Náutica Responde: qual tipo de rádio preciso ter no barco?

Nos termos da Lei, a resposta depende da embarcação e do tipo de navegação. Na prática, todavia, alguns equipamentos são recomendados por especialistas em qualquer situação

Por: Nicole Leslie -
02/02/2026
É necessário ter rádio vhf no barco? Náutica responde! Foto: gargantopa / Envato

Por mais libertador que seja, é imprescindível navegar com segurança. Por isso que a Normam-211, documento das normas da Autoridade Marítima para atividades de esporte e recreio, estabelece regras criteriosas. Uma delas é sobre rádio VHF, que não é obrigatório em todos os casos, apesar de especialistas aconselharem ter.

Mas além do rádio VHF, o documento especifica todos os tipos de radiocomunicadores que podem, devem ou precisam estar em cada embarcação. As regras levam em conta o tamanho do barco e também do tipo de navegação que será feita (interior, costeira ou oceânica). Saiba as regras!

Rádio a bordo: quais modelos são necessários?

Segundo a Normam-211, barcos de grande porte (ou iates) — que medem a partir de 24 metros (78,8 pés) de comprimento — precisam ter a bordo alguns equipamentos de radiocomunicação durante navegação costeira ou oceânica:

  • Rádio VHF com DSC (Digital Selective Calling, ou Chamada Digital Seletiva);
  • Rádio HF SSB (High Frequency / Single Sideband) com DSC;
  • Radar operando na faixa de 9 GHz;
  • Rádio Baliza Indicadora de Posição em Emergência (EPIRB 406 MHz)

O transceptor em HF SSB com DSC, no entanto, pode ser substituído por telefone satelital IRIDIUM ou INMARSAT, ou ainda por comunicadores via satélite do tipo SPOT X, IRIDIUM GO e outros que permitam o envio de mensagens de socorro e salvamento.

 

O DSC, por sua vez, é um padrão de rádio marítimo que permite transmitir instantaneamente, de forma automatizada e digital, chamadas de socorro, segurança ou rotina pelo Canal 70. Ao pressionar um único botão, o DSC envia um alerta automático de socorro com a identificação MMSI da embarcação e, se estiver conectado a um GPS, também a localização.

 

Voltando às normas, para navegação interior os iates precisam carregar apenas rádio VHF. A Normam-211 também pontua que estas embarcações precisam carregar uma fonte de energia reserva voltada especificamente para carregar equipamentos de radiocomunicação de socorro e segurança, caso haja falha nas fontes principais de emergência.

Foto: Lightitup_now / Envato

As normas para embarcações de médio porte — que medem de 6,1 até 24 metros (ou de 20 a até 78,7 pés) de comprimento — são um pouco diferentes. Para navegação oceânica, é obrigatório portar:

  • rádio VHF com DSC;
  • rádio HF SSB com DSC;
  • Rádio Baliza Indicadora de Posição em Emergência (EPIRB 406 MHz), exigível a partir de 01/07/2006.

Da mesma forma que para os barcos maiores, o rádio HF SSB com DSC também pode ser substituído por telefone ou outros comunicadores via satélite, nos mesmos padrões.

 

Para barcos de médio porte em navegação costeira, é exigido um rádio VHF com DSC e, para navegação interior, não há obrigatoriedade de equipamentos de radiocomunicação. No entanto, a própria Normam-211 recomenda um rádio VHF, seja ele fixo ou portátil.

 

Além disso, os veleiros de médio porte que possuírem antena de VHF no topo do mastro precisam também de uma antena de emergência, para manter comunicação caso o mastro quebre.


As chamadas embarcações miúdas não são exigidas de nenhum tipo de radiocomunicador pela Normam-211. Estes barcos de pequeno porte, que podem servir como embarcações auxiliares, são os que têm comprimento inferior ou igual a 6 metros, com ou sem motorização de popa, desde que não ultrapasse 50 hp de potência.

 

Em qualquer tipo de navegação, a Normam-211 também detalha que, na vistoria, é importante verificar o funcionamento do rádio VHF marítimo, que deve, obrigatoriamente, funcionar na frequência de chamada de socorro 156,8 MHz (canal 16).

Frequências e alcances de rádios marítimos:

Segundo a Normam-211, o rádio VHF marítimo deve atender à frequência de 156,8 MHz, para atingir os canais 16, 68 e 69 para pedidos de socorro. Se o transceptor for do tipo DSC, a frequência poderá ser 156,525 MHz, para atender ao canal 70 ao invés do 16.

 

Os rádios HF, por sua vez, devem atender à frequência Internacional de Socorro ou 4.125 KHz, para contato com a escuta no Atlântico Sul.

 

Já no âmbito da potência, rádios HF SSB devem ter potência suficiente para operar a uma distância de pelo menos 75 milhas da costa; os rádios VHF fixos precisam de potência mínima de 25W; e os rádios VHF portáteis não têm potência mínima, mas precisam estar carregados com uma matéria sempre em plena carga.

