Triton Yachts registra aumento na procura por embarcações pelo mercado internacional

Por: Redação -
17/09/2020

Mesmo diante da crise provocada pelo coronavírus, a fabricante brasileira de embarcações de lazer Triton Yachts ampliou os negócios no mercado internacional. Recentemente, a marca exportou uma embarcação de 30 pés para a Itália e mais dois barcos estão em produção para clientes do Paraguai.

O diretor de marketing da Triton Yachts, Allan Cechelero, explica que alguns fatores colaboram para esse crescimento de vendas ao mercado externo. A alta do dólar frente ao real é um deles.

“A questão do dólar favoreceu a maior procura por nossas embarcações. Porém, tanto no mercado internacional quanto no nacional, as pessoas estão percebendo que a navegação é uma forma de lazer segura em tempos de distanciamento social, prevenção necessária durante a pandemia. Já a escolha por nossas embarcações também demonstra a alta qualidade dos produtos Triton”, comenta.

De acordo com os números do estaleiro, com unidade construtiva na região metropolitana de Curitiba (PR), já são mais de 150 embarcações exportadas para países como Espanha, Noruega, Holanda, Angola, Arábia Saudita, Argentina e Itália. O mercado latino-americano ainda é um dos principais atendidos pela Triton por conta da facilidade de exportação. No entanto, o mercado europeu também está nos projetos de atuação da marca, que pretende iniciar, em breve, uma representação.

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Embarcações mais procuradas

A última embarcação exportada pela Triton Yachts foi a Triton 300 Sport, entregue recentemente a um cliente da cidade de Palermo, capital da Sicília, na Itália. Esta foi a segunda embarcação comercializada para o país. Além da tecnologia e aproveitamento de espaços, a lancha de 30 pés – 9,20 metros de comprimento – encanta pelo design mais esportivo e arrojado. Possui acabamentos exclusivos e detalhes que impressionam, como o banco do piloto e o volante da central de comando, que possui design similar a um carro de corrida.

A 300 Sport também conta com a certificação europeia (CE). O documento assegura que a embarcação está de acordo com o padrão obrigatório de qualidade, segurança e durabilidade exigidos pela União Europeia. São avaliados critérios como a idoneidade da empresa, além da realização de testes de mar e medições técnicas. O certificado também autoriza a entrada da lancha estrangeira na Europa.

Os modelos entre 30 e 40 pés estão entre os mais procurados por clientes internacionais. Também é o caso da Triton 370 HT, que já está em produção na fábrica para ser entregue a um cliente do Paraguai em meados de novembro.

A Triton 370 HT é ideal para navegação em mares e rios. O modelo, clássico com toque de esportividade, possui hardtop, similar ao teto solar, com abertura elétrica. Quando fechado, proporciona um ambiente adicional amplo com pé-direito de 1,85 metro, mas aberto é ótimo para curtir dias de sol. Seu exterior conta com amplos espaços de lazer e refeições, além de solário para banhos de sol. Com acabamentos impecáveis, o interior conta com banheiro, duas cabines para pernoite, área de estar e cozinha.

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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