Teste FS 290: navegamos nas versões de proa aberta e com cabine

27/07/2020

Receba as notícias da NÁUTICA direto no seu celular clicando aqui.

Uma lancha, duas versões. O estaleiro catarinense FS Yachts, fundado em 1998 e com centenas de barcos na água, tomou uma decisão muito feliz: apresentar a sua consagrada lancha de 29 pés (com 137 unidades vendidas) em duas versões, com cabine tradicional (a FS 290 Concept) e proa aberta (a FS 290 Wide), sendo que o modelo open tem um pequeno camarote fechado e banheiro completo, um atrativo e tanto, principalmente se a ideia for usar o barco para fazer passeios diurnos.

Com linhas modernas, formas geométricas vivas e acabamento esmerado, as duas usam o mesmo casco, que é a parte mais importante em um barco, e, no nosso teste, tiveram desempenho equivalente, como se verá adiante. As diferenças estão mesmo no convés.

Naturalmente, a cabinada genuína oferece mais conforto no pernoite, devido à maior amplitude da cabine, e isso faz a diferença quando se leva a família a bordo. Por sua vez, o modelo com proa aberta oferece mais espaço no cockpit que, segundo o estaleiro, pode levar 14 pessoas a bordo, embora esse número nos pareça exagerado para o porte do barco.

Os dois modelos aceitam somente motorização de centro-rabeta, diesel ou gasolina, deixando, assim, a plataforma de popa livre para o lazer. Mas, atendendo a pedidos, o estaleiro acaba de montar uma unidade com dois motores de popa (FS 290 Outboard), aposta interessante, embora a montagem ofereça um grande desafio ao projetista.

No nosso teste, a FS 290 cabinada estava equipada com um motor de 300 hp, a gasolina, enquanto a 290 Wide (uma lancha um pouco mais leve), de proa aberta, navegou com um de menos potência: 250 hp.

Por que optar por um modelo e não pelo outro? Depende do tipo de uso que se queira dar à embarcação. A versão open tem a vantagem de oferecer mais espaço e assentos para os passageiros em passeios diurnos, enquanto a cabinada tradicional tem solário de proa com boa proteção, por conta do guarda-mancebo com 40 centímetros de altura, compatível com o tamanho do barco.

No nosso teste, realizado na cidade de Biguaçu, em Santa Catarina, comparamos em detalhes as duas 29 pés (8,80 metros de comprimento). Por que Biguaçu? É onde fica a sede do estaleiro FS Yachts, especializado em lanchas de passeio de 18 a 36 pés, que além de atender todo mercado nacional exporta para diversos países, com ênfase nos Emirados Árabes Unidos, região em que suas lanchas desfrutam de grande prestígio.

Do posto de comando à popa, o cockpit chega a ser idêntico nas duas versões. As diferenças só aparecem quando se cruza o para-brisa em direção à proa. A cabinada FS 290 Concept conta com o tradicional solário de proa (com ajustes de até 45º) e guarda-mancebos adequados. O acesso a esse espaço é feito pelo centro do para-brisa, rebatível.

Por sua vez, a FS 290 Wide difere da sua “irmã” basicamente pela ausência da cabine, substituída pela proa aberta, com aproveitamento máximo da área externa. Mesmo sendo uma lancha open (veja na galeria de fotos abaixo), ela surpreende por oferecer um banheiro completo a boreste (com vaso, pia, lixeira, vigia para ventilação e iluminação natural e por luz de led) e um pequeno camarote a bombordo (com uma cama de quase 1,70 metro, além de controle para o som, janela para iluminação, vigia para ventilação, luz de led e porta-objetos), modelo que pode ser satisfatório nos passeios diurnos, desde que você não faça questão de uma cabine completa.

Na proa da FS 290 Wide (foto abaixo) há a possibilidade de transformar os sofás em duas espreguiçadeiras, uma em cada bordo, ou mesmo em um enorme solário, do tamanho de uma cama de casal. Com isso, duas pessoas deitadas, ou quatro sentadas, podem tomar sol, confortavelmente, mesmo com o barco em movimento, pois a proa dessa lancha é alta (1,48 metro) e, por isso, bem protegida.

O estofamento é confortável, mas não muito alto (vai até o meio das costas), e essa área dispõe ainda de apoios para os braços, pega-mão nas duas laterais, caixas de som e porta-copos — estes, porém, ficam prejudicados quando para-brisa está aberto. Os cunhos, bens instalados, são de ótimo tamanho. O kit de salvatagem (opcional) vem com porta-defensas, todos bem dimensionados e colocados nos lugares certos.

Com espaço mais generoso, a cabine da FS 290 Concept tem janelas estreitas nas bochechas do casco, uma grande gaiúta com abertura para ventilação natural, espaço para uma cozinha bem equipada — com pia, armários com gaveteiros e nichos para geladeira e micro-ondas —, um sofá em “U” conversível em cama de casal, painel para fixação de tv e dvd, armários laterais e um bom banheiro — leia-se: com vaso elétrico, pia com torneira, ducha para banho, lixeira e janela com abertura para a entrada de ar.

O detalhe aqui é que o estaleiro optou por não instalar a tradicional cama de maia-nau, reforçando a vocação daycruiser do barco. O acesso à cabine, com pernoite de duas pessoas, é feito por meio de uma escada de inox. Tudo isto com o bom acabamento já tradicional da FS Yachts, característica que ficou ainda melhor nessas lanchas.

