Nova Coral 32 Sea Breeze imprime o DNA do estaleiro com recursos personalizáveis e sustentáveis

Embarcação lançada no São Paulo Boat Show é equipada com placa solar, reaproveita água da chuva e pode ser “transformada em HT”

22/09/2024
Foto: Victor Santos/Revista Náutica

De acordo com Leonardo Chiavazzolli, CEO da Lanchas Coral, o estaleiro “sempre foi aficionado por eficiência energética”. Esse traço no DNA da marca fica claro na nova Coral 32 Sea Breeze, lancha lançada no São Paulo Boat Show 2024.

A nova embarcação do estaleiro carioca traz, como o próprio nome sugere, o conceito Sea Breeze que, de acordo com Chiavazzolli, “vai ser lançado em todos os barcos da marca”. Trata-se de uma sacada inteligente para “transformar” o barco em HT, a partir de um teto rígido deslizante — que substitui o toldo de lona — e a instalação de vidros laterais.

Foto: Victor Santos/Revista Náutica

A função já vai incorporada com uma placa solar, que gera energia para carregar o banco de baterias da embarcação. No caso da 32, a placa é de 575 watts, mas Chiavazzolli conta que “nos barcos acima dos 40 pés, são duas placas solares de 575 watts”.

No melhor momento do dia, 1100 watts de bateria de serviço são gerados– destaca o CEO do estaleiro

Além do recurso para gerar energia a partir dos raios de sol, a embarcação também reaproveita a água da chuva. O Sea Breeze é o responsável por captar a água e depositá-la num filtro, que posteriormente a leva para o tanque de água doce.

Foto: Revista Náutica

A Coral sempre foi aficionada por eficiência energética, temos os barcos mais econômicos do mercado, com a melhor relação custo-benefício– ressalta Chiavazzolli

O lançamento de 32 pés traz na popa um recuso já bastante conhecido do estaleiro. Os motores de popa — neste caso, um par de 200 hp — são cobertos, criando uma espécie de mesa que, com um banco de apoio, dá ao barco uma boa área de convivência.

Foto: Revista Náutica
Foto: Revista Náutica

Os passageiros contam com duas salas, sendo que os espaços são bastante personalizáveis. Há uma cabine à meia-nau, com 1,80 de pé-direito, e uma cama na proa, além de um banheiro, com box. Na proa, dois solários reclináveis com três regulagens de altura garantem o banho de sol.

Foto: Revista Náutica
Foto: Revista Náutica

Chiavazzolli ainda explica que trata-se de “um barco com medidas que tornam o navegar muito legal”. Ele se refere a popa, com 21 graus, e a “borda de ataque bastante acentuada”.

É praticamente um casco de pesca oceânica montado num barco de passeio– exemplifica o CEO

Com dois tanques de 250 litros de combustível, Chiavazzolli garante que o barco foi personalizado para ter autonomia. De acordo com ele, “consegue sair do Rio, ir para Santos e voltar até a metade do caminho com a autonomia de combustível”.

Usamos materiais sintéticos, que tornam a embarcação mais leve, consequentemente consumindo menos combustível– destaca

A nova Coral 32 Sea Breeze sai a partir de R$ 737 mil. Além da novidade, a Coral exibire a recém-lançada Coral 40 Sea Breeze, apresentada pela primeira vez no Rio Boat Show 2024, a Coral 26 e a Coral 36.

Foto: Revista Náutica
Foto: Revista Náutica
Foto: Revista Náutica
Foto: Revista Náutica

São Paulo Boat Show 2024

Consagrado como o maior evento náutico da América Latina, o salão que acontece desde 1998 reúne, neste ano, mais de 120 marcas e 150 barcos, disponíveis para o público conhecer e comprar. Nesta 27ª edição, os visitantes ainda podem participar do sorteio de uma lancha Focker 188 Joy, equipada com motor Yamaha.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Tradicionalmente, o evento revela os principais lançamentos do ano, com estaleiros nacionais e internacionais apresentando barcos e jets de todos os modelos, preços e tamanhos. O público ainda confere motores, equipamentos, acessórios, brinquedos aquáticos, decoração e produtos de luxo — como resorts e helicópteros — expostos no Espaço dos Desejos.

 

Anote aí!

Quando: De 19 a 24 de setembro de 2024
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, 1,5 km – Vila Água Funda, São Paulo – SP, 04329-900)
Horário: Quinta-feira das 15h às 22h e nos demais dias das 13h às 22h
Mais informações: site do evento
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

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    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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