Veleiro de luxo navega no Rio Nilo como nos tempos dos faraós do Egito

Agência oferece passeio em dahabiyas, tradicional embarcação que remonta a experiência de navegar pelo Egito Antigo

Por: Nicole Leslie -
13/10/2026
Dahabiya "Kemet". Foto: Kemetale / Divulgação

Navegar pelo Rio Nilo a bordo de uma embarcação tradicional pode trazer de volta a atmosfera da navegação no Egito Antigo, em uma travessia que resgata costumes seculares. As chamadas dahabiyas são veleiros caracterizados pelo calado estreito e por dois grandes mastros em suas extremidades, formato projetado historicamente para deslizar com calma pelas águas fluviais aproveitando a força dos ventos. Hoje, esse estilo clássico de navegação ganha releituras focadas no turismo de alto padrão ao longo do Alto Egito.

A empresa egípcia Kemetale promove essa vivência a bordo da dahabiya Kemet. A embarcação concilia elementos arquitetônicos tradicionais com uma estrutura voltada ao turismo contemporâneo.

Convés superior da dahabiya Kemet. Foto: Kemetale / Divulgação

Turismo histórico de luxo

Segundo a Kemetale, o objetivo do serviço diferenciado é proporcionar um trajeto que une tranquilidade e profundidade cultural, navegando em um ritmo cadenciado e longe da agitação comum aos grandes barcos da região.

Destino que integra o itinerário da dahabiya Kemet no Rio Nilo. Foto: Kemetale / Divulgação

Ao acontecer em grupos menores, a viagem se distancia dos itinerários massificados promovidos por grandes navios de cruzeiro — o que ajuda, por si só, a aproximar a experiência da vivida no Egito Antigo.

Itinerário a bordo da dahabiya Kemet

O percurso principal contempla um roteiro de cinco dias entre as cidades de Luxor e Aswan, com paradas estratégicas nos monumentos mais emblemáticos da civilização egípcia.

Foto: Kemetale / Divulgação

Ao longo do trajeto, os passageiros navegam por uma região que abriga estruturas arqueológicas com mais de 4.500 anos de história. Entre as atrações visitadas em Luxor destacam-se o Templo de Karnak, o Templo da Rainha Hatshepsut e o Vale dos Reis.


Conforme a navegação avança pelo rio, o veleiro atraca nas proximidades dos templos de Edfu e Kom Ombo, que permite aos turistas explorarem de perto as ruínas antigas. Na etapa final da viagem, já na região de Aswan, o itinerário inclui visitas ao Templo de Philae e à Represa Alta de Aswan.

Foto: Kemetale / Divulgação

Segundo a agência, todas as excursões em solo são acompanhadas por um guia especializado em egiptologia e os deslocamentos por terra são em veículos com ar-condicionado. Já a bordo, os serviços prezam pelo alto padrão e pela personalização do atendimento.

Veleiro de luxo remonta experiência do Egito Antigo

No veleiro de luxo, os hóspedes encontram acomodações amplas para duas ou três pessoas — algumas equipadas com varanda privativa — e recebem refeições inspiradas em pratos egípcios tradicionais, com toques contemporâneos.

Foto: Kemetale / Divulgação

O porte e o calado da dahabiya garantem vantagens operacionais em relação a barcos comerciais maiores. Um dos diferenciais é conseguir atracar em pequenos portos fluviais e praias inacessíveis aos grandes navios, o que possibilita vivências exclusivas como nadar nas águas do Nilo e realizar visitas a mercados locais e fazendas.

 

Assim, a combinação entre navegação histórica e comodidade de luxo se tornou o principal diferencial da Kemetale, que permite redescobrir o Egito de maneira autêntica e, ao mesmo tempo, tradicional.

Mais imagens da dahabiya Kemet

Foto: Kemetale / Divulgação
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Foto: Kemetale / Divulgação

 

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    Quem fala pela náutica?

    Salvador recebeu o 2º Fórum Náutico Internacional, realizado pela Associação Náutica da Bahia, com empresários, gestores públicos, especialistas e convidados de fora do país. A Baía de Todos-os-Santos é um dos maiores ativos náuticos do mundo, e ninguém na plateia precisava ser convencido disso. Ouvimos casos de sucesso, projetos de marinas, roteiros, regatas, oportunidades de investimento. Mas, quando chegou a minha vez de encerrar, preferi falar sobre o que ainda nos impede de transformar todo esse potencial em desenvolvimento de verdade.

     

    O setor náutico brasileiro ainda não sabe se defender.

    Um setor que conversa consigo mesmo

    Somos estaleiros, marinas, garagens náuticas, clubes, escolas de vela, operadores de passeio, fornecedores, mecânicos, marinheiros, guias, pescadores esportivos, agências de turismo. Cada elo da cadeia tem sua associação, seu grupo de WhatsApp, sua pauta. E, enquanto conversamos entre nós, as decisões que definem o nosso futuro são tomadas em outros lugares, quase sempre sem a gente na mesa.

