Divisão de motores marítimos de empresa japonesa fortalece operações no Norte do país


De olho no potencial de crescimento da demanda por motores a diesel no Norte do país, a divisão de motores marítimos da Mitsubishi está ampliando suas operações na região, com a nomeação de duas novas revendas em Manaus, no Amazonas, a RB Coimbra e a Riomor, que começam a funcionar oficialmente no dia 12 de agosto.
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O objetivo é fortalecer a área de pós-venda, garantindo atendimento ágil e de qualidade para os clientes da região, que pelas suas características geográficas concentra grande parte dos negócios da marca no país.
O próprio nome de uma das novas revendas, a Riomor, remete ao Rio Amazonas, como revela um dos seus sócios, José Vital Nogueira, que tem 35 anos de experiência em venda e pós-venda: “A Mitsubishi é uma marca muito conceituada e sua linha de motores marítimos mecânicos, na faixa de 429hp a 3 065hp, é extremamente adequada às necessidades da região”.
Segundo o empresário, a Riomor está formando uma equipe altamente qualificada para garantir um serviço de nível elevado aos clientes dos estados do Norte brasileiro. Seu sócio na revenda é o engenheiro mecânico Osíres Souza, que atua há 20 anos no setor, dos quais 10 anos trabalhando com a marca Mitsubishi.
“Os motores mecânicos da Mitsubishi são reconhecidos pela sua robustez, durabilidade e fácil manutenção”, comenta Osíres. “Na nossa área de negócios, que envolve uma venda totalmente técnica, é fundamental a proximidade com o cliente para mostrar a importância das revisões e ter rapidez no atendimento em caso de necessidade de reparos”.
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Também a RB Coimbra investe com força no pós-venda, como conta um dos seus sócios, Dario Coimbra, que já teve revenda Mitsubishi em Manaus e abre agora novo espaço em consonância com a estratégia da fabricante de reforçar presença no Norte brasileiro. “Já temos 12 anos de trabalho com a marca e mesmo antes da inauguração oficial já estamos prospectando negócios com importantes empresas da região”, conta o empresário.
A revenda também está contratando uma equipe técnica especializada e já conta com um estoque de peças para o atendimento local. Segundo Coimbra, a grande maioria dos serviços nessa área é feita dentro das embarcações, por isso o pós-venda é fundamental para o sucesso do negócio.
De acordo com o sócio da RM Coimbra, os motores Mitsubishi são ideais para empurradores, que transportam cargas em geral, principalmente grãos, e também para os ferry boats, responsáveis pelo transporte dos moradores da região.
“Além da qualidade e da vida longa, os propulsores da marca também são reconhecidos por serem econômicos, o que se reflete em maior rentabilidade para os estaleiros e embarcadores”, destaca Coimbra, lembrando que no Brasil também são oferecidos os motores IMO Tier II, com redução nas emissões.
As duas novas revendas, assim como a própria Mitsubishi Marine, apostam no crescimento do mercado de motores marítimos na região Norte por causa da conclusão das obras do trecho da rodovia BR-163 que faz a ligação entre os estados de Mato Grosso (Sinop) e Pará (Mirituba).
Rodrigo Teixeira, líder da divisão marítima da Mitsubishi, destaca ser esse um importante canal de transporte de grãos. “Com o previsto aumento do movimento na BR-163, os portos da região Norte, como o de Santarém, tendem a ganhar competitividade em relação aos do Sul, com tendência de migração dos barcos menores para os maiores, favorecendo os segmentos nos quais atuamos”.
A mesma avaliação faz o sócio da RB Coimbra, revenda que manterá filiais em Belém, Marituba e Santa Isabel, no Pará. “É um grande e promissor mercado, que traz oportunidades de crescimento para as vendas dos motores Mitsubishi”, destaca o empresário.
Teixeira, por sua vez, lembra ser grande a experiência dos profissionais que assumiram as novas revendas na região, o que certamente vai favorecer os negócios da marca: “Temos excelente relacionamento com os armadores e estaleiros locais e esse é o momento ideal para consolidarmos a Mitsubishi no Norte do país”.
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O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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