Do Brasil para o mundo: Azimut estreia Grande 25 Metri nas águas com praça de popa “inédita”
Com 84 pés, novo barco do estaleiro italiano foi fabricado em Santa Catarina e está exposto no Marina Itajaí Boat Show


Fabricado e lançado em Itajaí: o mais recente iate da Azimut não tinha um melhor lugar para estrear mundialmente nas águas do que no palco do Marina Itajaí Boat Show 2025. No maior evento náutico do Sul do Brasil, a Grande 25 Metri deu as caras pela primeira vez no seu habitat natural.
Cerimônia de abertura oficializa o início da 3ª edição do Marina Itajaí Boat Show
Confira a transmissão ao vivo do 1º dia do Marina Itajaí Boat Show 2025
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Trata-se de um marco histórico para o estaleiro italiano: pela primeira vez em 57 anos, um barco da marca é lançado para o mundo todo a partir do Brasil. Para Francesco Caputo, CEO da empresa no país, a estreia da 84 pés em águas catarinenses é motivo de “grandíssima satisfação”.


De acordo com Caputo, o iate que debutou em Itajaí é resultado de uma “vontade, paixão e visão de futuro que a marca sempre teve no Brasil, não só na Itália”.
É um barco produzido no Brasil, lançado no Brasil, mas para o mundo todo– ressaltou o CEO da Azimut Yachts no Brasil
Mas os destaques deste lançamento não ficam apenas na sua produção — muito pelo contrário. Uma praça de popa com um layout descrito como “revolucionário” e inédita no Brasil é o principal chamariz do barco, segundo Caputo.




De fato, não é uma disposição que vemos em todo lugar. A área conta com dois sofás, um na frente do outro, e uma estrutura envidraçada que permite uma conexão com o ambiente externo.
A Azimut revisitou algo que, de fato, era considerado como intocável– afirmou Caputo à NÁUTICA


Além disso, a disposição na praça de popa permite que os hóspedes admirem o mar de qualquer ângulo e lado do barco, independentemente de onde esteja sentado.
Elegância a bordo
Os elogios ao barco continuam. O CEO do estaleiro no Brasil chama atenção também para o design do iate: um layout “extremamente bonito, contemporâneo e uma decoração e arquitetura interna que oferece um aconchego”. Não à toa, ele já destaca que a Grande 25 Metri já soma sete vendas desde o lançamento.


É quase impossível não se encantar com essa Azimut-elogia Caputo
Além dos seus 84 pés, o barco vem com seis cabines, seis banheiros e um espaço interno de dar inveja. Para navegar, ele alcança até 29 nós (cerca de 53 km/h) e 24 nós em velocidade de cruzeiro (aproximadamente 44 km/h). Sem esquecer da motorização potente: dois motores MAN V12 de 1800 hp.


Se depender do otimismo do CEO da Azimut no Brasil, as vendas da 25 Metri podem até dobrar com o Marina Itajaí Boat Show 2025. Ele destaca — “sem sombra de dúvidas” — que o evento está crescendo e melhorando a cada ano, colocando a região no mapa dos principais pontos náuticos do Brasil.


Além da 25 Metri, embelezam as águas catarinenses a Azimut Fly 58, Azimut Fly 74 e Azimut 27 Metri. Veja mais fotos do lançamento:












Marina Itajaí Boat Show 2025
Celebrado em um dos principais polos da indústria náutica brasileira, o Marina Itajaí Boat Show 2025 traz atrativos para todos os gostos. Nas embarcações, os modelos vão dos jets aos grandes iates, passando por veleiros e lanchas de pequeno, médio e grande porte.
Quem busca por motores, o coração dos barcos, encontra quatro das principais marcas do setor reunidas: Yanmar, Yamaha, Hidea e Volvo Penta.

Inovação da edição 2025, o evento terá o primeiro shopping náutico 100% flutuante do Brasil, montado sobre a Baía Afonso Wippel. Além dele, uma segunda área de shopping, na área seca, vai reunir uma ampla variedade de empresas apresentando acessórios e serviços para embarcações.
Enfatizando que o lifestyle náutico vai muito além dos barcos, o evento tem ainda uma série de empreendimentos de luxo sendo apresentados, bem como dois carrões: um DBX707, SUV da Aston Martin, e o Artura, superesportivo híbrido da McLaren.
Anote aí!
Quando: De 3 a 6 de julho de 2025
Horário: Quinta e sexta-feira, das 14h às 21h; sábado, das 11h às 21h; domingo, das 11h às 20h.
Onde: Marina Itajaí (Av. Carlos Ely Castro, 100, Centro, Itajaí-SC)
Mais informações: site do evento
Ingressos: site oficial de vendas
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Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.
O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.
Um setor que conversa consigo mesmo
Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.
Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?
Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.
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Advocacy não é palavrão
Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.
Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.
Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.
Explicar para quem não navega
O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.
Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.
Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.
Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.
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Náutica precisa de água limpa
Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.
É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.
Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.
O próximo passo é nosso
Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.
Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.
A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.
Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.



