Araçatuba é a 8ª cidade paulista a receber estruturas do Programa de Turismo Náutico
Obra entregue no último dia 12 inclui rampa de acesso, píer flutuante, deques, mirante e novos quiosques públicos


Estruturar e fomentar o fluxo de visitantes a partir da qualificação da atividade náutica. Essas são algumas das premissas do Programa de Turismo Náutico do Governo de São Paulo, que acaba de contemplar mais uma cidade: Araçatuba.
Formalização dos charters garante isenção de impostos e impulsiona turismo náutico
Turismo náutico de base comunitária: regularização e oportunidades
Inscreva-se no Canal Náutica no YouTube
A estrutura, de uso público, foi entregue no último dia 12, na presença do secretário de Turismo e Viagens, Roberto de Lucena. A obra inclui um píer flutuante Metalu, uma rampa de acesso, quatro deques, um mirante e quatro novos quiosques públicos, que se somam a outros sete já existentes.


A entrega faz parte de um plano de desenvolvimento para fomentar o turismo náutico, por meio do incentivo à parada de barcos e motos aquáticas, facilitando o embarque e desembarque de passageiros — de quebra, colaborando também com o turismo local.
Estamos avançando com o plano de desenvolvimento regional. Nosso estado é diverso, tem potencial e queremos transformar isso em potência: náutica, rural, ferroviária– afirmou Roberto de Lucena
De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Agroindústria e Turismo, a cidade de Araçatuba recebe anualmente cerca de 530 mil visitantes. Desse total, mais de 47 mil pessoas são atraídas por atividades náuticas — número que deve crescer com a requalificação do parque e os novos equipamentos públicos.
Este investimento do Governo do Estado impulsiona não só o lazer, mas também a economia e o empreendedorismo local– destacou o prefeito Lucas Zanatta
Araçatuba se destaca como destino de pesca no Rio Tietê, além de ser conhecida por sua rica gastronomia, com pratos como o tradicional Cupim Casqueirado. Tida como Capital do Boi Gordo, a cidade ainda combina natureza, culinária e tradição, oferecendo uma ampla experiência turística.


O Programa de Turismo Náutico é voltado a 13 municípios do interior paulista. Já foram inauguradas, além de Araçatuba, estruturas em Pederneiras, Timburi, Avaré, Pereira Barreto, Rubinéia, Três Fronteiras e Piraju. As outras cinco cidades incluídas no programa são Fartura, Mira Estrela, Presidente Epitácio, Rosana e Sales.
Vale ressaltar que o estado de São Paulo é privilegiado por mais de 4,2 mil quilômetros de rios navegáveis, mais de 50 represas e lagos cercados por vegetação, além de 880 quilômetros de costa marítima.
Náutica Responde
Faça uma pergunta para a Náutica
Tags
Relacionadas
Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
[caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"]

Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
[caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"]

Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades
Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina
Lançada no São Paulo Boat Show 2026, lancha da Real Powerboats registra alta procura e tem toda a produção vendida até o próximo ano




