Semana Internacional de Vela de Ilhabela define programação de regatas
A comissão organizadora da Semana Internacional de Vela de Ilhabela definiu a programação esportiva para o evento, marcado de 13 a 20 de julho de 2019. A principal competição oceânica da América do Sul chega à sua 46ª edição. A programação começa na sexta-feira (12) e sábado (13) com o credenciamento e a tradicional cerimônia de abertura, que será realizada na vila do Mar, no centro histórico da ilha.
No dia seguinte, antes das regatas de abertura, os barcos fazem o tradicional desfile, a partir de 11h. As provas da Semana Internacional de Vela de Ilhabela vão até o sábado (20) e serão divididas entre barla-sota (entre bóias) e regatas de percursos médio e longo. A comissão deve fazer mais de 60 regatas para todas as oito classes convidadas: C-30, HPE 30, HPE 25, BRA-RGS, Bico de Proa, ORC, IRC e Clássicos.
”O evento é pensado de uma maneira completa para atender velejadores e suas famílias, comunidade de Ilhabela, patrocinadores e apoiadores”, disse Mauro Dottori, organizador da Semana Internacional de Vela de Ilhabela.
A Semana Internacional de Vela de Ilhabela também divulgou suas ações sócio-ambientais, que serão lideradas pelo ambientalista Julio Cardoso. O evento será 100% sustentável! Uma das mudanças já aplicadas pelo Yacht Club de Ilhabela (YCI) é a não utilização dos canudos de plástico e produtos descartáveis, como os copos.
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Programação oficial
SEXTA 12/07
10h às 22h – Credenciamento Vila do Mar – Todas as classes
SABADO 13/07
09h às 22h – Credenciamento Vila do Mar – Todas as classes
20h – Abertura oficial da SIVI – Vila do Mar – Todas as classes
DOMINGO 14/07
08h às 16h – Credenciamento Vila do Mar – Todas as classes
11h – Desfile das Embarcações – Todas as classes
12h10 – Largada da Regata ALCATRAZES POR BORESTE – ORC, IRC, BRA-RGS (A e B) e Clássicos
12h20 – Largada da Regata ILHA DE TOQUE-TOQUE POR BORESTE – C-30, HPE 30, BRA-RGS (C) Bico de Proa (A,B e C)
12h30 – Largada da Regata RENATO FRANKENTHAL HPE 25
SEGUNDA 15/07
REGATA “VELA DO AMANHÔ (OPTATIVA) OU DIA LIVRE
TERÇA 16/07
12h – REGATAS | Após as regatas, DJ e canoa de cerveja no YCI – Todas as classes
QUARTA 17/07
12h – Regatas | Após as regatas, DJ e canoa de cerveja no YCI – Todas as classes
20h – Premiações das regatas de ALCATRAZES, TOQUE-TOQUE e RENATO FRANKENTHAL | Premiações especiais do desfile – Vila do Mar – Todas as classes
QUINTA 18/07
12h – Regatas | Após as regatas, show com Tom Cats e canoa de cerveja no YCI – Todas as classes
SEXTA 19/07
12h – Regatas | Após as regatas, DJ e canoa de cerveja no YCI – Todas as classes
20h – Premiação do Campeonato Brasileiro da Classe C-30
SÁBADO 20/07
12h – Regatas | Após as regatas, DJ e canoa de cerveja no YCI – Todas as classes
20h – Premiação da 46ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela | Encerramento – Todas as classes
As inscrições para a 46ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela já estão abertas por meio do site oficial do evento, o www.svilhabela.com.br.
Os valores para as regatas de 2019 são os mesmos do ano passado e podem ser pagos em duas vezes, uma novidade nesta temporada. As equipes que correm nas classes RGS, Bico de Proa e Clássicos terão desconto especial de 30% nesta edição.
Os velejadores integrantes dos barcos das categorias ORC, IRC, HPE 30, HPE 30 e HPE 25, que não necessitam usar poitas ou a marina do Yacht Club de Ilhabela pagam R$ 100. O valor por integrante com uso de poitas fica em R$ 200 e para os veleiros nas vagas do YCI será de R$ 320.
As equipes da RGS, Bico de Proa e Clássicos pagam, por tripulante, os valores de R$ 70 (sem vagas em poitas e marina), R$ 140 (vaga em poitas) e R$ 230 (vaga na marina).
O primeiro lote de inscrição vai de 15/04 a 10/06.
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!
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