Opinião: barcos duram muito e isso mostra porque comprar um novo é um ótimo negócio

Por: Redação -
07/09/2022

Por George Alfredo*

“Para quem professa amor incondicional pelos barcos, o momento da troca de uma embarcação que nos acompanhou por alguns anos por um nova nem sempre é fácil. A gente se apega tanto que não consegue vendê-la sem sentir um certo remorso, ainda mais estando em bom estado.

Ao mesmo tempo, com a chegada do São Paulo Boat Show, agora em setembro — e a exibição de uma fantástica safra de belos barcos, boa parte lançamentos — não dá para deixar passar aquela oportunidade de comprar um modelo novo.

O que mais pega nessa hora, além do apego emocional, é o fato de os barcos terem vida longa. Sim, eles duram muito.

Não por acaso, vários modelos de lanchas e veleiros fabricados entre os anos 1960 e 1980 ainda estão em plena forma no mercado de usados, enquanto os carros com muito menos tempo de vida já foram para o desmanche.

Quanto tempo dura um automóvel? A resposta, claro, depende de algumas variáveis, como a frequência com que ele é usado, os cuidados com a manutenção e até a maneira como o motorista se comporta ao volante.

Com um barco é mais ou menos a mesma coisa. Sua vida útil depende de algumas variáveis, como a periodicidade das revisões dos motores e os cuidados com a ação da água no casco, por exemplo.

São Paulo Boat Show 2022 acontecerá de 23 a 28 de setembro no São Paulo Expo

Até porque será sempre bem menos usado (em horas) do que qualquer carro, embora o meio no qual os barcos atuam (água e umidade o tempo todo) seja muito mais deletério que a terra ou o asfalto.

No caso dos barcos, idade nem sempre é documento. Uma lancha ou um veleiro com 25 ou 30 anos de uso não estará necessariamente ultrapassada, ou caindo aos pedaços — afinal, como já disse, barcos resistem bem mais ao tempo do que os demais tipos de veículos.

O motor, parte sempre mais sensível nas lanchas e iates, requer um programa de manutenção preventiva e revisões periódicas para acompanhar o mesmo pique do casco.

Em média, o motor de um barco de lazer navega cerca de 100 horas por ano. Se forem seguidas todas as recomendações do fabricante, poderá chegar a cerca de 2.000 horas de uso, ainda em boa forma.

Mas não são raros os motores que chegam a 3.000 horas de uso, com a saúde intacta. Ou seja, por volta de 30 anos. Praticamente uma vida inteira com o mesmo barco”.

*George Alfredo é um apaixonado por barcos e não vê a hora de conhecer as novidades do São Paulo Boat Show 2022.

Vem aí o São Paulo Boat Show 2022

A histórica 25ª edição do São Paulo Boat Show está chegando. De 23 a 28 de setembro, a capital paulista vai sediar o maior salão náutico indoor da América Latina. São esperados para 2022 mais de 100 expositores, distribuídos por uma área climatizada de 30 mil m², com dezenas de novidades em lanchas, veleiros, jets, infláveis, motores, equipamentos, acessórios e serviços, além de atrações como destinos náuticos, palestras e objetos de luxo. Prepare o coração!

Anote aí!

SÃO PAULO BOAT SHOW 2022
Quando?
 De 23 a 28 de setembro
Onde? São Paulo Expo
Mais informações: saopauloboatshow.com.br

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>> Compre seus ingressos para o 25º São Paulo Boat Show
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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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