Fishing 510 Raptor: uma lancha de uso misto, para paladares mais apurados

24/09/2024

O Grupo Armatti & Fishing, comandado por Fernando Assinato, com sede em São José, na Grande Florianópolis, e com mais de 2.500 barcos entregues, reservou para o São Paulo Boat Show o lançamento de três lanchas, duas delas da linha Fishing Raptor, marca referência no país em embarcações para pesca oceânica: a Fishing 41 e a Fishing 510 Raptor.

“Todos os nossos projetos de cascos vêm dos Estados Unidos e levam a assinatura de Donald Blount, projetista que nos deixou no ano passado, entrando para a história como um dos maiores de todos os tempos”, conta Fernando Assinato.

Foto: Victor Santos/Revista Náutica

Maior, mais refinada e mais equipada, a Fishing 510 Raptor é a joia da coroa. É uma lancha com recursos para a pesca oceânica, a começar pelo casco com “V” profundo, indicado para quem gosta de aventuras em águas distantes da costa. Mas essa nem é a sua vocação principal, segundo o CEO do grupo.

Fotos: Revista Náutica
Fotos: Revista Náutica

“O proprietário nos encomendou uma lancha com todo conforto, tecnologia e requinte para cruzeiros com a família. Não economizamos em nada. Todos os cromados são de aço inox. Os revestimentos das pias, em mármore sintético. Os objetos de madeira, de teca maciça. No painel, instalamos dois monitores de 16 polegadas, mais o Vessel view. Também instalamos o Seakeeper. Os recursos de pesca são um plus a mais”, explica ele.

Fotos: Revista Náutica
Fotos: Revista Náutica

Na praça de popa, seguindo a tendência entre as boas lanchas de cruzeiro, ela tem duas aberturas laterais de 1,10 m cada, o que eleva a área de convivência para 6,30 de largura. A ré, o sofá é ladeado por duas geleiras, que no caso de uso da lancha para pesca se transformam em caixas de iscas. No piso, os paióis se convertem em caixas de peixes.

Fotos: Revista Náutica

Na entrada do salão, há uma cozinha de apoio, a bombordo. A cozinha principal, completa, fica convés inferior. Lá embaixo, o camarote de proa tem um sofá em V conversível em cama de casal e a suíte de meia-nau ocupa toda a largura do casco, que é de 4,10 metros.

Fotos: Revista Náutica
Fotos: Revista Náutica
Fotos: Revista Náutica

A proa, com um grande solário e mais um sofá no bico de proa, tem as dimensões de uma lancha maior. Parece um lounge. Junto ao para-brisa, o projetista incluiu uma claraboia, que ilumina boa parte da cabine.

Fotos: Revista Náutica
Fotos: Revista Náutica

Para empurrar tudo isso, quatro motores de popa de 400 hp cada. Com essa configuração, a Fishing 510 Raptor custa R$ 5,6 milhões.

Fotos: Revista Náutica
Fotos: Revista Náutica

“Na próxima unidade, que já está vendida, o cliente pediu três motores V12 de 600 hp cada, o grandão da Mercury”, antecipa. Com toda essa potência, garante Fernando Assinato, a lancha alcança 60 mph de top.


São Paulo Boat Show 2024

Consagrado como o maior evento náutico da América Latina, o salão que acontece desde 1998 reúne, neste ano, mais de 170 barcos, disponíveis para o público conhecer e comprar. Nesta 27ª edição, os visitantes ainda podem participar do sorteio de uma lancha Focker 188 Joy, equipada com motor Yamaha.

Foto: Victor Santos / Revista Náutica

Tradicionalmente, o evento revela os principais lançamentos do ano, com estaleiros nacionais e internacionais apresentando barcos e jets de todos os modelos, preços e tamanhos. O público ainda confere motores, equipamentos, acessórios, brinquedos aquáticos, decoração e produtos de luxo — como resorts e helicópteros — expostos no Espaço dos Desejos.

 

Anote aí!

Quando: De 19 a 24 de setembro de 2024
Onde: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, 1,5 km – Vila Água Funda, São Paulo – SP, 04329-900)
Horário: Quinta-feira das 15h às 22h e nos demais dias das 13h às 22h
Mais informações: site do evento
Ingressos: site oficial de vendas

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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