Única no mundo: fotógrafo australiano registrou raríssima raia cor-de-rosa

Considerada a única do tipo no planeta, raia-manta batizada em homenagem a desenho animado foi fotografada em 2020 por Kristian Laine. Entenda a coloração do animal!

31/03/2026
Foto: Kristian Laine / Divulgação

Goste ou não, a cor-de-rosa chama atenção por onde passa. Pode observar: um carro rosa sempre rende comentários, bem como qualquer cabelo tingido nessa coloração ou o mais comum dos objetos, como um celular. Logo, não foi diferente quando as fotos de uma raia cor-de-rosa ganharam a internet. O curioso é que, nesse caso, ninguém a “tingiu” — o animal, naturalmente, detém essa coloração tão aclamada.

Quem amplificou a informação de que uma raia cor-de-rosa habitava esse planeta foi o fotógrafo Kristian Laine, que, à época, no temido ano de 2020, estava praticando mergulho livre próximo à ilha mais ao sul da Grande Barreira de Corais, na Austrália, quando se deparou com essa obra-prima da natureza.

Foto: Kristian Laine / Divulgação

Sua primeira reação, conforme detalhou ao National Geographic ainda naquele ano, foi ter a certeza de que sua câmera estava com algum tipo de problema. “Fiquei confuso e achando que meus estroboscópios haviam quebrado ou estavam com defeito”, relembrou ele ao veículo.

O Inspetor Clouseau foi fotografado em meio a um grupo de sete outros machos, todos disputando uma fêmea. Foto: Kristian Laine / Divulgação

Mas não havia nada de errado com seu equipamento. Mais tarde, ele descobriu que havia dado de cara com uma jamanta-de-recife (Mobula alfredi) macho com cerca de 3,35 metros, batizada de Inspetor Clouseau. Sim. O animal não só era rosa como tinha um nome em referência ao detetive trapalhão dos desenhos de A Pantera Cor-de-Rosa.

Nos desenhos animados, o Inspetor Clouseau é um policial francês. Foto: YouTube/ Channel Four Cheeses / Reprodução

Isso porque o fotógrafo não foi o primeiro a avistá-lo. O Inspetor Clouseau foi visto pela primeira vez em 2015 — embora tenha sido visto novamente menos de uma dezena de vezes desde então. “Sinto-me orgulhoso e extremamente afortunado”, afirmou à época.

Ok, mas por que a raia é cor-de-rosa?

Se você pensou que a resposta para essa pergunta está na dieta do animal ou uma possível infecção de pele, saiba que não é nada disso. Cientistas do grupo de pesquisa australiano Projeto Manta, que estudam a raia rosada, confirmaram que sua cor é verdadeira — mesmo que, a princípio, eles tenham cogitado essas teorias também, que se aplicam, por exemplo, aos flamingos cor-de-rosa. É. Os flamingos não são cor-de-rosa. Eles ficam cor-de-rosa ao ingerir pequenos crustáceos.

Foto: Kristian Laine / Divulgação

Depois desse baque, voltemos ao assunto: em 2016, Amelia Armstrong, pesquisadora do Projeto Manta, realizou uma pequena biópsia de pele na raia que descartou as possibilidades até então postas à mesa. A principal teoria do Projeto é que o Inspetor Clouseau possui uma mutação genética em sua expressão de melanina ou pigmentação.

Foto: Kristian Laine / Divulgação

Já para Solomon David, ecologista aquático da Universidade Estadual Nicholls da Louisiana, a mutação trata-se de um eritrismo, característica que faz com que a pigmentação da pele de um animal seja avermelhada ou, em alguns casos, cor-de-rosa, tal qual mutações como melanístico (preto) ou albino (branco). Guy Stevens, presidente e cofundador da Manta Trust, com sede no Reino Unido, concorda que o eritrismo seja a explicação mais plausível.


As jamantas-de-recife podem ser totalmente pretas, brancas ou, mais comumente, preto e branco, com contrassombreamento — dorso escuro e ventre claro — que ajuda na camuflagem contra predadores como tubarões. Ainda assim, variações de cor não devem afetar sua sobrevivência, já que seu grande porte (podendo ultrapassar uma tonelada) reduz a vulnerabilidade, deixando apenas grandes predadores como ameaça.

 

Para Armstrong, a raia não encanta apenas pela beleza. Ela considera que o animal pode contribuir para a ciência. “Conhecer a origem dessa mutação genética pode ajudar-nos a compreender como a cor evoluiu nas arraias-jamantas”, afirmou à época.

 

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