Pesquisa brasileira revela que semente de planta comum no país pode extrair microplásticos da água
Estudo da Unesp apontou a semente da acácia-branca como uma alternativa sustentável e eficiente para limpar alguns tipos de microplástico da água


Em meio a tantas notícias sobre poluição das águas por microplásticos, pesquisadores do Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (ITC-UNESP) descobriram que a semente de uma planta comum no Brasil pode extrair alguns destes pequenos fragmentos da água. A planta em questão é a acácia-branca (Moringa oleífera), bastante comum no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do país.
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No estudo, pesquisadores investigaram a eficiência da remoção de microplásticos de policloreto de vinila (PVC) envelhecidos da água potável, comparando o desempenho de dois coagulantes: um composto extraído das sementes da acácia-branca e sulfato de alumínio, já comprovadamente utilizado para remover pedaços microscópicos de plástico da água.


A escolha de estudar o potencial da planta para remoção de PVC não foi aleatória. De acordo com os cientistas da Unesp, o material está entre os mais perigosos devido ao seu potencial cancerígeno. Por isso, para tornar os testes mais realistas, os pesquisadores submeteram o PVC a um envelhecimento artificial com radiação UV por 720 horas.
O processo, conforme explicam, simulou o desgaste que o plástico sofreria na natureza, alterando as propriedades físicas e o tornando um desafio ainda maior para os sistemas de limpeza de água potável.
Diferentes testes
Para comparar o desempenho dos coagulantes, foram testados métodos de filtração direta (coagulação-floculação-filtração) e de filtração em linha (coagulação-filtração). Os melhores resultados da planta conseguiram eliminar 98% do microplástico da água — praticamente uma solução natural.
Conforme o estudo explica, a limpeza de micropartículas da água ocorre principalmente através da coagulação, um processo em que partículas se juntam e formam pedaços maiores — ainda que, neste caso, minúsculos. Nesse cenário, o microplástico e a matéria orgânica na água poluída possuem carga elétrica negativa, o que faz com que se repelam como ímãs de mesmo polo.


As proteínas presentes na semente da acácia-branca possuem carga positiva. Ou seja: quando o extrato é adicionado na água, ele neutraliza as cargas das partículas de plástico, permitindo que elas se unam em pequenos aglomerados que ficam presos no fundo do filtro. Dessa forma, o extrato da planta serve como um “ímã natural”, ao fazer o microplástico se afastar dos demais componentes.
Outras vantagens da planta
Um dos pontos altos revelados na pesquisa foi o desempenho da planta em diferentes níveis de acidez (pH) da água, enquanto o sulfato de alumínio perdeu quase toda a sua eficiência em águas mais alcalinas (pH 8,0). Segundo a pesquisa, isso acontece porque o produto químico tradicional depende de condições muito específicas para agir, enquanto as proteínas da planta se mantêm ativas em uma faixa de pH mais ampla, tornando o tratamento viável em diferentes cenários.


Nos estudos ainda foi possível identificar que, em águas mais claras (com menor turbidez), o processo de limpeza não precisa do passo da “floculação”, que envolve agitar a água até que se formem flocos grandes. A filtração em linha, que pula essa etapa e vai direto para o filtro após uma mistura rápida, apresentou resultados igualmente eficientes na remoção de mais de 98% dos microplásticos. Essa descoberta permite simplificar o desenho das estações de tratamento, economizando energia e espaço.
O extrato salino das sementes tem uma performance parecida ao do sulfato de alumínio e, em águas mais alcalinas, teve um desempenho até melhor do que o produto químico-Gabrielle Batista, primeira autora do estudo, à Agência Fapesp
Como resultado, a pesquisa concluiu a viabilidade da acácia-branca como uma alternativa sustentável para a remoção de microplásticos advindos de PVC envelhecido no tratamento de água potável, especialmente por meio de filtração em linha, ainda que a semente traga o efeito colateral de aumentar a quantidade de carbono orgânico dissolvido na água.
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