Minas Gerais ganhará bar flutuante de vinhos na Represa do Funil

Com o nome de Almas Gerais, iniciativa tem previsão de entrega em julho de 2024 e faz parte do milionário projeto Enovila

20/05/2024
Foto: Instagram: @enovila_oficial / Reprodução

O friozinho do inverno combina com um bom vinho, e as cidades de Bom Sucesso, Perdões, Ijaci e Ibituruna, em Minas Gerais, prometem ser o destino ideal para aproveitar essa combinação em 2024. Isso porque, em julho, a Represa do Funil — que corta os municípios — vai ganhar um bar flutuante de vinhos: o Almas Gerais, que faz parte de um projeto muito maior — e milionário.

A iniciativa é, antes de mais nada, reflexo de um estado que, em quatro anos, praticamente dobrou o número de produtores de vinho. Em 2020 eram 50 e, atualmente, o número de vinícolas bate na casa dos 100, de acordo com dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig).

Foto: Instagram: @enovila_oficial / Reprodução

Dentre todos esses produtores estão os irmãos Antônio Alberto Júnior e Alessandro Rios, donos da vinícola Alma Gerais, na cidade mineira de Bom Sucesso. Anteriormente, os empresários já encabeçaram projetos alimentícios em Lavras (MG), incluindo a fabricação de pães congelados, laticínios e substitutos lácteos veganos.

O bar flutuante de vinhos

Pensado para estar sempre em movimento pelas águas da Represa do Funil, o Almas Gerais afirma ser o primeiro wine bar sobre as águas em Minas Gerais. Com formato que se assemelha a uma chalana, o bar flutuante de vinhos navegará por uma área que compreende a 40,49 km², passando pelos municípios de Bom Sucesso, Perdões, Ijaci e Ibituruna.

Foto: Instagram: @enovila_oficial / Reprodução

O bar flutuante de vinhos será, a princípio, aberto ao público geral aos sábados e domingos. Nos dias de semana, a ideia é que o espaço receba eventos corporativos fechados. O wine bar terá 180m², capacidade para 24 pessoas sentadas, cozinha equipada e espaço sunset para outras 36 circulando.

 

O chef Kaliu Castro, à frente do cardápio do Almas Gerais e também sócio do novo negócio, revelou ao O Globo que o bar flutuante de vinhos oferecerá pequenas degustações de finger foods (pequenas porções individuais), feitos com ingredientes da alta gastronomia e harmonizados com rótulos da marca.

Foto: Instagram: @enovila_oficial / Reprodução

“Por enquanto vamos trabalhar com o sauvignon blanc Almas Gerais, armazenado em tonéis de inox, concreto e possivelmente também feito em barricas de madeira. Estamos selecionando ingredientes de pequenos produtores locais, queijos, doces de leite e azeites farão parte do cardápio”, explicou o chef ao jornal carioca.


Projeto milionário abrigará o bar flutuante

Parte do futuro complexo enoturístico Enovila, o Almas Gerais é parte das experiências propostas pelo empreendimento. Segundo os responsáveis, quem adquirir uma cota do empreendimento poderá “acompanhar todas as práticas do dia a dia de um vinhedo, incluindo o processo de produção, o plantio, as vindimas, além de ter rótulos exclusivos, uma adega, fazer o próprio blend e a própria casa no espaço”, conforme explica o empresário Antônio Alberto Júnior.

Foto: Instagram: @enovila_oficial / Reprodução

A partir de um investimento de R$ 140 milhões, o complexo enoturístico Enovila prevê a construção de 60 casas, em uma área de quase 2 milhões de m² dentro do condomínio Vivert, à beira da represa.

 

Idealizada para funcionar no sistema de cotas, a Enovila tem como diferencial principal dar aos proprietários a chance de experimentar as vivências de um verdadeiro vinicultor.

Foto: Enovila / Divulgação

Os novos moradores poderão acompanhar de perto a transformação da uva em vinho, desde a plantação da fruta até o engarrafamento da bebida. Ao fim do processo, eles terão um blend para chamar de seu. Para isso, cada imóvel será dividido entre 13 sócios, que poderão usá-lo por quatro semanas ao longo do ano.

Foto: Enovila / Divulgação

Projetadas pelo renomado arquiteto Gustavo Penna, as casas têm, em média, 240 m² e cotas a partir de R$ 360 mil. A manutenção sai por R$ 500 mensais — o que garante aos proprietários 150 garrafas exclusivas por ano e acesso a serviços de hotelaria, como restaurante, bar, piscinas, spa e quadras de esporte.

Foto: Instagram: @enovila_oficial / Reprodução
Foto: Instagram: @enovila_oficial / Reprodução

A previsão é de que as primeiras casas fiquem prontas em 2027, mas os sócios já poderão desfrutar da estrutura vinícola a partir de julho deste ano — e é aí que entra o bar flutuante de vinhos.

Foto: Instagram: @enovila_oficial / Reprodução

 

Náutica Responde

Faça uma pergunta para a Náutica

    Relacionadas

    Iate Custom Line Saetta, de 128 pés, é lançado na Itália

    Embarcação de luxo com casco planante foi construída pelo Grupo Ferretti e lançada ao mar em Ancona

    Conesul e Vale do Ivinhema: o novo horizonte do turismo náutico brasileiro

    Com planejamento e cooperação regional, rios do Mato Grosso do Sul abrem caminho para novos destinos náuticos e oportunidades de desenvolvimento sustentável

    Contagem regressiva! Salvador Boat Show chega à 3ª edição

    Maior evento náutico da Bahia movimenta a Baía de Todos-os-Santos dos dias 5 a 8 de novembro; Saiba o que esperar do salão

    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.

    Formando novas gerações: Mubadala Brazil SailGP Team treina jovens mulheres para o futuro da vela

    Driving Change realiza sua 3ª edição com sete jovens velejadoras; Conheça a iniciativa!