Homem vive quase como um náufrago em uma das ilhas mais isoladas da Grã-Bretanha

31/10/2023

Viver isolado do mundo é o desejo de muita gente — pelo menos até a página dois. Aron Sapsford, contudo, levou esse papo mais a sério que a maioria das pessoas e, atualmente, vive quase como um náufrago em uma das ilhas mais isoladas da Grã-Bretanha: a The Calf of Man.

Ele está separado da “civilização” por um trecho de aproximadamente 800 m de distância de pura água. Pode até parecer pouco, mas a ilha isolada recebe tempestades que impedem a saída e entrada de barcos durante semanas.

Foto: Isle of Man / Divulgação

Com cerca de 2,5 km² de extensão, a The Calf of Man fica no extremo sul da Isle of Man — uma dependência autônoma da coroa britânica no mar entre a Irlanda e a Inglaterra, muito conhecida pelos castelos medievais e as paisagens rurais.

 

Na ilha isolada, Aron trabalha como guardião de aves para a Manx Wildlife Trust, a principal instituição de caridade e conservação da natureza da Isle of Man, em colaboração com o Manx National Heritage (MNH) — uma organização do patrimônio nacional também da Isle of Man.

Aron Sapsford é um dos guardiões de aves da Manx Wildlife Trust. Foto: X / @manxnature / Reprodução

Isso porque a The Calf of Man abriga os pássaros mais importantes das ilhas britânicas, sendo considerada um verdadeiro santuário dos animais, com espécies raras e ameaçadas de extinção.

Foto: X @CalfObs / Divulgação

Apesar de viver isolado, Aron quase nunca está sozinho, já que a ilha costuma receber a visita de voluntários, que passam semanas estudando as aves e outros animais da região. Atualmente, cerca de 33 espécies se reproduzem anualmente na The Calf of Man, como os Manx Shearwater, Kittiwake, Razorbill e Shag.

As Kittiwakes (ou Rissa tridactyla) são espécies de aves marinhas intimamente relacionadas à família das gaivotas

Como é a vida na isolada ilha

Aron Sapsford chega muito perto de viver como um náufrago na ilha isolada The Calf of Man. Grandes tempestades são frequentes na região e, quando uma delas resolve chegar, o local fica abandonado por muitos dias, sem receber suprimentos ou visitantes.

Foto: Simon Richardson / Divulgação

Em entrevista ao jornal The Sun, inclusive, Aron relatou que os estoques de suprimentos ficam um pouco baixos quando os barcos não conseguem entrar na ilha isolada, contudo, eles conseguem sobreviver.

 

O lar do guardião e outros pesquisadores é uma antiga casa de fazenda, construída no final dos anos 1700. Por lá não há água encanada, eletricidade ou gás, e o conforto não é prioridade. A única fonte de energia vem de um antigo gerador a diesel, apoiado por baterias.

Foto: Simon Richardson / Divulgação

A casa dispõe de quartos para Aron e outro guarda, conhecido como Ben. Há ainda ouros três aposentos, que acomodam até oito pessoas. Apesar disso, há um único chuveiro e vaso sanitário, além de uma cozinha básica. Rede de internet é luxo, e só chegou recentemente à ilha isolada.

O sinal do telefone não é bom, mas com a internet podemos continuar o processo de transferência de mais de 60 anos de registros diários de aves escritos à mão para um formato eletrônico. É um grande trabalho– Aron Sapsford, guardião de aves da Manx Wildlife Trust

Um dia típico para Aron e sua equipe começa acordando às 5h30 e inclui trabalhar até 16h, antes de retornar à casa da fazenda para comer e depois dormir. “Temos uma TV, embora não me lembre quando a assisti pela última vez. Geralmente estamos muito cansados”, comentou Aron.


Do outro lado da ilha isolada, em terra firme, fica um café popular na região, chamado Calf Sound. “Estamos discutindo a possibilidade de adquirir um drone que possa carregar com bolo ou uma pizza e voar de volta até nós”, brincou Aron com os jornalistas do The Sun.

 

A Manx Wildlife Trust possui câmeras na ilha isolada, que capturam imagens ao vivo do local. Os registros em tempo real podem ser vistos através do site oficial da instituição.

 

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