, arquivos históricos digitalizados e modelos capazes de encontrar padrões em milhões de documentos.
Ainda assim, a parte mais difícil continua sendo a mesma de séculos atrás: depois que a tecnologia aponta o caminho, alguém precisa encarar o mar.
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