Tavolara: novo conceito de veleiro entrega velocidade “anormal” em saveiro

Projetado pela Mask Architects, embarcação de 100 pés foi produzida com materiais leves e casco diferenciado

24/08/2025
Project Tavolara. Foto: MASK Architects/ Divulgação

Um veleiro de encantar os olhos e com uma “velocidade emocionante”. Essas são algumas das premissas do Project Tavolara, barco de 100 pés (30 metros de comprimento) do estaleiro italiano Mask Architects que foi projetado para revolucionar o conceito dos saveiros tradicionais.

O projeto carrega toda as características clássicas de um saveiro, embarcação a vela conhecida, principalmente, por possuir um fundo chato e proa em bico. Além dos atributos de costume, contudo, o Tavolara foi adaptado para ser um barco de cruzeiro, próprio para viagens de lazer e de longa distância, sobretudo com velocidade.

Project Tavolara. Foto: MASK Architects/ Divulgação

Aqui, vale ressaltar que os saveiros não costumam ser velozes. Daí entra o pulo do gato da Mask. Mesmo sendo um barco de cruzeiro, a marca afirma que o veleiro Tavolara chegará a incríveis 18 nós (cerca de 33km/h), graças ao seu casco avançado, que será construído com um composto de fibra de carbono.

 

A fabricação será ao estilo “sanduíche”. Ou seja, com camadas diferentes para criar uma estrutura leve e extremamente forte.

Em construções nesse estilo, o núcleo (neste caso, o material que fica entre as duas camadas) é o que forma o efeito “sanduíche” e, no barco, ele poderá ser de espuma ou balsa — materiais ultraleves. A combinação é fundamental para atingir a máxima rigidez estrutural, que resulta num veleiro leve e rápido.

Project Tavolara. Foto: MASK Architects/ Divulgação

“Estamos canalizando nossa expertise em cada detalhe, garantindo que o Tavolara não seja apenas um triunfo da engenharia, mas também uma obra-prima flutuante que redefine a experiência de navegação”, comentou Oznur Pinar Cer e Danilo Petta, fundadores do estaleiro.

Nossa visão para este saveiro de cruzeiro rápido de 30 metros é criar uma mistura harmoniosa de tecnologia de ponta, eficiência aerodinâmica e elegância sofisticada– declararam

Olhe para o alto

Os avanços de engenharia não ficam apenas no casco. O aparelhamento do veleiro Tavolara será igualmente avançado, com um mastro de Carbono de Alto Módulo, material premium escolhido a dedo para reduzir o peso em altura.

Project Tavolara. Foto: MASK Architects/ Divulgação

A redução do peso melhora diretamente a estabilidade geral e aprimora o desempenho de navegação do saveiro, que aproveitará a energia eólica de forma mais eficaz. O plano de vela incluirá modelos 3D de última geração da North Sails, feitas de Dyneema e fibras de carbono Technora.

Project Tavolara. Foto: MASK Architects/ Divulgação

Além disso, o veleiro foi projetado para elevar tanto a autonomia quanto a experiência do usuário. O Tavolara possui guinchos elétricos ou hidráulicos, que deixarão o manuseio das velas semi-automatizado. Destaque também para o sistema de propulsão híbrido, que aprimora os recursos de regeneração de energia a bordo.

Olhe para tudo

Com toque minimalista de linhas curvas simples e suaves, o design exterior ganha ainda mais requinte com acabamento em teca natural. Na mesma pegada estão os espaços de convivência, que terão estilo que incorpora painéis compostos leves, madeiras nobres aligeiradas e estrutura de favo para controle de peso.

Project Tavolara. Foto: MASK Architects/ Divulgação

De acordo com a marca, o tema fibra de carbono será mantido nos “detalhes estéticos” do projeto, criando assim uma “atmosfera interior contemporânea de alta tecnologia”.

Project Tavolara. Foto: MASK Architects/ Divulgação

A leveza faz parte também da área interna, que entrega luxo sem renunciar à eficiência. Por lá estarão painéis compostos leves, materiais alveolares (que possuem uma estrutura interna vazia) e mais madeira aligeirada.

Project Tavolara. Foto: MASK Architects/ Divulgação

Segundo o estúdio, esse modelo foi desenvolvido para uma marca de iates a vela de luxo, com sede em Udine, na Itália, descrita em comunicado à imprensa como um “estimado” e “exigente” cliente. Ou seja, o veleiro Tavolara parece ter cumprido sua missão.

O Tavolara não é apenas um iate; ele é concebido como uma expressão flutuante de inovação, elegância e maestria em engenharia– finalizou a Mask

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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