Conheça a história do Barba Negra, um dos mais célebres piratas que já existiu

Entre fósforos acesos no cabelo e saques à colônias, Edward Teach é lembrado até os dias atuais

Por: Redação -
02/01/2025
Foto: North Carolina Museum of History / Reprodução

Ele levou terror pelos mares por apenas três anos (entre 1716 e 1718), tempo suficiente para se converter em um dos mais célebres piratas de sua época, saqueando implacavelmente as colônias inglesas da costa sudeste da América do Norte e do mar do Caribe. Seu nome? Edward Teach, o Barba Negra.

Nascido em 1680, em Bristol, na Inglaterra, Edward servia num navio corsário baseado na Jamaica quando decidiu virar pirata, assumindo a identidade de Barba Negra. Para isso, deixou os cabelos revoltos e a barba crescerem e passou a fazer uso de artifícios psicológicos para adquirir respeito e obter uma rápida rendição de suas vítimas.

Entre outras artimanhas, o pirata usava fósforos acesos emaranhados no cabelo para se envolver em fumaça e cheiro de enxofre. Não por acaso, todos tremiam na base ao ver sua bandeira flamular.

 

A bandeira em questão representava um esqueleto perfurando um coração com uma lança ou, mais provavelmente, um pano preto com uma caveira no centro — o célebre emblema dos piratas.

 

Dentro de seu arsenal de “guerra psicológica”, pouco antes da batalha ele deixava seus marinheiros acenderem detonadores explosivos falsos, que mantinha enfiados sob o chapéu e a longa barba, obviamente preta.

Foto: Queen Anne’s Revenge Project / Reprodução

Em 28 de novembro de 1717, no Mar do Caribe, Barba Negra capturou um navio-negreiro francês chamado Concorde. A embarcação transportava pessoas escravizadas para a Guiana Francesa e estava armada com 14 canhões.

 

Edward descarregou os membros da tripulação e os escravizados que não quiseram juntar-se aos piratas. Então, reforçou o armamento do navio para 40 canhões e rebatizou-o como Queen Anne’s Revenge (“Vingança da Rainha Anne”, em tradução livre) — o famoso QAR.

Foto: Modelo do Queen Anne’s Revenge / North Carolina Museum of History / Reprodução

Era o que faltava para Barba Negra tornar-se uma lenda. Em seu currículo, ele capturou cerca de 140 navios e espalhou terror — sem nunca ser cruel com as tripulações adversárias.

 

Em junho de 1718, o QAR encalhou em um banco de areia na costa da Carolina do Norte. A sorte do pirata Barba Negra parecia ter acabado: seu esplêndido navio estava perdido.

Foto: North Carolina Museum of History / Reprodução

Depois de uma fuga e uma longa perseguição, Barba Negra foi atacado por forças avassaladoras em 22 de novembro. A ofensiva era comandada pelo tenente da Marinha britânica Robert Maynard, que fora enviado pelo governador da Virgínia.

 

Após uma árdua batalha, Barba Negra foi morto em combate. Seu corpo exibia 25 ferimentos, incluindo cinco de tiros. Dizem que sua cabeça decepada foi presa na ponta do gurupés do navio de Maynard, para desencorajar outros saqueadores dos mares.

O que aconteceu com o navio do Barba Negra?

Depois que o pirata Barba Negra morreu, o seu navio QAR foi engolido pelo mar. A embarcação acabou coberta de corais e escondida dos olhos humanos por quase 300 anos. Em 1996, após extensas investigações, o navio do Barba Negra foi finalmente encontrado, na costa da Carolina do Norte.

Foto: Queen Anne’s Revenge Project / Reprodução

Os responsáveis pela descoberta são da Intersal Inc, um grupo de pesquisa privado que opera com permissão do Departamento de Recursos Naturais e Culturais da Carolina do Norte. Os primeiros objetos encontrados foram um canhão e âncoras.


Nos anos seguintes, muitas outras partes do navio do Barba Negra foram descobertas pelo Queen’s Anne Revenge Project, em colaboração com a East Carolina University of North Carolina. Esta associação trata da recuperação, restauração e utilização pelo público do que foi encontrado, e continua a estudar os acontecimentos de três séculos atrás.

 

O objetivo é desenterrar o que sobreviveu à nave de Edward Teach e descobrir o que realmente aconteceu com o QAR. Foi realmente o erro gigantesco de um comandante experiente como o Barba Negra que fez seu amado navio encalhar? De acordo com os últimos estudos publicados pelo arqueólogo Jeremy Borrelli, a resposta é “não”.

Foto: Royal Museums Greenwich / Reprodução

Vale ressaltar que, na época do pirata Barba Negra, as viagens marítimas não eram boas para os cascos de navios de madeira. Bactérias, cracas, parasitas e ondas do mar enfraqueciam as estruturas do barco. Os reparos, então, eram feitos com bainhas de chumbo e pelos de vaca encharcados de alcatrão ou piche para calafetagem.

 

Esses materiais foram encontrados em grandes quantidades nos destroços do navio do Barba Negra, comprovando que o barco não estava em boas condições quando encalhou. Talvez o QAR já estivesse irremediavelmente perdido e Barba Negra estivesse ciente disso.

Na verdade, depois de perder o navio, ele misteriosamente abandonou parte da tripulação para sair em um pequeno barco, com a maior parte do que havia saqueado. Parecia uma manobra bem planejada. Então, quem sabe, pode ser que o tesouro do Barba Negra ainda esteja em algum lugar. Talvez escondido em alguma ilha deserta, dentro de baús esperando para serem encontrados.

 

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    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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