SailGP: equipe australiana vence etapa histórica da disputa na América do Sul

Pódio teve a Bonds Flying Roos no topo, Los Gallos (Espanha) em 2º e Artemis (Suécia) em 3º; Mubadala Brazil encerrou etapa em casa na 10ª colocação

13/04/2026
A equipe australiana Bonds Flying Roos venceu a 4ª etapa do SailGP, no Rio. Foto: SailGP / Divulgação

Eram altas as expectativas para a estreia do SailGP em águas sul-americanas — especialmente após o cancelamento da disputa deste lado do globo em 2025. Nas arquibancadas, mais verde e amarelas do que nunca, o time brasileiro Mubadala Brazil pôde, enfim, receber o carinho da torcida no Rio de Janeiro. Na raia, contudo, quem se deu melhor foi a equipe australiana Bonds Flying Roos.

O Enel Rio Sail Grand Prix marcou a 4ª etapa do circuito 2026 nos dias 11 e 12 de abril, na Baía de Guanabara. Ao todo, foram sete regatas classificatórias e uma final decisiva, em que a Austrália se sagrou como a primeira vencedora de uma etapa na América do Sul na história da competição.

Conseguimos manter consistência ao longo das regatas e isso fez a diferença na final. É muito especial vencer a primeira etapa do SailGP na América do Sul– afirmou Tom Slingsby, piloto do time australiano.

Resumo das corridas

O primeiro dia de disputas, no sábado, foi marcado por condições de vento mais instáveis, o que exigiu maior controle e leitura de raia por parte das equipes. Na ocasião, o Mubadala Brazil não participou das duas primeiras regatas devido a uma questão técnica de telemetria no catamarã F50 e, conforme regulamento, recebeu cinco pontos em cada uma delas.

Foto: Instagram @mubadalabrasailgp / Reprodução

Martine Grael, capitã do time brasileiro, explicou que o que impediu a equipe de correr foi um problema no motor, sem relação com a parte elétrica. “A equipe precisou retirar o motor, instalar em outro barco para testar, depois trazer de volta e entender o que estava acontecendo. Todo esse processo levou cerca de uma hora e acabamos perdendo as duas primeiras regatas”, detalhou.

Martine Grael, capitã do time Brasil no SailGP. Foto: Instagram @mubadalabrasailgp / Reprodução

Por outro lado, quando o F50 brasileiro finalmente entrou na água, a primeira mulher capitã da história da disputa não conseguiu esconder a emoção de correr em casa. “Quando finalmente entramos na água, com todo mundo aplaudindo, foi um momento muito especial — parecia até uma noiva chegando atrasada na cerimônia”, brincou.

No geral, foi um início de dia difícil e frustrante, mas também especial quando conseguimos entrar na competição– ressaltou Grael

No domingo, com vento mais firme, o cenário mudou. Os F50 do SailGP voltaram a entregar alta performance no Rio, alcançando velocidades entre 50 e 70 km/h e proporcionando disputas ainda mais dinâmicas na raia.

 

As três regatas classificatórias foram mais rápidas e diretas, com maior peso nas largadas e na execução das manobras. A Austrália foi o grande destaque do dia, vencendo duas das três provas e garantindo presença na final ao lado de Suécia (Artemis) e Espanha (Los Gallos).

Foto: Instagram @mubadalabrasailgp / Reprodução

Na grande decisão, disputada entre as três melhores equipes do fim de semana, o time australiano largou bem ao lado do sueco, que chegou a assumir a liderança em parte do percurso. A Austrália, contudo, retomou a ponta e controlou a prova até o final para confirmar a vitória na etapa.


Com o resultado da etapa brasileira, a Austrália (BONDS Flying Roos) assume a liderança da temporada 2026, seguida por Grã-Bretanha (Emirates Great Britain) e Estados Unidos (U.S. SailGP Team). O Brasil (Mubadala Brazil) aparece na 10ª colocação geral após a etapa do Rio de Janeiro.

Mubadala Brazil viveu semana especial com o público brasileiro

Apesar de não alcançar os melhores resultados, a etapa do Rio de Janeiro teve caráter simbólico para o Mubadala Brazil SailGP Team, que competiu pela primeira vez em casa, diante do público brasileiro. Ao longo da semana, a equipe se aproximou dos fãs e atraiu grande interesse do público, que acompanhou de perto as disputas e os bastidores.

Foto: SailGP / Divulgação

Fora da água, a capitã Martine Grael foi destaque ao receber o carinho dos torcedores, assim como Kahena Kunze — hoje representando a Dinamarca —, em um momento ainda mais significativo por marcar os 10 anos do ouro olímpico conquistado pela dupla na Baía de Guanabara, em 2016. Segundo Martine, apesar dos resultados abaixo do esperado, a equipe apresentou evolução ao longo do fim de semana e segue em processo de crescimento.

Poder competir em casa, com esse cenário e com o apoio do público brasileiro, foi realmente marcante. Sabemos que os resultados não vieram como a gente gostaria, mas conseguimos evoluir e seguimos em um processo de crescimento como equipe– afirmou Martine Grael

Veja a classificação geral do SailGP após a etapa do Rio de Janeiro

  1. BONDS Flying Roos (Austrália) – 35 pontos;
  2. Emirates Great Britain – 28 pontos;
  3. U.S. SailGP Team – 27 pontos;
  4. Los Gallos (Espanha) – 25 pontos;
  5. Artemis (Suécia) – 23 pontos;
  6. DS Automobiles SailGP Team France – 23 pontos;
  7. ROCKWOOL Racing (Dinamarca) – 17 pontos;
  8. Germany Deutsche Bank – 15 pontos;
  9. Red Bull Italy – 15 pontos;
  10. Mubadala Brazil SailGP Team – 7 pontos;
  11. NorthStar (Canadá) – 7 pontos;
  12. Black Foils (Nova Zelândia) – 2 pontos;
  13. Switzerland – 1 ponto.

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Contagem regressiva! Salvador Boat Show chega à 3ª edição

    Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão

    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

    Formando novas gerações: Mubadala Brazil SailGP Team treina jovens mulheres para o futuro da vela

    Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!

    Pirelli 44 Ducati Edition: nova lancha de alta performance tem DNA de MotoGP

    Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades

    NX Boats e Suassuna Fernandes conectam os universos náutico e imobiliário através da Pininfarina

    Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina