Torben Grael visita Rio Boat Show e leva alunos de seu projeto social

Por: Redação -
02/05/2025

Uma visita para lá de ilustre atracou no Rio Boat Show 2025! Os alunos, professores e o patrono do Projeto Grael visitaram o salão náutico na Marina da Glória. O objetivo foi tanto ampliar os conhecimentos dos jovens sobre o universo náutico quanto mostrar a eles as principais novidades do mercado.

Fundado em 1998, a ONG de Grael atende de maneira gratuita crianças e jovens entre 9 e 29 anos, com as mais variadas atividades relacionadas ao universo náutico. Além da vela, o projeto oferece também cursos profissionalizantes especializados, como capotaria e mecânica de motor de popa.

Alunos do Projeto Grael no evento. Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

Criado por três medalhistas olímpicos na vela — Lars Grael, Torben Grael e Marcelo Ferreira — é um dos mais antigos projetos sociais ligado a esportes do Brasil. A sede da ONG, que fica em Niterói (RJ), disponibiliza biblioteca, aulas de inclusão digital e educação ambiental para todos os alunos.

Alunos do Projeto Grael visitam o Rio Boat Show 2025. Foto: Erik Barros Pinto / Revista Náutica

No salão carioca, quem esteve presente para falar sobre o projeto foi Torben Grael, bicampeão olímpico na vela. À NÁUTICA, ele comentou a importância de eventos como o Rio Boat Show.

O Brasil é um país abençoado para a náutica. O Rio de Janeiro é um dos maiores centros de náutica do Brasil, então é muito bem-vindo o evento– Torben Grael

Torben também destacou a importância dos alunos do projeto participarem do evento, a fim de terem mais proximidade com o universo náutico. Para o velejador, é importante que eles vejam as oportunidades que têm no mercado náutico.

Alunos do Projeto Grael no evento. Foto: Erik Barros Pinto/ Revista Náutica

Isso aumenta o interesse deles pela náutica em geral, e isso é bom, porque é um mercado de trabalho muito bom– disse Torben Grael, que continuou a passear pelo evento

Um projeto que muda vidas

Segundo Isabella Santana, supervisora esportiva do Projeto Grael, a ideia era trazer, principalmente, os alunos de cursos profissionalizantes, para que eles entendam um pouco mais de como funciona todo o mercado náutico, além de aprimorar conhecimento e ter um incentivo a mais para ingressar no meio.

 

Inclusive, Isabella fala com propriedade, pois já esteve do outro lado. Com 29 anos e no cargo de supervisora esportiva, ela está no projeto desde os 8 anos de idade. Quando aluna, passou pelo processo de formação de todos os níveis da vela, além de realizar programas profissionalizantes, até se formar em educação física e virar professora.

Isabella Sant’ana, supervisora esportiva do Projeto Grael. Foto: Bárbara Mattana / Revista Náutica

Eu podia ter acesso a locais, ambientes e acesso ao esporte que jamais teria em outro local. Foi um transformador de vida, uma divisão de águas– Isabella Santana

Graças ao projeto, Isabella pôde ter acesso a uma realidade que não a pertencia — principalmente a vela, considerado um esporte elitizado. Logo, ela usa sua história para motivar os atuais alunos do Projeto Grael — e ela não está sozinha, visto que o instituto tem muitas pessoas que foram ex-alunos.

A gente se usa como exemplo para mostrar para eles que, através do Projeto Grael, do acesso ao esporte e de todo o meio educacional, a gente consegue um cargo, uma profissão e ter acesso a oportunidade– Isabella Santana

Marcelo Amorim Campos, professor do projeto, destaca que a ONG também oferece aulas de canoagem, natação, para formar jovens crianças e adolescentes dentro do esporte. Para além disso, há os cursos profissionalizantes.

 

Segundo o professor, o Projeto Grael tem cursos voltados para a área de motores de popa, motores a diesel, fibra de vidro, além de carpintaria, eletroeletrônica e capotaria náutica. Por isso, o evento ajuda a abrir os horizontes daqueles que, muitas vezes, desconhecem do universo das águas.

O Rio Boat Show proporciona essa visão mais ampla de mercado náutico, e não só a parte de vela, mas outras partes náuticas– Marcelo Campos

Mãe e filhas unidas pela vela

Os ventos sopraram em direção para Fernanda Arantes Batista, que faz aula de mecânica de popa e, tem como companhia, no Projeto Grael, sua filha. Com 11 anos, a garota aprende a velejar no Optimist, mas começou no instituto pela natação até migrar para a vela.

Fernanda Batista e Isabella Santana. Foto: Bárbara Mattana / Revista Náutica

“[Tenho] bastante orgulho de estar participando como aluna, não só como mãe. Me orgulho de ter uma filha matriculada por toda a perspectiva envolvida ne educação e formação dos jovens, que não diz apenas a prática esportiva”, disse Fernanda à NÁUTICA.

 

Pela primeira vez no evento, Fernanda veio ao Rio Boat Show para dar uma espiada nos motores. Ela conta que é sua primeira vez no salão náutico e, com os olhos brilhando, não podia estar mais animada para conhecer tudo que  o espaço oferece.

É um mundo fascinante. Claro que a gente se apaixona!– finalizou Fernanda


Rio Boat Show 2025

Já tradicional, o charmoso salão náutico carioca abre o calendário de Boat Shows no Brasil em 2025. A 26ª edição do Rio Boat Show atraca na Marina da Glória e movimenta as águas entre os dias 26 de abril e 4 de maio, em um belo cenário da Baía de Guanabara, sob os olhares do Cristo Redentor.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Com a chance de fazer test-drive de embarcações na água, o Rio Boat Show 2025 apresenta uma vasta gama de produtos exclusivos para quem vive o lifestyle náutico. O evento reúne mais de 100 embarcações expostas aos visitantes, incluindo fabricantes que estão entre os maiores do mundo, lançamentos em primeira mão e condições exclusivas de compra.

 

Para uma experiência ainda mais imersiva e completa, o evento conta com palestras exclusivas com especialistas do setor, no NÁUTICA Talks, bem como passeios de barco a vela, desfile dos principais barcos e atrações interativas.

 

Em 2024, o Rio Boat Show registrou números expressivos, com a presença de 33 mil visitantes e mais de 90 barcos expostos. O evento gerou um forte impacto econômico no setor, consolidando sua posição como um dos principais impulsionadores de negócios náuticos no país.

 

Anote aí!
RIO BOAT SHOW 2025

Quando: De 26 de abril a 4 de maio
Onde: Marina da Glória (Av. Infante Dom Henrique, s/n, Glória, Rio de Janeiro)
Horário: Das 15h às 22h nos dias 26, 28, 29 e 30/04; e 02/05. Das 13h às 22h nos dias 27/04; e 01 e 03/05. Das 13h às 21h no dia 04/05.
Mais informações: site oficial do Rio Boat Show
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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