1º navio da Marinha com nome feminino vai homenagear pioneira da enfermagem no Brasil

01/05/2026

O nome da “primeira enfermeira do Brasil” vai se tornar, também, o primeiro nome feminino a estampar um navio na história recente da Marinha do Brasil (MB). O Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) “Anna Nery”, que deve entrar em operação já no segundo semestre para atendimento em áreas de difícil acesso, é uma homenagem à profissional que atuou voluntariamente na Guerra do Paraguai (1864-1870).

Atualmente, a embarcação encontra-se em fase de testes no Estaleiro Bibi, em Manaus (AM), onde, segundo a MB, foi construído com tecnologia totalmente nacional e recursos do Fundo Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde.

Anna também ficou conhecida como “Mãe dos Brasileiros” ao atuar como a 1ª enfermeira voluntária do país. Foto: Virgílio Cardoso de Oliveira / Wikimedia Commons / Reprodução

O navio poderá realizar cerca de 500 atendimentos diários em comunidades ribeirinhas da Amazônia Oriental, atuando como uma unidade de saúde flutuante completa. Sua estrutura contará com seis consultórios médicos e odontológicos; centro cirúrgico para procedimentos de pequena complexidade; equipamentos para exames de imagem como mamografia, raios-X e ultrassonografia; suporte de farmácia, laboratório de análises clínicas e leitos de internação.

Em março deste ano, teve início a instalação do mamógrafo no NAsH “Anna Nery”. Foto: Marinha do Brasil / Divulgação

Espera-se que o novo Navio de Assistência Hospitalar seja incorporado à estrutura operativa da Força no segundo semestre deste ano, quando também está previsto o “batismo oficial” com o nome de Anna Nery, em Belém (PA).

 

Assim, depois de pronta, a embarcação reforçará as atividades hoje desempenhadas pelo Navio-Auxiliar (NA) “Pará” e pelo NAsH “Sargento Lima”, na área de competência do Comando do 4º Distrito Naval, que compreende os estados do Pará, Amapá, Maranhão e Piauí.

Arte da Marinha mostra as dimensões da embarcação. Foto: Marinha do Brasil / Divulgação

Entre seus diferenciais está o calado menor, o que possibilita ao NAsH “Anna Nery” atuar em regiões onde o leito do rio apresenta profundidade reduzida, ampliando o raio de ação das operações de assistência à saúde.

 

Segundo o futuro comandante do NAsH “Anna Nery”, Diego Luiz de Sá Rodrigues, a incorporação do novo meio deve ampliar a presença do estado em regiões mais vulneráveis. “Isso se traduz em mais pessoas em condição de vulnerabilidade social, que residem em comunidades ribeirinhas, sendo assistidas”, afirmou à Marinha do Brasil.


Uma homenagem à “primeira enfermeira do Brasil”

Pioneira na enfermagem no Brasil, Anna Justina Ferreira Nery (1814-1850) se destacou pela atuação voluntária durante a Guerra do Paraguai. Natural de Cachoeira (BA), ela pediu autorização ao governo imperial para acompanhar os filhos convocados para o conflito e passou a atuar no cuidado de soldados feridos em hospitais militares, dentro e fora do país.

 

Nery chegou a perder um filho no conflito e, ao retornar ao Brasil, foi reconhecida pela imprensa da época como “mãe dos brasileiros”. Mesmo sem formação formal — já que a enfermagem ainda não era estruturada como profissão à época —, Anna Nery ganhou reconhecimento pela dedicação e pela contribuição na melhoria das condições de atendimento aos combatentes. Seu trabalho, inclusive, ajudou a consolidar as bases da enfermagem no país.

Solange Nery é trineta da enfermeira. Foto: Sargento Paulo Cesar / Marinha do Brasil / Divulgação

Para Solange Nery, trineta da enfermeira, Anna teria apreciado saber que seu nome batizará um navio de assistência à saúde de populações ribeirinhas, apesar de seu “perfil discreto”.

Esse quesito ‘vaidade’ não existia nela, mas nós, da família, ficamos impactados com a homenagem, de como a trajetória dela coincidiu com o objetivo do navio, que é cuidar, amar– destacou Solange à Marinha do Brasil

Durante o período monárquico, a MB chegou a batizar embarcações em homenagem a mulheres da Casa Imperial, como a corveta “Dona Isabel”, incorporada em 1855 em referência à princesa Isabel. Já na década de 1950, a heroína da Independência Maria Quitéria de Jesus deu nome a uma barca d’água construída no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, posteriormente reclassificada como navio-tanque e rebatizada de “Gastão Moutinho”.

 

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