Ernani Paciornik vê setor náutico resiliente apesar de tarifa dos EUA: “A indústria está de vento em popa”
Em entrevista ao Real Time, do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, presidente do Grupo Náutica afirmou que estaleiros brasileiros competem em qualidade no mercado internacional e defendeu atenção contra novos impostos no país


Depois de anos de crescimento, o setor náutico brasileiro enfrenta um cenário mais desafiador, pressionado por juros altos, esfriamento da economia mundial e pela nova tarifa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Ainda assim, para Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica, o momento exige cautela, mas não representa uma crise para a indústria.
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Em entrevista ao Real Time, do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Paciornik afirmou que o setor já enfrentou barreiras maiores e tem capacidade de adaptação.
“Eu acho que são fases que a gente está passando. A gente já teve um tarifaço maior que esse e sobreviveu. Era 50%, agora está em 25%”, disse. Segundo ele, os estaleiros tendem a se ajustar ao novo cenário e buscar caminhos para manter a competitividade.
Tarifa não incide sobre o valor final do barco, diz Ernani
Ao comentar o impacto da tarifa americana, Paciornik ponderou que o percentual não deve ser lido como um acréscimo direto sobre o valor final das embarcações vendidas nos Estados Unidos.


Segundo ele, a cobrança incide sobre a parcela brasileira do produto — como casco e mão de obra — e não sobre componentes, comissões e outros itens agregados no destino, como motores instalados fora do Brasil.
Os 25% não chegam a representar uma grande [alta]. Acaba dando 10%, 12%. Claro que atrapalha, mas o nosso produto já tinha um custo melhor– afirmou
Para o presidente do Grupo Náutica, os barcos brasileiros chegam ao mercado internacional com boa relação entre custo e qualidade. Com a nova tarifa, essa vantagem diminui, mas não desaparece.
Nós já estávamos com um custo bom em relação aos produtos de fora e com uma qualidade muito boa. Acho que a gente só chegou mais perto deles, mas não chegou a assustar– avaliou
Exportações seguem como vitrine internacional
Durante a entrevista, Paciornik lembrou que os Estados Unidos têm peso relevante nas exportações brasileiras de embarcações de lazer, mas destacou que o setor já busca outros mercados há anos.
Segundo ele, os estaleiros brasileiros que exportam não começaram esse movimento agora. A presença internacional da indústria nacional já ocorre há décadas, com barcos brasileiros competindo em diferentes mercados.
A nossa indústria está em formação, é novinha, ainda tem um mar pela frente muito grande– disse
Para Paciornik, a tarifa pode ser mais desafiadora para empresas que ainda não operam dentro de padrões internacionais de qualidade, compliance e competitividade. Já os estaleiros mais preparados tendem a driblar melhor o cenário.
Quando o preço fica equivalente, vale qualidade, vale competência. Para os bons, isso é fácil de driblar– afirmou
Indústria artesanal e geradora de empregos
Paciornik também defendeu que a indústria náutica seja vista como uma cadeia produtiva relevante, especialmente pelo potencial de geração de empregos. Segundo ele, a fabricação de barcos ainda é uma atividade altamente artesanal, com uso intensivo de mão de obra.
Nossa indústria não tem robô fazendo barco. Acho que nem na China, que é o planeta dos robôs, eles fazem barco com robô– afirmou
Para ele, o maior risco não está apenas nas tarifas externas, mas em possíveis entraves internos, como aumento de carga tributária ou tratamento do setor como segmento supérfluo.
O nosso cuidado muito maior do que a taxa dos Estados Unidos é se a gente sofre um esmagamento do Brasil dentro da gente por ser seletivo, por ser luxo– disse
Paciornik ressaltou que o barco movimenta uma cadeia ampla, que passa pela construção, manutenção, marinas, mecânicos, prestadores de serviço e atividades ligadas à economia do mar.
Hidrogênio e sustentabilidade entram no radar
Outro tema abordado na entrevista foi a sustentabilidade. Paciornik citou o desenvolvimento de projetos ligados ao hidrogênio e afirmou que o setor náutico tem buscado respostas para críticas relacionadas à poluição e às discussões sobre tributação ambiental.


Segundo ele, o barco movido a hidrogênio desenvolvido com parceiros como GWM, Itaipu e Parquetec tem o objetivo de mostrar que a tecnologia é viável, ainda que o custo financeiro ainda seja um desafio.
O mais importante não é se hidrogênio é mais barato ou mais caro, é cuidar do meio ambiente– afirmou
Paciornik também citou o avanço de motores elétricos e lembrou que, no próximo São Paulo Boat Show, a Yamaha deve apresentar um protótipo de motor de popa movido a hidrogênio.
Mercado segue aquecido para barcos grandes
Apesar dos desafios, o presidente do Grupo Náutica disse estar otimista com o desempenho do setor em 2026. Segundo ele, eventos recentes como o Rio Boat Show e o Marina Itajaí Boat Show registraram bom desempenho comercial, especialmente no segmento de barcos maiores.


Os juros atrapalham, o momento político atrapalha, mas as pessoas querem viver, querem lazer. E barco é isso– afirmou
Para Paciornik, o Brasil tem vocação natural para a náutica, com cerca de 8 mil quilômetros de costa e ampla malha de rios, lagos e áreas navegáveis. Ele também destacou que a pandemia reforçou a busca por lazer ao ar livre, ajudando a impulsionar o setor.
Eu sou otimista. Acho que o mercado tem a ganhar e o Brasil tem a ganhar com uma náutica forte– concluiu
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