Clássico e reformado, iate que pertenceu a lenda da NBA é vendido por “pechincha”

09/03/2025

Quando um iate que já pertenceu a uma estrela consagrada da National Basketball Association (NBA) é vendido, é de se esperar que o valor seja exorbitante. Não foi o que aconteceu com o Burger, barco de 85 pés projetado para Scottie Pippen, lenda do Chicago Bulls nos anos 1980 e 1990.

Construído em 2001 sob medida para o bicampeão olímpico de basquete, o barco foi negociado por “apenas” US$ 2,25 milhões, cerca de R$ 13 milhões (conversão realizada em março de 2025). Uma pechincha, considerando que foi reformado ainda em 2023.

Foto: YACTO/ Divulgação

Relativamente discreta, sem ostentar os três dígitos em seu tamanho e de design clássico, a embarcação já vinha sofrendo quedas de preço há um bom tempo, estacionando no valor que foi comprado desde 2024 — o fato da embarcação não ter passado esse tempo todo nas mãos do ex-atleta também entra na conta.

Não há informações de quando o ex-jogador da NBA vendeu o iate. Mas ele trocou de proprietários diversas vezes, sendo renomeado de Lady Larsa — nome em homenagem a Larsa Pippen, então esposa de Scottie à época — para Bella Una II, Lady Sarah, Annastar e Checkers pelos compradores subsequentes. Bom para o novo dono, que adquiriu uma joia escondida que envelheceu como um bom vinho.

Feito para um campeão

Na encomenda, o Hall da Fama da NBA pediu algo mais tradicional, não tão chamativo. Como já mencionado, o iate foi feito sob medida para o hexacampeão da NBA. Assim, a embarcação conta com um teto bem alto para acomodar Pippen e seus 2,03 m de altura.

Scottie e Larsa Pippen próximos do Lady Larsa. Foto: Instagram @larsapippen/ Reprodução
Foto: YACTO/ Divulgação

Já batizada de Checkers, em 2023 a embarcação passou por uma reforma abrangente. O artesanato requintado e de alta qualidade, os trabalhos em madeira Makore, as bancadas de mármore e um salão com grandes janelas continuaram, mas agora o barco possui um novo casco azul e novidades no design interior.

Foto: YACTO/ Divulgação
Foto: YACTO/ Divulgação

A reforma ainda atualizou a estética e adicionou comodidades a bordo. O barco, inclusive, carrega uma suíte master separada no meio do iate — quarto esse que poderia muito bem pertencer a uma 120 pés.

Foto: YACTO/ Divulgação

Não falta espaço no salão, que ainda conta uma cozinha de alto nível e um pé-direito dos sonhos — que atrai olhares de apaixonados até hoje. Mesmo construído há mais de duas décadas, o iate ainda carrega toques do arquiteto Don O’Keefe e interiores de Douglas Richey.

Foto: YACTO/ Divulgação

Dois motores Caterpillar C32, instalados em 2011 e atualizados recentemente, permitem um confortável e potente cruzeiro a 18 nós (33 km/h), sendo que o barco ainda conta com estabilizadores e um propulsor de proa. Nada mal para um iate luxuoso relativamente barato.

 

Por Áleff Willian, sob supervisão da jornalista Denise de Almeida

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

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