     

    Pense em quantas instâncias de poder tocam a náutica. O licenciamento ambiental de uma marina. A alíquota de ICMS sobre a embarcação. As normas da Marinha. O plano diretor que define o uso da orla. O ordenamento de praias e acessos públicos à água. As linhas de crédito para o pequeno empreendedor. A formação de mão de obra. O saneamento. Câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional, conselhos, órgãos ambientais, ministérios. Em cada um desses espaços, alguém está falando sobre o nosso setor. A pergunta é: somos nós?

     

    Na maioria das vezes, não. E quem não está na mesa costuma estar no cardápio.

    [caption id="attachment_208270" align="alignnone" width="920"] Foto: NatalieZera / Envato[/caption]

    Advocacy não é palavrão

    Por isso defendi, no encerramento do fórum, que o mercado náutico precisa se unir para construir um trabalho permanente de advocacy. Não se trata de lobby no sentido pejorativo, nem de defender o interesse de uma empresa isolada. É representação organizada: uma agenda comum, dados confiáveis, propostas técnicas e presença constante em todos os espaços onde se decide algo que afeta o setor.

     

    Tenho visto de perto o que isso produz. Em São Paulo, o Fórum Náutico Paulista reúne voluntariamente empresários, gestores públicos e pesquisadores há quase duas décadas. Foi esse trabalho paciente, reunião após reunião, que ajudou a construir o plano de desenvolvimento do turismo náutico sustentável que virou programa de estado, o decreto de fomento ao setor, a nova regulamentação ambiental para estruturas náuticas e a agenda de redução de ICMS e de crédito para o setor. Nada disso caiu do céu. Aconteceu porque havia alguém, em nome do setor, sentado à mesa certa, com a proposta pronta.

     

    Esse modelo precisa existir na Bahia, em cada estado com vocação náutica e, sobretudo, em escala nacional.

     

    Explicar para quem não navega

    O segundo ponto da minha fala é tão importante quanto o primeiro: precisamos de assessoria de imprensa e de comunicação profissional para o setor.

     

    Para boa parte da população, a náutica ainda é "coisa de rico". Uma marina nova é vista como ameaça ao acesso à praia; um projeto de garagem náutica, como problema ambiental. E, quando não explicamos, alguém explica por nós, quase sempre mal.

     

    Temos uma história poderosa para contar e não contamos. Um estudo do Fórum Náutico Paulista mostrou que a cadeia náutica de lazer movimentava cerca de R$ 5,3 bilhões por ano no estado de São Paulo e gerava mais de 27 mil empregos. E apenas 0,8% da população paulista usava embarcações de lazer, contra 5,3% no Reino Unido. Ou seja, o potencial de crescimento é enorme, e esse crescimento significa renda para o marinheiro, para o mecânico, para o laminador, para a cozinheira do restaurante da marina, para o operador de passeio caiçara que se formaliza.

     

    Essa é a náutica que precisa chegar ao jornal, à TV, às redes sociais, à conversa de bar. O cidadão que entende que a cidade náutica gera emprego para o filho dele deixa de ser opositor e passa a ser aliado. E o político que percebe que a população apoia o setor passa a apoiá-lo também. Comunicação e advocacy andam juntas.

    [caption id="attachment_206807" align="alignnone" width="920"] Foto: nd3000/ Envato[/caption]

    Náutica precisa de água limpa

    Não poderia falar de união do setor sem lembrar de uma bandeira que o Dr. Castello Branco, presidente do Fórum Náutico Paulista, repete há anos e que se tornou princípio do nosso trabalho: náutica precisa de água limpa.

     

    É simples e é definitivo. Não existe turismo náutico, não existe marina, não existe regata, não existe mergulho, não existe passeio de barco em água poluída. O setor náutico é, por natureza, o maior interessado em rios, represas, baías e mares saudáveis. E é exatamente por isso que essa bandeira deveria estar no centro do nosso advocacy.

     

    Quando o setor náutico se coloca como defensor do saneamento, da qualidade da água e da conservação dos ambientes aquáticos, ele inverte a narrativa. Deixa de ser visto como ameaça ambiental e passa a ser reconhecido como guardião da água. Um setor unido, que cobra investimento em saneamento nas mesmas instâncias em que discute tributo e licenciamento, ganha legitimidade para todo o resto da agenda.

    O próximo passo é nosso

    Saí da Bahia convencida de que o Brasil náutico tem tudo: costa, rios, represas, gente talentosa, empresas competentes, gestores públicos interessados. O que falta é organização. Falta transformar dezenas de vozes isoladas em uma voz coletiva, técnica e presente.

     

    Fóruns como o da Bahia são o começo dessa conversa. O desafio agora é que ela não termine no encerramento do evento. Que vire rede, agenda comum, representação permanente e comunicação com a sociedade.

     

    A pergunta que deixei para a plateia, e que deixo para você, leitor, é a do título: quem fala pela náutica? Enquanto a resposta for "cada um por si", seguiremos perdendo espaço. Quando a resposta for "todos nós", o setor finalmente vai ocupar o lugar que merece no desenvolvimento do país.

      Mestre em Comunicação e Gestão Pública, Bianca Colepicolo é especialista em turismo náutico e coordena o Fórum Náutico Paulista. Autora de “Turismo Pra Quê?”, Bianca também é consultora e palestrante.