Com energia solar, cientistas criam sistema que deixa acesso à água potável mais barato

Dispositivo criado pelos pesquisadores tem inspiração em processo que já ocorre na natureza

10/10/2023

Ter acesso à água potável mais barata é um sonho para muitos. Porém, com a criação de pesquisadores do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussetts), que utiliza energia solar para realizar a dessalinização, este desejo pode se tornar realidade.

Em artigo publicado na revista Joule, pelos cientistas e a Universidade Jiao Tong de Xangai, os engenheiros conseguiram desenvolver um novo sistema de dessalinização que absorve água salgada e aquece com luz solar natural de modo mais econômico.

Foto: Jintong Gao e Zhenyuan Xu/ Reprodução

Vale destacar que a dessalinização é um processo de tratamento que retira o excesso de sais minerais dissolvidos na água salgada, como a do mar — inclusive, isso já existe no Brasil e outros países. Entretanto, essa tecnologia é muito cara e requer um alto gasto energético.

 

Na experiência dos pesquisadores do MIT, o sistema diminuiu significativamente os custos de produção, visto que não precisa de eletricidade para funcionar. Os testes apontam que o sistema poderia dessalinizar o fluido sem acumular sal durante vários anos — e oferecer acesso à água potável mais barata.

Entenda como funciona

O sistema teve inspiração num processo que já ocorre na natureza: a circulação termohalina dos oceanos. Através de correntes circulares — que parecem com pequenos redemoinhos –, combinada com o calor do sol, o dispositivo faz com que a água evapore e deixe o sal para trás.

Foto: Joule/ Reprodução

O vapor de água resultante pode então ser condensado e coletado como pura e potável. Afinal, o sal que resta continua a circular através e fora do dispositivo, em vez de acumular e obstruir o sistema.

Água potável mais barata e em mais lugares

Com o resultado da pesquisa, os cientistas preveem que este sistema, de forma ampliada, poderia produzir água potável suficiente para atender às necessidades de uma família pequena.

Além disso, o dispositivo poderia prover comunidades costeiras fora da rede — ou seja, em lugares onde a água do mar é mais acessível. Assim, a equipe estima que o custo global do funcionamento deste sistema seria mais barato do que o custo para produzir água canalizada nos Estados Unidos.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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