Foto: vanenunes / Envato

Resumo prático das obrigatoriedades de rádio a bordo, segundo a Normam-211:

Para navegação interior:

  • barcos pequenos: dispensado
  • barcos médios: recomendado
  • barcos grandes: obrigatório

Para navegação costeira:

Rádio HF

  • barcos médios: dispensado
  • barcos grandes: obrigatório

Rádio VHF

  • barcos médios: obrigatório
  • barcos grandes: obrigatório

Radar (transponder)

  • barcos médios: dispensado
  • barcos grandes: obrigatório

Para navegação oceânica

Rádio HF SSB

  • barcos médios: obrigatório
  • barcos grandes: obrigatório

Rádio VHF

  • barcos médios: obrigatório
  • barcos grandes: obrigatório

Radar (transponder)

  • barcos médios: dispensado
  • barcos grandes: obrigatório

Sobre ter um rádio VHF a bordo

O especialista em navegação Guilherme Kodja afirma que, apesar de não ser obrigatório carregar um receptor VHF em todas as situações, pelos termos da Lei, ele recomenda o uso do equipamento portátil em qualquer situação. “Eu não saio sem um rádio VHF nem de jet. Ele permite que você tenha uma comunicação eficiente mesmo sem estar no comando da embarcação”, explica.

 

Kodja frisa que o aparelho serve como um meio de comunicação eficaz, especialmente por que os portáteis são submergíveis, flutuam e são resistentes à água. “É uma forma de comunicação auxiliar alternativa, mas muito bem-vinda para fins de segurança. Um rádio portátil VHF a bordo é de primeira utilidade, recomendo que tenha”.

Foto: FabrikaPhoto / Envato

Marcio Dottori, também especialista do universo náutico, concorda que um rádio VHF portátil seja bem-vindo em qualquer embarcação. Ele complementa que apesar de hoje em dia os celulares estarem em todo lugar, nem sempre o sinal funciona.

 

Além disso, ter um meio de comunicação via rádio VHF não se trata apenas de fazer contato com alguém. Em caso de emergência, por exemplo, Dottori conta que pode ser necessário receber ajuda de outro barco ou da Marinha do Brasil, e esse tipo de contato é mais assertivo pelo equipamento. Também por isso é importante saber alguns comandos para pedir socorro pelo aparelho.

Como pedir ajuda pelo rádio VHF?

Marcio Dottori explica que existem três comandos universais para pedir socorro a bordo. Em todos eles, o padrão é o mesmo e deve ser feito primeiro no canal 16 (que é monitorado pela Marinha) e depois no canal 68 do rádio VHF (este segundo utilizado para comunicações gerais sobre embarcações no Brasil).


Para indicar um risco iminente de naufrágio, deve-se repetir o termo Mayday (ou “Mei dei”) três vezes, depois falar o nome do barco, indicar a posição e detalhar a ocorrência, como estar afundando ou ter ocorrido um acidente. Se possível, também informar o número de pessoas a bordo e dizer o que precisa com mais urgência.

 

No caso de ocorrências médicas, como quando alguém está com dor forte, ferido ou desmaiado, o protocolo é repetir a palavra Pan três vezes no início, depois falar o nome da embarcação, indicar a posição e detalhar a ocorrência.

 

Já para indicar a presença de algum objeto perigoso à navegação, o protocolo deve ser repetido com a palavra Security (ou “Securitê”) sendo repetida três vezes no início da comunicação, seguida do nome do barco, da posição e da descrição de qual objeto perigoso foi encontrado.

 

Em todos os casos, o indicado é comunicar a posição do barco pelas coordenadas. No entanto, se não for possível, o mais indicado é descrever a posição com base em pontos de referência fixos, como praias ou ilhas próximas.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Tags

    Relacionadas

    Náutica Responde: qual tipo de rádio preciso ter no barco?

    Nos termos da Lei, a resposta depende do porte da embarcação e do tipo de navegação. Na prática, todavia, o equipamento é recomendado por especialistas

    37º Circuito Oceânico Veleiros da Ilha acontece em Jurerê, de 5 a 8 de fevereiro

    Mais de 40 embarcações de variadas classes e regiões já estão confirmadas para o evento

    Por água, terra e ar: conheça aviões anfíbios que entregam lazer e adrenalina

    Aeronaves apelidadas de "barcos voadores" são preparadas tanto para pousos em terra quanto na água

    Após viajar pelo Brasil, casal de velejadores compartilha pontos de ancoragem seguros

    A experiência de compartilhar pontos de ancoragem nasceu da prática ao longo da costa nordeste brasileira. Conheça a história!

    Homem compartilha preparativos para dar volta ao mundo pedalando em terra e sobre a água

    Paul Spencer quer bater recorde mundial estabelecido em 2012 utilizando um barco movido a pedal e uma bicicleta