Seja no modelo com cabine ou na versão com proa aberta, o posto de comando e a praça de popa da FS 290 são idênticos nas duas versões. O banco do piloto, duplo, rebatível e com ajuste de distância, é confortável e oferece boa visão da navegação à proa, tanto para o comando em pé como sentado; porém, a visão lateral fica um pouco comprometida pelo belo, mas largo, “frame” do vidro lateral.

Também é giratório, com trava durante a navegação, permitindo ampliar a área de convivência quando o barco estiver parado. A bombordo, há uma gostosa espreguiçadeira, seguida do sofá de popa. E por todo canto encontram-se porta-copos e caixas de som, além de saídas 12 volts/usb para recarregar a bateria do celular. Mas falta uma lixeira ao alcance das mãos.

No centro do cockpit, sobre a tampa de acesso ao porão (que permite inspeção visual dos tanques de combustível e de água doce, o que é ótimo) pode ser acoplada uma mesa de madeira. A bela e estilosa targa, avançada à proa, tem 1.86 m de altura e vem com presilhas para a instalação de um grande toldo.

O acesso ao motor se dá com o levantamento do assento do sofá de popa e a abertura de uma tampa que recebeu ótimo acabamento termoacústico; a área do motor, baterias e direção hidráulica contém um piso metálico operacional, que facilita o acesso na hora da manutenção. É visível o bom nível das instalações elétricas e hidráulica, com conexões feitas com braçadeiras duplas invertidas.

Destaque também para a ótima plataforma de popa, com 2,38 m x 1,26 m, e para o sempre bem-vindo espaço gourmet, um pouco baixo, mas bem útil, com churrasqueira a carvão, geleira laminada com isolamento térmico, lixeira, pia com torneira retrátil, dois pega-mãos e tampas revestidas com almofadas de courvin.

Como navega

As 29 pés foram testadas nas águas da Baía Norte da Ilha de Santa Catarina, onde se localiza Florianópolis, em um dia de ventos nordeste (14 nós, com rajadas de 16 nós) e mar agitado, com ondas de 1,2 metro. A bordo, havia duas pessoas e 150 litros de gasolina e 100 litros de água.

A FS 290 Concept estava equipada com um motor de 300 hp, a gasolina, com rabeta Bravo 3 com hélice contrarrotante (que aumenta o rendimento do motor, gerando maior torque, além de dar mais estabilidade nas manobras, pois um hélice compensa o giro do outro).

Apesar das condições adversas, o casco teve um excelente comportamento para uma lancha de 29 pés, com boas respostas ao comando. Fez curvas com raio de giro bem reduzido, como era de se esperar, sem perder muita velocidade nem adernar demais.

Nas medições, a FS 290 cabinada alcançou 36,2 nós de velocidade máxima, com 32,9 nós no cruzeiro rápido e 22,8 nós no econômico. Apesar do mar bastante picado, o casco bateu pouco, o que é igualmente bom. A aceleração de 0 a 20 nós foi de 7,1 segundos. Enfim, pode ser dizer, sem exagero, que é um projeto vencedor.

Pontos altos

Ótimo acabamento e instalações
Casco bastante navegador
Espaços bem aproveitados

Pontos baixos

Espaço gourmet um pouco baixo
Posição do mostrador de rpm com difícil leitura
Escada da popa com três degraus

Características técnicas

Comprimento total: 8,80 m (28,8 pés)
Comprimento de linha d’água: 6 m (19,7 pés)
Boca: 2,76 m
Calado com propulsão: 0,60 m
Altura da cabine na entrada: 1,71 m
Ângulo do V na popa: 18,6 graus
Combustível: 300 litros
Água: 150 litros
Capacidade dia: 14 pessoas
Capacidade pernoite: 2 pessoas
Peso com motor: 3,8 toneladas
Potência: 220 hp (diesel) a 350 hp (gasolina)
Motorização: popa ou centro-rabeta

Quanto custa

As lanchas FS 290 Wide e Concept estão com promoção especial. Veja clicando aqui.

Quem fabrica

O tradicional estaleiro catarinense FS Yachts, no mercado há mais de 20 anos, faz lanchas de 18 a 36 pés com acabamento bem trabalhado e preços convidativos. Para saber mais sobre os modelo do estaleiro, acesse o site oficial clicando aqui.

 

Veja mais fotos da FS 290 Concept

Reportagem: Guilherme Kodja
Edição de texto: Gilberto Ungaretti
Edição de vídeo: TakeBoom Produções
Fotos: Rogério Palatta, Victor Oliveira/TakeBoom e Divulgação FS Yachts

Gostou dessa reportagem? Clique aqui para receber o nosso serviço de envio de notícias por WhatsApp e veja mais conteúdos.

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

    Formando novas gerações: Mubadala Brazil SailGP Team treina jovens mulheres para o futuro da vela

    Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!

    Pirelli 44 Ducati Edition: nova lancha de alta performance tem DNA de MotoGP

    Projeto lançado em Cannes promete casco esportivo, 1.500 hp de potência e fabricação limitada a 26 unidades

    NX Boats e Suassuna Fernandes conectam os universos náutico e imobiliário através da Pininfarina

    Colaboração estratégica reúne engenharia, design, condições comerciais exclusivas e experiências para clientes das duas marcas, e inclui uma edição especial da NX 44 Fly nas cores do Suassuna Design by Pininfarina

    Real 45 Luxury surpreende nas vendas e já tem encomendas até setembro de 2027

    Lançada no São Paulo Boat Show 2026, lancha da Real Powerboats registra alta procura e tem toda a produção vendida até o próximo ano